CLARITY Act trava no Senado e atrasa regulação

O projeto de lei CLARITY Act, que propõe uma estrutura regulatória para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos, segue enfrentando atrasos no Senado. Embora tenha sido aprovado com ampla maioria na Câmara em julho de 2025, com 294 votos a favor e 134 contra, o texto permanece parado no Comitê Bancário do Senado até abril de 2026.

Além disso, mesmo após receber aval do Comitê de Agricultura do Senado em janeiro de 2026, a proposta não avançou para etapas posteriores. Assim, o impasse amplia a incerteza entre empresas e investidores que dependem de regras mais claras no país.

Disputa entre bancos e empresas cripto trava avanço

O principal entrave envolve o conflito entre instituições financeiras tradicionais e empresas do setor cripto. Em outras palavras, o debate gira em torno da possibilidade de plataformas oferecerem rendimentos sobre stablecoins mantidas em contas de usuários.

Segundo associações bancárias, esse modelo pode estimular a migração de depósitos, reduzindo a liquidez disponível para crédito. Por outro lado, empresas do setor consideram essa avaliação exagerada. Ainda assim, defendem que os rendimentos são essenciais para sustentar seus modelos de negócio e manter competitividade.

Além disso, as negociações seguem marcadas por impasses recorrentes. Mesmo quando há avanços pontuais, novas divergências surgem rapidamente. Dessa forma, o progresso do CLARITY Act continua travado, refletindo interesses conflitantes entre setores tradicionais e inovadores.

Recuo da Coinbase pressiona cronograma

Outro fator relevante ocorreu em janeiro de 2026, quando Brian Armstrong, CEO da Coinbase, retirou apoio à versão revisada do projeto. Como resultado, o Comitê Bancário do Senado adiou a análise da proposta, sem definir nova data.

Esse movimento evidenciou o peso da indústria nas discussões regulatórias. Afinal, grandes empresas exercem influência direta no debate político. Nesse sentido, a ausência desse apoio tende a prolongar negociações e aumentar a complexidade do processo.

Enquanto isso, o mercado acompanha o tema de perto, especialmente diante do crescimento de ativos como o Bitcoin. Assim, o atraso do CLARITY ultrapassa o ambiente político e impacta diretamente o ecossistema de criptomoedas.

Calendário político limita votação

Mesmo que os conflitos atuais sejam resolvidos, o CLARITY Act ainda enfrentará um caminho legislativo extenso. Primeiro, precisa avançar nos comitês do Senado. Em seguida, deve obter ao menos 60 votos no plenário. Posteriormente, será necessário conciliar diferenças com a versão aprovada na Câmara e garantir sanção presidencial.

No entanto, o tempo é limitado. Após o recesso do Memorial Day, no início de junho, o foco do Congresso tende a migrar para as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2026. Assim, caso não avance até o fim de abril, cresce o risco de adiamento para 2027.

Além disso, mudanças no cenário político podem levar ao arquivamento da proposta. Portanto, a janela de aprovação se torna cada vez mais estreita.

Tensões geopolíticas também pesam

Além dos entraves internos, fatores geopolíticos influenciam o ritmo das discussões. O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, por exemplo, tem redirecionado a atenção dos legisladores para temas de segurança nacional.

Como resultado, pautas relacionadas à regulação financeira acabam ficando em segundo plano. Ainda que o CLARITY seja considerado relevante, ele disputa espaço com agendas mais urgentes no cenário global.

Em suma, o CLARITY Act enfrenta uma combinação de obstáculos, incluindo pressão do setor bancário, divergências dentro da indústria cripto, limitações do calendário legislativo e fatores externos. Nesse meio tempo, o setor continua operando sob incerteza regulatória nos Estados Unidos.