CLARITY Act: Bessent pressiona Senado dos EUA
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, intensificou a pressão sobre o Congresso para avançar com a CLARITY Act, proposta que busca estabelecer um marco regulatório para ativos digitais. Segundo ele, a demora em definir regras claras pode prejudicar a competitividade do país no mercado de criptomoedas.
Em publicação na rede social X, Bessent pediu que senadores republicanos levem o projeto adiante e encaminhem o texto para avaliação presidencial. “O tempo do Senado é valioso, e agora é o momento de agir”, afirmou.
@ScottBessent no X
O posicionamento reforça argumentos já apresentados pelo secretário em artigo no Wall Street Journal. Na ocasião, ele indicou que a ausência de diretrizes federais mantém o setor em um ambiente de incerteza, o que tende a dificultar a inovação dentro dos Estados Unidos.
Além disso, Bessent alertou que a indefinição regulatória pode estar incentivando empresas a migrar para outras jurisdições. Países como Singapura e Abu Dhabi, por exemplo, oferecem estruturas mais previsíveis, o que, segundo essa leitura, favorece a atração de investimentos.
Projeto enfrenta entraves no Senado
A CLARITY Act propõe uma estrutura ampla para o mercado de ativos digitais. Entre os pontos centrais, o texto busca definir a divisão de competências entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). Além disso, estabelece critérios para diferenciar valores mobiliários de commodities digitais.
O projeto também prevê regras para registro de plataformas e intermediários, bem como medidas voltadas à proteção do consumidor. Assim, a proposta tenta equilibrar inovação tecnológica com estabilidade financeira.
A Câmara dos Representantes aprovou o texto em julho de 2025 com apoio bipartidário. No entanto, o avanço no Senado permanece travado, em grande parte devido a divergências entre setores da indústria cripto e instituições financeiras tradicionais.
Stablecoins concentram divergências
Um dos principais pontos de impasse envolve a regulação de stablecoins. Parlamentares discutem, por exemplo, se emissores devem poder oferecer rendimentos aos usuários. Ao mesmo tempo, há debate sobre o enquadramento regulatório de plataformas de criptomoedas em comparação com bancos.
Por outro lado, reguladores defendem regras mais rígidas com o objetivo de reduzir riscos sistêmicos. Já representantes da indústria avaliam que exigências excessivas podem limitar a inovação. Dessa forma, o tema segue sem consenso claro.
Além disso, o desafio de equilibrar crescimento do setor e segurança financeira continua no centro das negociações. Até março de 2026, não houve avanço concreto no Senado.
Pressão aumenta entre empresas e investidores
Apesar do impasse, cresce a pressão política e empresarial por uma definição regulatória. Executivos do setor defendem a aprovação da CLARITY ainda em 2026. Entre eles, o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, indicou que há possibilidade de avanço no curto prazo.
Ao mesmo tempo, mercados de previsões refletem a incerteza. O Polymarket aponta cerca de 60% de probabilidade de o projeto se tornar lei neste ano.
Esse cenário sugere que, embora exista apoio relevante, ainda há obstáculos políticos significativos. Investidores e empresas acompanham de perto o tema devido ao impacto potencial no mercado global.
Possíveis impactos no mercado cripto
Na avaliação de Bessent, a aprovação da CLARITY Act ajudaria a retirar o setor de um ambiente regulatório indefinido. Além disso, poderia reduzir a saída de empresas para outras jurisdições e fortalecer a posição dos Estados Unidos na indústria.
Por conseguinte, regras mais claras tendem a oferecer maior previsibilidade, especialmente em períodos de volatilidade. Isso pode beneficiar tanto investidores institucionais quanto usuários individuais.
Em suma, o projeto segue em discussão no Senado, enquanto persistem divergências sobre stablecoins, plataformas e o papel dos reguladores. Ainda assim, a pressão por uma definição continua aumentando.