CLARITY Act: Ripple pede que Senado ouça investidores
Stuart Alderoty, diretor jurídico da Ripple, pediu que senadores indecisos ou contrários ao CLARITY Act ouçam investidores de criptomoedas. A votação processual está marcada para 15 de setembro no Senado dos Estados Unidos. A medida precisará de 60 votos para abrir o debate. Portanto, essa votação não decidirá se o projeto se tornará lei.
Alderoty afirmou que entrou em contato com gabinetes de senadores que ainda não definiram suas posições. Além disso, ele pediu que os parlamentares conversem diretamente com pessoas que possuem ativos digitais. Para o executivo, o debate não deve ficar restrito a lobistas, empresas e associações do setor.
“Conheçam pessoas reais com ativos digitais e ouçam como as regras federais para criptomoedas podem afetá-las.”
Stuart Alderoty, no X.
De acordo com Alderoty, uma pesquisa da National Cryptocurrency Association sustenta o apelo. O levantamento estima que cerca de 67 milhões de pessoas nos Estados Unidos possuem criptomoedas. Dessa forma, aproximadamente um em cada quatro adultos americanos detém algum ativo digital, conforme a pesquisa de 2026.
Investidores ganham espaço no debate regulatório
Para Alderoty, o tamanho dessa base de detentores dá aos indivíduos interesse direto nas regras propostas. O texto pode mudar o funcionamento de plataformas de negociação, serviços e diferentes ativos digitais nos Estados Unidos. Com isso, o pedido amplia a participação do investidor de varejo na pressão política sobre o Senado.
Durante agosto, apoiadores da Stand With Crypto telefonaram ou enviaram quase 50 mil mensagens aos membros do Congresso. Ao mesmo tempo, o grupo organizou reuniões e publicou artigos de opinião em jornais locais. Enquanto isso, os senadores trabalhavam em seus estados durante o recesso parlamentar.
Organizações bancárias também atuaram contra trechos do projeto. Segundo a Independent Community Bankers of America, algumas disposições poderiam permitir que unidades digitais competissem com depósitos bancários. Por isso, a entidade pediu que banqueiros locais contatassem senadores e alertassem sobre uma possível redução dos recursos disponíveis para empréstimos.
Votação processual exige apoio de democratas
Por volta das 14h15, no horário da costa leste, o Senado deve votar o encerramento do debate sobre a moção para analisar o texto. Esse procedimento, conhecido como cloture, requer o apoio de 60 senadores. Se aprovado, o mecanismo permitirá o início formal das discussões sobre a proposta.
Os republicanos controlam 53 cadeiras no Senado. Logo, a abertura do debate precisa de pelo menos sete votos de democratas ou independentes, caso todos os republicanos apoiem a medida. Ainda assim, o apoio integral do Partido Republicano não está garantido.
Entre os pontos questionados estão as regras de ética presidencial, as recompensas de stablecoins e as proteções para finanças descentralizadas. Caso ocorram deserções republicanas, o projeto precisará de mais votos da oposição. Antes do recesso de agosto, o líder da maioria no Senado, John Thune, apresentou o pedido de cloture.
Ética, stablecoins e DeFi dividem o Senado
Se o Senado aprovar o cloture, os parlamentares poderão debater o texto e apresentar emendas. Posteriormente, ocorrerá uma votação separada sobre a aprovação do projeto. Por outro lado, a falta de 60 votos impedirá a análise da medida pelo processo programado.
A proposta criaria uma estrutura federal para o mercado de ativos digitais. Ela dividiria as funções de supervisão entre a SEC e a CFTC. Na prática, as regras ajudariam a determinar quando a legislação trata um ativo digital como valor mobiliário ou commodity.
A Câmara dos Representantes aprovou o projeto por 294 votos a 134 em julho de 2025. Em maio de 2026, o Comitê Bancário do Senado aprovou o texto por 15 votos a 9. Contudo, apenas dois democratas apoiaram a proposta nessa etapa, o que dificulta a articulação para a votação em plenário.
Nesse contexto, as regras de ética presidencial permanecem entre os maiores entraves às negociações. Democratas defendem restrições mais duras para atividades envolvendo o presidente, altos funcionários e seus familiares. Entre as preocupações estão negócios ligados ao presidente Donald Trump e seus parentes, como a World Liberty Financial e a memecoin Official Trump.
Proposta pode redefinir atuação da SEC e da CFTC
Os democratas afirmam que a redação atual não oferece proteção suficiente contra conflitos de interesse, financiamento ilícito e influência sobre políticas federais. Em contrapartida, a senadora Cynthia Lummis atribuiu o risco de fracasso às exigências apresentadas pelos democratas. A apoiadora do projeto também sustentou que os impasses restantes ainda podem ser resolvidos.
Já o senador Mike Rounds adotou uma avaliação mais cautelosa e afirmou que as perspectivas do projeto não parecem boas. O senador Thom Tillis alertou para a necessidade de superar a divergência sobre as regras de ética. Portanto, a posição do Congresso e da Casa Branca sobre esse tema pode definir o apoio bipartidário.
As recompensas de stablecoins geram outro conflito. Por sua vez, bancos comunitários dizem que pagamentos sobre saldos podem retirar depósitos de instituições seguradas. As empresas do setor rejeitam restrições que impeçam terceiros de oferecer esses rendimentos.
Senadores também discutem proteções legais para desenvolvedores de programas de finanças descentralizadas. Nesse ponto, alguns parlamentares defendem salvaguardas para desenvolvedores que não controlam recursos de clientes. Ao mesmo tempo, outros buscam regras contra lavagem de dinheiro e demais atividades financeiras ilícitas.
Para os detentores americanos, a divisão de competências entre SEC e CFTC pode afetar listagens e regras aplicáveis às transações. Mesmo com a aprovação no Senado, uma versão diferente exigirá conciliação entre as duas casas legislativas. Como a Câmara terá apenas quatro dias legislativos após 15 de setembro, o calendário limitará o tempo para analisar mudanças.