CLARITY: Tesouro dos EUA pressiona Senado

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, intensificou a pressão para que o Senado aprove o projeto CLARITY sem demora. Em artigo publicado no Wall Street Journal, ele argumentou que o atraso pode comprometer a liderança americana no setor de ativos digitais e tratar o tema como estratégico para a economia e a segurança nacional.

Segundo Bessent, o tempo disponível na agenda legislativa é limitado. Por isso, ele defende ação imediata, já que, em sua avaliação, o avanço do setor depende de um marco regulatório claro. Sem segurança jurídica, a inovação tende a desacelerar e empresas podem buscar outras jurisdições.

Pressão política e avanço do mercado digital

Ao mesmo tempo, Bessent destacou o crescimento do mercado global de ativos digitais, que gira entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões. Além disso, ele afirmou que cerca de um em cada seis americanos possui algum tipo de ativo digital, o que reforça a crescente adoção.

Esse cenário, portanto, exige respostas mais rápidas do governo. Conforme o secretário, a tecnologia blockchain avança em áreas como pagamentos, liquidações financeiras e tokenização de ativos do mundo real. Assim, tratar o setor como experimental já não reflete o estágio atual da indústria.

“O tempo no plenário do Senado é escasso, e este é o momento de agir. A promessa de inovação não pode ser concretizada sem o suporte da CLARITY”, afirmou Bessent.

Além disso, ele apontou um movimento de migração de empresas para regiões com regras mais definidas, como Abu Dhabi e Singapura. Como resultado, parte do setor passa a operar fora dos Estados Unidos, o que pode afetar a competitividade do país.

Divisão regulatória e estrutura proposta

A proposta CLARITY foi aprovada na Câmara dos Representantes em julho de 2025, com apoio bipartidário de 294 votos a favor e 134 contra. Agora, o texto segue para análise do Senado.

O projeto propõe uma divisão de responsabilidades entre reguladores. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) ficaria responsável por commodities digitais, como o Bitcoin. Por outro lado, a Securities and Exchange Commission (SEC) supervisionaria ativos classificados como valores mobiliários.

Além disso, a proposta inclui exigências de registro para empresas do setor e reforça regras de combate à lavagem de dinheiro. Dessa forma, busca estabelecer uma base regulatória mais consistente para o mercado.

A senadora Cynthia Lummis manifestou apoio à iniciativa e indicou que há ambiente político favorável. Segundo ela, o avanço bipartidário pode facilitar a tramitação no Senado.

Disputa global e impacto estratégico

Bessent vinculou a aprovação da CLARITY à posição global dos Estados Unidos. Em sua avaliação, o país precisa participar ativamente da definição de padrões internacionais. Caso contrário, poderá seguir diretrizes estabelecidas por outras jurisdições.

Essa disputa vai além da regulação doméstica. Envolve influência econômica e tecnológica. Nesse sentido, países com regras mais claras tendem a atrair investimentos e inovação com maior rapidez.

Janela política e riscos de atraso

Com a agenda legislativa pressionada e a proximidade de ciclos eleitorais, o tempo para votação é reduzido. Por isso, Bessent alertou que a janela de oportunidade pode se fechar rapidamente.

Ele reforçou que o crescimento do mercado, a adoção pelos cidadãos e a migração de empresas indicam uma tendência relevante. Em outras palavras, a ausência de regras mais claras já produz efeitos concretos.

Em conclusão, o secretário avalia que a CLARITY pode ajudar a reverter esse cenário. A proposta, segundo ele, tem potencial para estimular a inovação e manter a relevância dos Estados Unidos no mercado global de ativos digitais.