Coinbase cai 7% após prejuízo de US$ 1,36 por ação

As ações da Coinbase recuaram nas negociações após o fechamento depois que a exchange de criptomoedas divulgou prejuízo no segundo trimestre. A receita também caiu na comparação anual. Ainda assim, o balanço mostrou avanços operacionais relevantes, como participação recorde no volume global de negociação e expansão em stablecoins e derivativos.

A companhia informou receita de cerca de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre. O número representa queda de 20% ante os US$ 1,5 bilhão registrados no mesmo período do ano passado. Além disso, a Coinbase reportou prejuízo de US$ 1,36 por ação, revertendo o lucro de US$ 5,14 por ação apurado um ano antes.

No pregão regular, os papéis encerraram o dia a US$ 163,58, com alta de 2,18%. No entanto, a divulgação do balanço mudou o humor do mercado. Em determinados momentos, o preço rondava US$ 152 nas negociações estendidas. Isso representava baixa de aproximadamente 7% em relação ao fechamento regular. Leituras anteriores, contudo, mostraram recuo mais próximo de 5%, sinal de volatilidade enquanto investidores reavaliavam os números.

Gráfico diário da Coinbase mostra COIN perto de US$ 164, com suporte em US$ 152 e força de tendência fraca.

Fonte: TradingView

Balanço mostra queda na receita e avanço operacional

Apesar da piora no resultado líquido, a Coinbase destacou a 14ª sequência trimestral de EBITDA ajustado positivo. A empresa também reduziu sua projeção de despesas ajustadas para o ano cheio. Ainda assim, a combinação de receita menor e volta ao prejuízo pesou mais na leitura inicial do mercado.

Ao mesmo tempo, a presença da empresa no mercado global de criptomoedas continuou avançando. A fatia da Coinbase no volume mundial de negociação subiu para 10,3% no trimestre, acima dos 9,1% do primeiro trimestre. Assim, a plataforma atingiu um recorde nesse indicador.

Esse foi também o terceiro trimestre consecutivo de ganho de participação da exchange dos Estados Unidos. O avanço ocorreu mesmo com o volume total do mercado recuando em ritmo de dois dígitos.

Nos derivativos, a atividade permaneceu próxima do nível recorde observado no trimestre anterior. Além disso, as receitas e os contratos ligados a mercados de previsões cresceram 106% na comparação trimestral. Com isso, essa vertical superou uma taxa anualizada de receita de US$ 100 milhões.

Outro ponto importante foi a redução da dependência das taxas de negociação à vista de Bitcoin. A empresa informou que 88% da receita líquida veio de atividades não ligadas ao mercado à vista de Bitcoin. O dado reflete uma mudança mais ampla para assinaturas, stablecoins, pagamentos e infraestrutura financeira.

Assinaturas, serviços e USDC ganham peso

A receita de assinaturas e serviços atingiu US$ 555 milhões, ante apenas US$ 6 milhões no segundo trimestre de 2020. Dessa forma, esse segmento respondeu por 48% da receita líquida. No quarto trimestre de 2024, a fatia era de 29%.

As stablecoins também apareceram como um dos principais vetores de crescimento. Os saldos médios de USDC mantidos em produtos da Coinbase chegaram ao recorde de US$ 20 bilhões. O valor equivalia a mais de 30% da oferta circulante da stablecoin no fim do trimestre.

A empresa informou ainda que o USDC e stablecoins parceiras responderam por 79% dos mais de US$ 37 trilhões em volume de transações com stablecoins registrados no acumulado do ano. Da mesma forma, o volume de stablecoins na Base, rede Layer 2 da exchange, aumentou sete vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esses números reforçam a estratégia da Coinbase de crescer além das taxas de transação mais ligadas aos ciclos de preço dos ativos digitais. Na prática, isso pode ampliar a participação de receitas recorrentes. Ainda assim, o prejuízo trimestral mostra que as novas frentes de negócio ainda não compensaram totalmente as condições mais fracas do ambiente geral.

COIN testa suporte após reação negativa

Para investidores dos Estados Unidos, o balanço trouxe sinais mistos. A Coinbase segue como uma das principais empresas listadas em bolsa ligadas à indústria doméstica de criptomoedas. Porém, seus resultados continuam sensíveis ao nível de atividade de negociação, aos preços dos ativos digitais e ao ambiente regulatório.

A companhia também apontou ganhos operacionais com o uso de inteligência artificial em engenharia. Com efeito, as alterações de código processadas por engenheiro cresceram 2,2 vezes em base anual. Enquanto isso, a cobertura de testes de integração nos serviços centrais avançou 2,5 vezes em seis meses.

No campo técnico, a reação negativa ao balanço levou COIN abaixo de níveis acompanhados pelo mercado. O fechamento regular em US$ 163,58 ficou ligeiramente acima da média móvel simples de 20 dias, em US$ 162,97. Contudo, o papel permaneceu abaixo da média de 50 dias, em US$ 165,29.

Uma queda até a região de US$ 152 colocaria a ação sobre um suporte imediato no gráfico. Se esse nível não se sustentar, o próximo ponto de atenção passa a ser a mínima do fim de junho, perto de US$ 140.

Médias móveis indicam resistências para a ação

Na direção oposta, a ação precisaria retomar a média de 50 dias antes de tentar a média móvel simples de 100 dias, em torno de US$ 178,43. Já a média de 200 dias, em US$ 213,49, permanece como uma resistência mais ampla no horizonte de longo prazo.

Antes da reação ao balanço, o índice direcional médio estava em 10,11. Uma leitura tão baixa indica força de tendência fraca. Esse cenário combina com a movimentação lateral recente da ação na faixa dos US$ 160.

Por isso, a abertura da lacuna no gráfico após o resultado pode oferecer um sinal direcional mais claro. Para isso, o volume de negociação precisa permanecer elevado na próxima sessão regular.

No trimestre, a Coinbase reportou receita de cerca de US$ 1,2 bilhão, prejuízo de US$ 1,36 por ação, participação recorde de 10,3% no volume global de negociação, US$ 555 milhões em assinaturas e serviços e saldo médio recorde de US$ 20 bilhões em USDC. Nesse sentido, a ação passou a testar a região de suporte em US$ 152, enquanto stablecoins e infraestrutura financeira ganharam mais peso na estratégia da empresa.