Circle financia modernização de pagamentos da ONU
A Circle anunciou um financiamento para apoiar uma iniciativa da ONU destinada a modernizar sistemas de pagamento usados em operações humanitárias. A medida visa acelerar repasses, ampliar a transparência e reduzir custos globais.
A empresa revelou a ação durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Além disso, o aporte segue para o Digital Hub of Treasury Solutions, programa da ONU criado para aprimorar fluxos financeiros utilizados em suas operações internacionais. A Circle afirmou que essa infraestrutura pode oferecer mais eficiência e rastreabilidade.
ONU amplia uso de stablecoins em ajuda humanitária
A parceria entre a Circle e a ONU não é inédita. Em 2022, as instituições atuaram juntas para viabilizar pagamentos em USDC a ucranianos deslocados pela guerra. O projeto marcou um dos primeiros usos de stablecoins em larga escala no contexto de assistência humanitária, em colaboração com a Agência da ONU para Refugiados e o próprio DHoTS.
No entanto, autoridades da ONU destacam que sistemas digitais baseados em blockchain podem transformar o setor. Eles apontam redução de custos operacionais, repasses mais rápidos e eliminação de gargalos tradicionais. Alexander De Croo, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, afirmou que soluções digitais ajudam a otimizar cada unidade de recurso em tempos de orçamentos pressionados.
Segundo dados apresentados pela Circle, cerca de US$ 38 bilhões em ajuda humanitária circulam anualmente em sistemas considerados ultrapassados. Assim, a adoção de novas tecnologias tende a oferecer mais eficiência e transparência aos fluxos financeiros.
Stablecoins avançam em serviços públicos e humanitários
Barham Salih, Alto Comissário da ONU para Refugiados, declarou que o uso de stablecoins busca preservar a dignidade de quem recebe auxílio, além de proporcionar maior autonomia aos indivíduos. Além disso, soluções digitais ampliam o impacto de cada doação destinada aos programas humanitários.
O anúncio do financiamento ocorre poucas semanas após a criação da Circle Foundation, braço filantrópico da empresa voltado a promover inclusão financeira e resiliência. A entidade tem demonstrado interesse em apoiar casos de uso público para stablecoins.
O setor de stablecoins já movimenta US$ 312,7 bilhões e avança em pagamentos internacionais, remessas e liquidações comerciais. Portanto, governos e instituições multilaterais estão ampliando estudos sobre aplicações baseadas em blockchain.
Além disso, Bermuda apresentou um projeto que prevê a criação de uma economia totalmente on-chain em parceria com Circle e Coinbase. O plano propõe usar infraestrutura blockchain em serviços financeiros, transações rotineiras e operações governamentais, buscando custos menores e mais eficiência. A proposta inclui ainda um piloto com pagamentos em USDC e programas de educação digital.
Esse conjunto de iniciativas reforça o crescimento global de modelos baseados em stablecoins. A ação da Circle junto à ONU e o projeto de Bermuda demonstram uma mudança estrutural em direção a sistemas financeiros mais rápidos, transparentes e acessíveis.
O setor segue evoluindo conforme instituições públicas e privadas testam tecnologias blockchain. Esse movimento tende a transformar a distribuição de ajuda humanitária e os serviços governamentais em diversas regiões.