CLARITY cai na Polymarket após atraso no Senado
As chances de aprovação do CLARITY Act em 2026 perderam força depois que senadores adiaram a divulgação da versão revisada do projeto, mesmo após uma reunião na Casa Branca. Com isso, fontes da indústria passaram a esperar a nova minuta apenas para a próxima semana, o que ampliou a incerteza sobre a estrutura de mercado para ativos digitais.
Nos mercados de previsões, o contrato da Polymarket para a aprovação da lei em 2026 caiu para 31% na sexta-feira, antes de se recuperar para 35%. Em maio, porém, essa mesma estimativa chegou a 73%. A queda sinaliza uma mudança relevante no sentimento do mercado sobre a capacidade dos negociadores de resolver o impasse político.
Além disso, o atraso ganhou peso porque a liderança do Senado tem pouco tempo para formar uma coalizão bipartidária antes do recesso de agosto. Para avançar, o texto precisa de 60 votos. Portanto, o apoio de democratas que cobram regras mais rígidas sobre conflitos de interesse ligados ao mercado de criptomoedas tornou-se decisivo.
Disputa sobre ética trava nova versão
O presidente Donald Trump se reuniu na quinta-feira com senadores republicanos para discutir as disposições de ética que travam o avanço da proposta. No entanto, o encontro não resultou na publicação do novo texto, apesar da expectativa do setor por uma minuta atualizada.
A jornalista Eleanor Terrett informou, em publicação no X, que líderes da indústria agora trabalham com a previsão de atraso para a próxima semana. Ademais, ela destacou que a audiência de campo marcada pelo Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, em Nova York, teria caráter apenas informativo e não afetaria a análise do Senado.
O Comitê de Serviços Financeiros da Câmara realizará uma audiência de campo às 10h no horário do leste, em Nova York, para examinar como o CLARITY Act pode destravar a inovação. A audiência é informativa e não afeta a análise do projeto no Senado.
Enquanto isso, o texto legislativo atualizado continua fora de alcance após a reunião.
De acordo com o senador Ruben Gallego, a redação republicana sobre ética segue fraca demais. Democratas defendem restrições mais duras para o presidente, o vice-presidente, altos funcionários do governo e membros do Congresso que mantenham interesses ligados a criptomoedas. Nesse sentido, a divulgação financeira de Donald Trump referente a 2025, que apontou mais de US$ 1 bilhão em ganhos relacionados a ativos digitais, intensificou a disputa em torno do texto.
Por outro lado, o senador Cory Booker manteve as negociações abertas, mas afirmou que a legislação precisa de um caminho bipartidário. Em outras palavras, divulgar uma nova versão sem apoio democrata pode endurecer a resistência antes mesmo de um consenso sobre os pontos mais sensíveis.
Histórico recente da tramitação no Congresso
O projeto já mostrou capacidade de atrair apoio dos dois partidos. Em 14 de maio, o Comitê Bancário do Senado aprovou o H.R. 3633 por 15 votos a 9. Depois, em 1º de junho, o texto foi formalmente encaminhado ao Senado e entrou no calendário legislativo como Calendar No. 423. Ainda assim, nenhuma votação em plenário foi marcada até agora.
Ao mesmo tempo, a incerteza regulatória continua afetando empresas, emissores de tokens, corretoras e participantes do setor. A demora na nova minuta impede uma leitura definitiva sobre exigências de registro, divulgação de informações, custódia, responsabilidade de desenvolvedores e limites éticos para autoridades públicas.
Audiência em Nova York não muda cronograma
Enquanto o Senado segue preso ao debate ético, o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara realizou na sexta-feira, às 10h no horário do leste dos Estados Unidos, uma audiência de campo em Nova York. A sessão discutiu como o CLARITY Act poderia estimular a inovação em ativos digitais e estabelecer uma supervisão federal mais clara.
Participaram da audiência representantes da Nova Labs, Bullish, WisdomTree e Coin Center. Conforme os depoimentos, os debates cobriram regras para commodities digitais, infraestrutura de mercado, salvaguardas ao consumidor e proteções para desenvolvedores de software. Contudo, a audiência não tem autoridade para acelerar a tramitação no Senado.
Essa limitação pressionou a percepção do mercado. Na Polymarket, o contrato sobre a transformação do CLARITY Act em lei até 31 de dezembro de 2026 caiu para perto de 31% durante a sessão de sexta-feira, antes de retornar a 35%. O mesmo mercado apontava cerca de 47% no início de junho e 73% em 11 de maio.
Além disso, o contrato exige que o H.R. 3633 seja aprovado nas duas casas do Congresso e receba a assinatura presidencial até o fim de 2026. Portanto, uma eventual votação positiva apenas no Senado não bastaria. Os parlamentares ainda precisariam resolver divergências entre a emenda do Senado e a versão já aprovada pela Câmara.
O que está em jogo para o mercado cripto
Se aprovado, o CLARITY Act criaria uma estrutura federal para commodities digitais e definiria com mais precisão os papéis de supervisão da Securities and Exchange Commission e da Commodity Futures Trading Commission. Dessa forma, as regras poderiam afetar emissores de tokens, corretoras, custodiantes, intermediários e desenvolvedores de soluções sem custódia.
Além do impacto institucional, a indefinição mantém áreas de compliance sem resposta final sobre registro e governança para ativos digitais. Assim, esses detalhes devem determinar se os democratas voltarão ou não à coalizão que permitiu o avanço do projeto no comitê em maio.
Em suma, os dados centrais seguem inalterados: a nova versão do texto continua atrasada, a exigência de 60 votos no Senado mantém os democratas como peças-chave, e a probabilidade de aprovação em 2026 na Polymarket caiu de 73% em maio para 35% na sexta-feira. A audiência em Nova York reforçou o debate regulatório, mas não alterou o calendário legislativo da proposta. O Senado mantém o registro legislativo do H.R. 3633.