Coinbase agenda migração institucional para a Deribit
A Coinbase transferirá, em 9 de setembro, as contas, os saldos e as posições em aberto de clientes institucionais da International Exchange para a Deribit. Durante a transição, a negociação deve ficar pausada por cerca de 30 minutos.
A empresa definiu 28 de agosto como prazo final para instituições que não quiserem participar. Esses clientes precisarão encerrar suas posições e fechar suas contas na International Exchange até essa data. Contas que permanecerem abertas serão tratadas como aderentes aos termos atualizados e à migração.
Com a mudança, a Coinbase avança no plano de consolidar suas operações internacionais de derivativos sob a Deribit. A companhia concluiu a aquisição da exchange de opções de criptomoedas em agosto de 2025, após concordar em pagar aproximadamente US$ 2,9 bilhões. Na conclusão do negócio, a Coinbase descreveu a Deribit como a maior plataforma de opções de criptomoedas em volume e interesse em aberto.
Como será a transferência para a Deribit
A Coinbase espera provisionar as subcontas dos clientes na Deribit em modo somente leitura em 31 de agosto. Nesse intervalo, as instituições deverão confirmar o mapeamento das contas, testar o acesso, criar credenciais de API e solicitar eventuais limites de saque ou de posição.
Em 9 de setembro, a Coinbase cancelará todas as ordens em aberto na International Exchange. Em seguida, liquidará as posições existentes pelo preço de marcação da plataforma, cristalizará lucros e perdas, pagará o funding acumulado e transferirá os saldos resultantes para as subcontas na Deribit.
A Coinbase vai transferir clientes institucionais para a Deribit, a maior exchange de opções de criptomoedas do mundo. A empresa planeja migrar, em 9 de setembro, as contas, os saldos e as posições da International Exchange, com pausa de cerca de 30 minutos nas negociações.
Depois disso, a empresa recriará as posições pelo mesmo preço de liquidação, por meio de operações casadas de migração. Esses registros aparecerão como block trades marcados como “Migration” nos arquivos da Deribit. Segundo a Coinbase, serão lançamentos administrativos, e não novas negociações iniciadas pelos clientes.
Antes da transição, porém, a International Exchange e a Deribit continuarão precificando e liquidando seus mercados de forma independente. Por isso, diferenças entre os preços podem gerar ganhos ou perdas não realizados logo após a reabertura da Deribit. A Coinbase disse que esse efeito refletirá a variação de preço durante a parada, e não uma taxa de migração nem uma perda realizada. Além disso, a transferência em si não terá taxas de negociação ou liquidação.
APIs, histórico e empréstimos de margem
As chaves de API atuais da Coinbase International Exchange não funcionarão na Deribit. Assim, os clientes deverão criar novas credenciais na Deribit e alterar seus endpoints antes da retomada das negociações.
Os endpoints atuais de negociação perpétua da INTX serão desativados em 9 de setembro. O novo gateway usará JSON-RPC 2.0 por conexões HTTP e WebSocket. A Coinbase afirmou que dará suporte a funções adicionais, como trailing stops, ordens market-limit e entrada de ordens por WebSocket. As referências a liquidez mais profunda e menor latência foram apresentadas pela empresa como benefícios esperados do produto, e não como resultados medidos de forma independente.
Os registros de negociação e ordens da International Exchange não aparecerão dentro da Deribit. A Coinbase espera manter suas APIs legadas acessíveis por aproximadamente 12 meses para consulta de dados históricos. Ainda assim, orientou as instituições a salvar seus registros antes da migração, caso precisem deles para auditorias, impostos ou reportes regulatórios.
Os empréstimos de margem também não serão transferidos. Portanto, as instituições precisarão encerrar todos os empréstimos existentes antes da mudança. Inicialmente, as contas entrarão no sistema Cross Standard Margin da Deribit, embora os clientes possam escolher outros modelos de margem conforme o portfólio e os arranjos contratuais.
A Deribit usará os volumes da International Exchange para definir as faixas iniciais de tarifas dos clientes. Depois, as faixas passarão a depender do volume negociado na Deribit em uma janela móvel de 30 dias. A migração será gratuita, mas as taxas regulares posteriores seguirão a tabela da Deribit.
Estrutura legal e plano global de derivativos
A migração não criará uma estrutura jurídica idêntica para todas as instituições. Clientes que usam apenas a Coinbase International Exchange, em geral, manterão a Coinbase Bermuda Limited como corretora e custodiante, com ordens roteadas para a Deribit para execução.
Instituições que já negociam diretamente nas duas plataformas podem manter a Coinbase Bermuda como custodiante, enquanto usam a Deribit FZE como contraparte de negociação. Já alguns clientes com custodiante externo moverão sua relação de negociação para a Deribit Panama. A Coinbase informou que os gerentes de conta enviarão instruções quando houver necessidade de ação adicional.
A entidade prestadora do serviço dependerá da jurisdição da instituição e do tipo de conta. Entre as entidades relevantes estão Coinbase Bermuda Limited, Deribit FZE, regulada em Dubai, DRB Panama e Coinbase Financial Markets, uma futures commission merchant dos Estados Unidos e membro da National Futures Association.
A empresa também alertou que todas as datas anunciadas ainda são estimativas. Dessa forma, a Coinbase pode alterar tanto a data de provisionamento de 31 de agosto quanto a de migração em 9 de setembro, com aviso quando necessário. O acesso aos produtos também variará conforme o país e a elegibilidade do cliente.
Consolidação da Deribit no negócio da Coinbase
A consolidação segue o esforço da Coinbase para transformar a Deribit em sua principal plataforma para o negócio global de derivativos. Quando a aquisição foi concluída, a Deribit tinha aproximadamente US$ 60 bilhões em interesse em aberto e havia processado mais de US$ 185 bilhões em volume de negociação em julho de 2025, segundo números da empresa.
No segundo trimestre de 2026, a Coinbase informou volume de US$ 1,03 trilhão em negociação de derivativos de criptomoedas, quase estável em relação ao trimestre anterior. A companhia afirmou que sua participação de mercado em derivativos atingiu um recorde e cresceu pelo terceiro trimestre consecutivo. Entre os próximos passos operacionais, a empresa apontou a unificação de liquidez dos Estados Unidos e internacional por meio da Deribit.
Como parte desse movimento, a aquisição deu à Coinbase uma posição imediata no mercado institucional de opções, sem exigir a construção interna de uma plataforma equivalente. Ao mesmo tempo, a migração internacional ocorre em paralelo à expansão regulada dos derivativos da companhia nos Estados Unidos.
Em maio, a Commodity Futures Trading Commission confirmou que determinados contratos perpétuos da Deribit poderiam receber tratamento como contratos futuros estrangeiros sob certas condições. A equipe do órgão também concedeu alívio condicional envolvendo colateral de clientes transferido por meio da Coinbase Financial Markets.
Além disso, a Coinbase abriu acesso a opções da Deribit para instituições elegíveis dos Estados Unidos por meio de sua futures commission merchant regulada. Essa rota é separada da migração de 9 de setembro das contas da International Exchange, embora ambas as iniciativas usem a Deribit como plataforma subjacente de derivativos.
Agora, o próximo prazo firme é 28 de agosto para instituições que decidirem não participar. Já os clientes que seguirem com a mudança deverão testar o acesso à Deribit a partir de 31 de agosto, encerrar empréstimos de margem e substituir as conexões de API antes da transição planejada para 9 de setembro.
Em meio a esse processo, o mercado de criptomoedas acompanha a reorganização da infraestrutura global de derivativos da Coinbase em torno da Deribit.