CLARITY Act terá quatro semanas decisivas no Senado
O Senado dos Estados Unidos terá apenas quatro semanas úteis em junho para avançar com o CLARITY Act. Assim, o mercado de criptomoedas acompanha uma das propostas mais relevantes para a estrutura de mercado de ativos digitais no país.
Aliados do projeto avaliam que a janela política ficou extremamente apertada. Ainda assim, o texto segue no centro do debate, pois pode definir competências regulatórias e ampliar a segurança jurídica para empresas, desenvolvedores e autoridades.
Além disso, o tema ganhou peso após sinais públicos de apoio em Washington e no setor privado. Por isso, junho passou a concentrar as expectativas sobre a tramitação do CLARITY no plenário do Senado.
Agenda do Senado reduz espaço para votação
John Thune, líder da maioria no Senado, confirmou que o pacote de reconciliação da Câmara dos Representantes não será concluído neste mês. Dessa forma, os senadores retornarão em junho com uma pauta carregada e menos espaço para votações complexas.
Nesse cenário, o CLARITY Act terá de disputar prioridade com as negociações de reconciliação, assuntos ligados à FISA e um pacote habitacional já aprovado pela Câmara. Ao mesmo tempo, o projeto já superou uma etapa importante no Comitê Bancário do Senado, por 15 votos a 9, com apoio bipartidário.
Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, reforçou a urgência em publicação no X.
“Junho é o mês do ‘Clarity’. É literalmente agora ou nunca.”
Mike Novogratz no X, em 30 de maio de 2026.
Além disso, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, pressionou Senado e Câmara a avançarem com a proposta. Como resultado, os mercados de previsões elevaram a chance de aprovação ainda em 2026. Segundo os relatos citados, o Polymarket passou a indicar probabilidade próxima de 60% para que o projeto vire lei neste ano.
Pressão política cresce entre defensores da proposta
A senadora Cynthia Lummis, do Wyoming, intensificou o discurso de urgência. Segundo os relatos mencionados, ela disse a outros parlamentares que, se o Congresso perder essa janela, a próxima oportunidade realista para uma legislação sobre criptomoedas pode ficar para 2030.
Na avaliação da senadora, o atraso prolongaria dois problemas ao mesmo tempo. De um lado, desenvolvedores continuariam sem proteção jurídica clara. De outro, autoridades responsáveis pela aplicação da lei seguiriam sem instrumentos regulatórios adequados para agir contra maus atores.
Além disso, Lummis enquadrou o debate como uma disputa geopolítica. Em declaração citada na reportagem, ela afirmou que, se os Estados Unidos não definirem o padrão global para regular ativos digitais, outro país fará isso. Segundo a parlamentar, a China não está esperando.
A parlamentar também relacionou o avanço do CLARITY ao posicionamento mais amplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o setor. Nesse sentido, ela pediu aos colegas que levem o texto até a mesa presidencial, destacando que Trump já manifestou apoio público a políticas favoráveis à indústria de ativos digitais.
Junho vira teste para a regulação cripto
A jornalista Eleanor Terrett observou que julho terá apenas três semanas úteis antes do recesso de agosto. Portanto, junho passou a ser visto como a última faixa de tempo realmente livre para o projeto ganhar tração no plenário do Senado.
Na prática, o CLARITY agora concorre diretamente por espaço legislativo em um período de forte congestionamento. Ainda assim, seus defensores insistem que o texto resolveria duas lacunas centrais. A proposta criaria mais segurança jurídica para desenvolvedores e daria autoridade regulatória mais clara aos órgãos responsáveis pelo mercado.
Além disso, o debate ocorre em um momento de atenção ampliada sobre ativos digitais e sobre o futuro da supervisão federal nos Estados Unidos. Por isso, a tramitação do CLARITY ganhou relevância muito além do calendário legislativo de junho.
Em suma, o Senado retorna com agenda congestionada, enquanto o CLARITY Act tenta transformar a aprovação bipartidária no Comitê Bancário em votação de plenário. Ao mesmo tempo, seguem no debate o alerta de Mike Novogratz sobre o caráter decisivo do mês, a probabilidade de cerca de 60% nos mercados de previsões para aprovação em 2026 e a advertência de Cynthia Lummis de que um atraso pode empurrar a legislação sobre criptomoedas para 2030.