CLARITY Act deve ir a votação só em maio no Senado
O avanço do CLARITY Act, projeto que busca estabelecer regras para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos, enfrenta um novo atraso no Senado. O senador republicano Thom Tillis indicou que a análise no Comitê Bancário não deve ocorrer em abril, como previsto inicialmente, e pode ser adiada para maio.
Segundo Tillis, o adiamento ocorre principalmente pela necessidade de intensificar negociações entre bancos tradicionais e empresas de ativos digitais. Nesse sentido, o principal impasse envolve a remuneração de stablecoins, tema que ainda divide o setor.
Além disso, após conversa com o presidente do comitê, senador Tim Scott, Tillis deixou claro que não pretende acelerar o processo. A prioridade, segundo ele, é construir um consenso mínimo antes de avançar.
“É muito importante para mim não acelerar as coisas, ouvir todos os lados e dar uma base racional para aquilo que decidirmos aceitar”, afirmou Tillis.
Impasse sobre stablecoins segue sem consenso
O ponto mais sensível do CLARITY Act envolve a possibilidade de plataformas oferecerem rendimento sobre stablecoins mantidas por usuários. Enquanto empresas de criptomoedas defendem a prática como inovação financeira, bancos tradicionais adotam uma postura mais cautelosa.
Por um lado, instituições financeiras argumentam que essa remuneração pode incentivar a migração de depósitos do sistema bancário para plataformas digitais. Por outro, representantes do setor cripto contestam essa avaliação e apontam ausência de evidências concretas.
De fato, análises do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca indicam que não há provas de fuga relevante de depósitos bancários. Ainda assim, o desacordo persiste e impede avanço mais rápido do projeto.
Divisão interna no governo amplia pressão
O debate também expôs divergências dentro do próprio governo. O conselheiro de criptomoedas da Casa Branca, Patrick Witt, criticou publicamente a resistência do setor bancário à remuneração de stablecoins.
Em publicação na rede X, Witt afirmou:
“Mais lobby sobre esse tema é difícil de explicar como algo além de ganância ou ignorância.”
Witt no X.
Com isso, fica evidente uma divisão relevante no debate regulatório. Enquanto parte do governo e do setor defende maior abertura à inovação, outra ala prioriza a estabilidade do sistema financeiro tradicional.
Setor cripto pressiona por avanço do CLARITY
Em contrapartida, organizações ligadas ao mercado de ativos digitais intensificaram a pressão política em Washington. A Digital Chamber, uma das principais associações de blockchain dos Estados Unidos, enviou carta ao Comitê Bancário pedindo celeridade na tramitação.
Segundo a entidade, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto com apoio bipartidário há mais de 270 dias. Portanto, o tempo disponível dentro da atual legislatura começa a se reduzir.
A organização também argumenta que avançar para a fase de análise detalhada é essencial para consolidar o progresso já obtido. Além disso, destaca que milhões de americanos aguardam maior clareza regulatória.
“Isso é fundamental para entregar a clareza que mais de 70 milhões de americanos que adotaram ativos digitais merecem”, afirma o documento.
O documento foi enviado ao comitê.
Atraso amplia incerteza regulatória
Enquanto as negociações se arrastam, o mercado acompanha os desdobramentos com atenção. Afinal, a definição de regras claras impacta diretamente o crescimento do setor e a confiança dos investidores.
O tema também se conecta a discussões mais amplas sobre o mercado de criptomoedas, que seguem em debate nos Estados Unidos e em outras jurisdições. Dessa forma, o atraso do CLARITY Act pode gerar efeitos indiretos em outras iniciativas regulatórias.
Calendário legislativo pressiona decisão
A expectativa atual é que o projeto avance para análise em maio. No entanto, esse cronograma depende diretamente da evolução das negociações entre bancos e empresas do setor cripto.
Além disso, quanto mais o impasse se prolongar, menor será a janela legislativa disponível em 2026. Isso ocorre porque a agenda política tende a se estreitar ao longo do segundo semestre.
Em outras palavras, embora exista apoio político relevante para regulamentar o setor, divergências estruturais continuam travando o progresso. Como resultado, o CLARITY Act permanece como um dos temas mais estratégicos e sensíveis da agenda regulatória dos Estados Unidos.