Clarity: Casa Branca pressiona democratas por ética

A Casa Branca elevou a pressão sobre democratas no Senado para que aceitem um acordo de ética ligado ao presidente Donald Trump. Assim, os articuladores tentam destravar a principal disputa em torno do Digital Asset Market Clarity Act, projeto que busca definir regras para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos.

Um funcionário da Casa Branca, sob condição de anonimato, afirmou que Trump concordou com o que o governo descreve como a cláusula de ética mais abrangente da história. Ainda assim, os detalhes das restrições ligadas ao setor de criptomoedas não vieram a público. Além disso, democratas dizem que ainda não tiveram acesso ao conteúdo da proposta.

A seção de ética em discussão deve limitar vínculos empresariais pessoais de altos funcionários do governo com a indústria de criptomoedas, incluindo Trump. Nesse meio tempo, uma apuração detalhou negócios da família Trump e apontou que ativos e empreendimentos do grupo geraram mais de US$ 2 bilhões em nova riqueza desde o retorno dele à presidência. Por isso, a divulgação do texto final do Clarity ficou paralisada por vários dias enquanto negociadores ajustam essa parte do projeto.

Cláusula de ética trava fase decisiva do projeto

Parlamentares democratas afirmam que não receberam explicações formais sobre a concessão. Ao mesmo tempo, republicanos e representantes da indústria iniciaram uma ofensiva política para atribuir aos democratas o atraso na tramitação.

Um funcionário da Casa Branca disse que, se os democratas barrarem essa legislação histórica após a administração tentar acomodar suas preocupações, ficará claro que o partido nunca esteve seriamente comprometido com um desfecho legislativo.

Ademais, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou a pressão. Ele afirmou que os legisladores estão na linha de 1 jarda para concluir o Clarity. Com isso, defendeu a aprovação do texto antes do recesso parlamentar.

Entre os democratas envolvidos nas negociações estão os senadores Kirsten Gillibrand, Ruben Gallego e Angela Alsobrooks. Contudo, eles ainda não tiveram acesso aos detalhes do entendimento com Trump. O presidente se reuniu na semana passada com senadores republicanos na Casa Branca. Ainda assim, parte relevante da bancada democrata sustenta que a cláusula de ética precisa ser robusta.

Pressão política cresce antes do prazo final

A pressão aumentou depois que Trump defendeu publicamente a aprovação do Clarity. Além disso, sua divulgação financeira mostrou que ele obteve mais de US$ 1 bilhão com atividades ligadas a criptomoedas em 2025. Dessa forma, as críticas de opositores ao projeto ganharam força, sobretudo em relação ao alcance das salvaguardas éticas.

O texto do Clarity já passou pelo Comitê Bancário do Senado por 15 votos a 9. Nessa etapa, Ruben Gallego e Angela Alsobrooks votaram ao lado dos republicanos para avançar a proposta. Ainda assim, ambos disseram em maio que não apoiariam a aprovação final sem a inclusão de uma provisão ética.

Durante a análise no comitê, uma emenda do senador Chris Van Hollen foi rejeitada por 11 votos a 13. A proposta buscava proibir o presidente, o vice-presidente e membros do Congresso de manterem vínculos empresariais com o setor de criptomoedas. Portanto, o centro da disputa continuou intacto e voltou para a mesa de negociação.

O setor espera que a versão completa do texto legislativo circule ainda nesta semana. O Senado tem menos de três semanas para finalizar o projeto e levá-lo a votação em plenário. O prazo termina em 7 de agosto, data estabelecida pelo líder da maioria, John Thune, antes da saída dos parlamentares de Washington para o período eleitoral.

Cenário de aprovação segue dividido

Nesse cenário, o calendário apertado amplia a pressão sobre os negociadores e reduz a margem para novos impasses. A Galaxy Research estima em 50% as chances de aprovação do Clarity. Enquanto isso, a cláusula de ética segue como principal ponto de tensão. A Casa Branca insiste que Trump já aceitou concessões amplas, ao passo que democratas cobram acesso ao texto antes de qualquer decisão final.