Coinbase acusa bancos de travarem agenda cripto de Trump
A Coinbase reforçou críticas ao setor bancário após Brian Armstrong afirmar que grandes instituições dos EUA tentam bloquear avanços regulatórios pró-cripto no governo Donald Trump. O executivo alertou que a nova proposta do Comitê Bancário do Senado ameaça categorias inteiras de ativos digitais, reduz a competitividade das stablecoins e limita retornos oferecidos a usuários.
Segundo Armstrong, o texto mais recente representa concessões excessivas ao sistema financeiro tradicional. Ele disse que a redação cria espaço para regulações que podem atrasar inovações relevantes e enfraquecer conquistas bipartidárias obtidas para o setor cripto nos últimos meses. Além disso, o CEO afirmou que a Coinbase não consegue apoiar o projeto sem revisões profundas.
Disputa sobre stablecoins e impacto no mercado
O principal impasse envolve as recompensas oferecidas por stablecoins. Armstrong destacou que legislações aprovadas, como o GENIUS Act permitiram que emissoras paguem rendimento aos usuários, criando alternativas competitivas frente a produtos bancários tradicionais. No entanto, segundo ele, os bancos agem para impedir esse avanço por interesse em preservar margens elevadas.
O executivo comparou a segurança das stablecoins totalmente lastreadas a títulos do Tesouro dos EUA, conforme exige o GENIUS Act, com o modelo bancário baseado em reserva fracionária. Ele afirmou que stablecoins apresentam menos risco sistêmico e, portanto, não devem seguir regras idênticas às impostas aos bancos, como exigências relacionadas a seguro de depósitos.
Além disso, Armstrong argumentou que obrigar plataformas cripto a operar como bancos ignora diferenças fundamentais entre os modelos. Ele afirmou que, quando um usuário empresta fundos de forma voluntária, não há justificativa para imposições típicas do sistema bancário.
Tensões sobre regulação e atuação da CFTC
Armstrong também contestou a narrativa de que stablecoins prejudicam bancos comunitários. Para ele, grandes instituições utilizam esse argumento como distração, pois não há evidências de perda relevante de depósitos. O CEO acrescentou que a consolidação bancária após o Dodd-Frank impactou mais essas instituições do que qualquer avanço das stablecoins.
Outro ponto crítico do projeto é a possível subordinação da CFTC à SEC. Armstrong afirmou que essa mudança contraria o CLARITY Act, aprovado na Câmara, que determinou responsabilidades claras para commodities e valores mobiliários digitais. Portanto, ele questionou por que o Senado adotaria uma abordagem que colocaria a CFTC em posição secundária em um setor onde sua atuação é considerada essencial.
Mesmo com críticas severas, Armstrong demonstrou otimismo. Ele acredita que o Congresso pode ajustar o texto para alinhá-lo à agenda pró-cripto do governo Trump. No entanto, alertou que aprovar uma legislação inadequada pode prejudicar avanços importantes, especialmente se houver restrições a ações tokenizadas ou redução da competição no mercado.
No curto prazo, a posição da Coinbase reforça tensões entre setor bancário, empresas cripto e legisladores. Assim, o debate em torno da proposta deve continuar influenciando discussões sobre a regulamentação de stablecoins, plataformas descentralizadas e o papel da CFTC no ambiente regulatório dos EUA.