Coinbase amplia estudo sobre riscos quânticos no Bitcoin

A computação quântica voltou ao centro das discussões sobre segurança digital, e o Bitcoin surge como o principal foco das novas iniciativas da Coinbase. A empresa criou um conselho consultivo independente voltado a analisar riscos que essa tecnologia pode trazer para blockchains e padrões de cripto usados atualmente.

A exchange afirma que computadores quânticos de grande escala podem transformar diversos setores. Além disso, eles podem impactar diretamente redes como Bitcoin e Ethereum, que utilizam cripto baseada em curvas elípticas. Essa tecnologia é segura hoje, porém pode tornar-se vulnerável com máquinas mais avançadas no futuro.

Consequências do avanço quântico no ecossistema blockchain

A Coinbase estruturou o Conselho Consultivo Independente sobre Computação Quântica e Blockchain. O grupo reunirá nomes de destaque no meio acadêmico e no setor de cripto para avaliar riscos emergentes e orientar desenvolvedores, empresas e usuários.

O conselho publicará documentos técnicos que explicarão o estado atual da computação quântica e suas consequências para as blockchains. Assim, indivíduos e instituições poderão compreender ameaças de longo prazo e adotar medidas preventivas.

Entre os especialistas estão Scott Aaronson, diretor do Quantum Information Center da Universidade do Texas em Austin; Dan Boneh, professor de cripto em Stanford; Justin Drake, pesquisador da Ethereum Foundation; Sreeram Kannan, fundador da EigenLayer; Yehuda Lindell, chefe de cripto da Coinbase; e Dahlia Malkhi, pesquisadora de sistemas distribuídos e líder do Foundations of Fintech Research Lab da UCSB.

Segundo a Coinbase, reunir especialistas de áreas complementares permitirá transformar discussões teóricas em estratégias práticas de mitigação. No entanto, a empresa reconhece que computadores quânticos capazes de quebrar padrões atuais ainda não existem. Mesmo assim, preparar o setor com antecedência é considerado crucial.

Documentos técnicos e preparação do mercado

O primeiro relatório do conselho será divulgado no início do próximo ano. Ele trará análises iniciais sobre ameaças quânticas e caminhos possíveis para fortalecer a resiliência das redes blockchain.

Além do cenário de segurança, a Coinbase também discute mudanças estruturais no mercado financeiro. O CEO Brian Armstrong reforça que a tokenização pode ampliar o acesso global aos mercados de capitais. Em vários países, a participação em ações e títulos é inferior a 10 por cento, o que amplia a desigualdade em um mundo no qual o capital cresce mais rápido que salários.

Armstrong destaca que o local de nascimento ainda determina quem pode investir com liberdade, e observa que investidores permanecem presos a mercados domésticos. Portanto, a tokenização surge como alternativa para reduzir barreiras e permitir maior exposição global.

Com o avanço do conselho quântico e seus relatórios programados para os próximos meses, a Coinbase busca antecipar desafios tecnológicos e fortalecer o ecossistema. Além disso, a empresa tenta impulsionar a democratização do acesso financeiro em escala internacional por meio da tokenização.