China integra blockchain ao mercado de energia verde

A China avança na modernização do setor elétrico ao anunciar um plano nacional para unificar o mercado de eletricidade e fortalecer a certificação de energia renovável. A proposta estabelece diretrizes até 2035 para ampliar a transparência, garantir rastreabilidade e consolidar a confiança nos certificados verdes emitidos no país. A tecnologia blockchain terá papel central nesse processo.

Certificação verde com rastreamento digital

O governo apresentou diretrizes para acelerar a criação de um mercado unificado de certificados verdes. Esses documentos comprovam que determinada quantidade de energia foi produzida a partir de fontes renováveis. Com o uso de blockchain, o sistema ganha rastreamento completo, desde a geração até o consumo final, o que aumenta a confiabilidade das informações e reduz inconsistências.

Além disso, o plano reforça mecanismos para monitorar preços desses certificados e ampliar tanto o consumo obrigatório quanto o voluntário de eletricidade limpa. O governo pretende integrar o mercado de certificados ao sistema nacional de contabilização de carbono, fortalecendo sua relevância para metas ambientais.

O país também busca reconhecimento internacional para seus padrões de certificação. Essa estratégia pode facilitar a harmonização de regras com mercados globais e fortalecer a posição chinesa em negociações relacionadas a carbono.

Mercado nacional de energia até 2030

A proposta inclui mudanças estruturais no setor elétrico. O objetivo é estabelecer até 2030 um mercado nacional no qual diferentes fontes de energia e consumidores qualificados participem de forma direta. Portanto, cerca de 70 por cento das transações de eletricidade deverão ocorrer de maneira totalmente baseada em mercado.

Além disso, o país pretende operar plenamente um mercado spot nacional, permitindo negociações quase em tempo real. A expectativa é que, até 2035, esse sistema esteja consolidado, com trocas fluidas entre províncias e sem barreiras regionais. Os preços deverão considerar energia, regulação, impacto ambiental e capacidade disponível, promovendo equilíbrio e eficiência.

Expansão e integração da energia limpa

O governo também detalha iniciativas para fortalecer o mercado de eletricidade renovável. Entre elas, estão contratos plurianuais de compra e venda, modelos de negociação agregada e melhorias no envio de energia verde entre províncias. Além disso, autoridades avaliam incluir a biomassa no mercado voluntário de redução de emissões, o que ampliaria as alternativas de diversificação energética.

Outro ponto destacado é o alinhamento entre o planejamento de energias renováveis e o funcionamento do mercado. Assim, o país pretende garantir que os preços dos certificados verdes permaneçam em níveis adequados, apoiados por fiscalização rigorosa.

Capacidade, flexibilidade e digitalização

Com o aumento da participação de fontes renováveis, a China planeja remunerar estruturas que garantem estabilidade ao sistema elétrico. Isso inclui usinas a carvão, projetos de bombeamento reverso e novas soluções de armazenamento. Serviços como regulação de frequência e respostas em períodos de pico também serão aprimorados e integrados ao mercado spot.

Modelos inovadores, como microrredes inteligentes, cargas flexíveis e usinas virtuais, poderão atuar no mercado desde que cumpram critérios técnicos. Além disso, a governança digital será reforçada com plataformas integradas e padrões unificados. Um sistema nacional de crédito acompanhará práticas inadequadas e ampliará a transparência.

No conjunto, as ações consolidam a estratégia chinesa de combinar modernização do mercado elétrico com verificação baseada em blockchain. Assim, a rastreabilidade da energia limpa, a padronização nacional e o fortalecimento da certificação verde tendem a avançar de forma integrada nos próximos anos.