China lança iniciativa sobre governança de dados para combater o programa U.S. Clean Network

Poucos dias antes do TikTok anunciar um comprador

De acordo com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, o plano “Clean Network” é um movimento necessário diante de uma ameaça crescente de espionagem chinesa e da propagação de um conjunto diferente de valores por meio de aplicativos populares direcionados à juventude.

A China respondeu hoje na mesma moeda com o anúncio de uma iniciativa semelhante que visa impedir que governos estrangeiros exerçam controle excessivo sobre os dados dos consumidores chineses. O plano é denominado “Iniciativa Global em Segurança de Dados” e é composto por um conjunto de regras relativas à governança e segurança de dados.

As autoridades chinesas não mencionam o programa Clean Network no rascunho preliminar, mas suas declarações à imprensa sugerem que ele foi de fato a força motriz por trás da Iniciativa Global sobre Segurança de Dados. O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, observou que “o unilateralismo praticado por certos países em nome da limpeza e a caça global às principais empresas de outros países sob o pretexto da segurança são atos flagrantes de intimidação que devem ser combatidos e rejeitados”.

Wang acredita que há um déficit na governança global de dados e, como tais, os países devem trabalhar na comunicação e coordenação para construir confiança mútua no que diz respeito à forma como lidam com os dados que fluem pela Internet e infraestrutura de telecomunicações. Esse déficit de confiança foi destacado por Pompeo em seus comentários recentes sobre o fato de que as empresas chinesas são obrigadas por lei a compartilhar informações com o governo chinês sempre que solicitadas a fazê-lo.

Pelo menos em teoria, a Global Initiative on Data Security convocaria as empresas de tecnologia a se abster de manipular o hardware e o software de seus clientes, extraindo ilegalmente dados de dispositivos ou instalando backdoors em seus produtos. Também estabeleceria acordos bilaterais sobre a circulação transfronteiriça de dados que “não infrinja a soberania jurídica e a segurança de dados de um terceiro país”. Em outras palavras, nenhuma espionagem ou vigilância em massa é permitida, a menos que seja feita por meio de uma influência sutil nos padrões da ONU.

Wang também reiterou que o governo chinês não exigiu e não exigirá que as empresas nacionais violem as leis de outros países ao lidar com dados no exterior. Nesse ínterim, há a questão de dois hackers chineses patrocinados pelo estado que foram acusados ​​de 11 acusações no início deste ano por uma década de espionagem em robótica, aeronaves, energia e engenharia de biotecnologia dos EUA – para citar alguns. Suas campanhas mais recentes têm como alvo a pesquisa de vacinas contra o coronavírus.

Fonte: TechSpot

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Foto de Marcelo Roncate O autor:

Estudante de História e trader aposentado. Segue firme como entusiasta do Bitcoin e inimigo declarado das pirâmides financeiras.