Coinbase é alvo de Jamie Dimon no embate do Clarity Act

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, elevou em Washington a pressão contra o Clarity Act e colocou a Coinbase no centro da disputa regulatória. Em entrevista à Fox Business na sexta-feira, o executivo disse que o projeto de estrutura de mercado para criptomoedas ameaça o sistema financeiro dos Estados Unidos. Segundo ele, na forma atual, o texto beneficia empresas do setor que buscam vantagens semelhantes às dos bancos sem cumprir as mesmas exigências regulatórias.

De acordo com Dimon, o projeto abre espaço para que companhias ligadas ao mercado de criptomoedas remunerem clientes por depósitos vinculados a stablecoins. No entanto, elas não ofereceriam o mesmo nível de proteção exigido das instituições bancárias tradicionais. Assim, na avaliação do banqueiro, a proposta cria lacunas relevantes de supervisão, segurança jurídica e responsabilidade financeira.

Pressão aumenta sobre regras para stablecoins

O ponto central da crítica de Dimon é direto. Se uma plataforma de criptomoedas funciona de forma semelhante a um banco, então ela deveria seguir regras bancárias. Nesse sentido, ele citou exigências de combate à lavagem de dinheiro, obrigações do Bank Secrecy Act e cobertura da Federal Deposit Insurance Corporation. Além disso, mencionou requisitos de capital, liquidez e supervisão financeira integral.

Para o CEO do JPMorgan Chase, o Clarity Act permitiria que empresas do setor escapassem justamente desse conjunto de obrigações. Ao mesmo tempo, a discussão sobre recompensas pagas em stablecoins virou um dos pontos mais sensíveis em Washington.

Bancos argumentam que autorizar exchanges e plataformas cripto a remunerar usuários por manterem stablecoins pode acelerar a migração de depósitos para fora das instituições tradicionais. Como resultado, esse movimento pressionaria um modelo de negócios que sustenta a atividade bancária nos Estados Unidos há décadas.

Por outro lado, defensores do mercado cripto sustentam que esses incentivos representam uma evolução natural da infraestrutura de pagamentos. Ainda assim, com a análise formal do projeto se aproximando, o impasse ganhou contornos mais agressivos. Até agora, não há sinal claro de recuo entre os lados envolvidos.

Dimon vê risco em transferências internacionais

Dimon também destacou preocupações com o uso de stablecoins em transferências internacionais. Segundo ele, uma primeira transação pode ser legítima. Contudo, as etapas seguintes podem envolver agentes ilícitos, inclusive redes criminosas.

Na avaliação do executivo, quando os recursos chegam a uma carteira digital no exterior, eles podem seguir para uma terceira ou quarta carteira. Dessa forma, a visibilidade diminui e a responsabilização fica menos clara.

Dimon argumenta que o risco de prevenção à lavagem de dinheiro continua sem solução adequada. Ademais, ele sustenta que a ausência de um arcabouço bancário completo amplia a dificuldade de fiscalização. Para ele, esse ponto reforça a necessidade de regras mais duras para empresas que operam produtos parecidos com depósitos, ainda que usem ativos digitais.

Brian Armstrong entra no centro da disputa

As declarações mais duras de Jamie Dimon miraram Brian Armstrong, CEO da Coinbase. Na entrevista, Dimon afirmou que Armstrong estaria gastando centenas de milhões de dólares em Washington para impulsionar a aprovação da legislação. Além disso, disse que ninguém se curvaria ao executivo e usou uma expressão ofensiva ao atacá-lo pessoalmente.

Não foi a primeira vez que o CEO do JPMorgan Chase adotou esse tom. Anteriormente, Dimon já havia feito comentários semelhantes sobre Armstrong no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no início deste ano. Assim, a tensão entre os dois lados deixou de ser apenas uma divergência técnica sobre regulação. Agora, ela reflete também um confronto político e institucional mais amplo.

O JPMorgan Chase não atua sozinho nessa ofensiva. A American Bankers Association, bancos comunitários e cooperativas de crédito também se alinham contra a forma atual do projeto. Portanto, a pressão sobre o Clarity Act não parte apenas de um grande banco, mas de um grupo mais amplo de instituições financeiras tradicionais.

Confronto em Washington deve prosseguir

Dimon deixou claro que não vê espaço para acomodação neste momento. Segundo ele, trata-se de uma disputa direta, e não de uma negociação. Em resumo, sua mensagem foi simples: o setor bancário vai lutar contra o projeto. Se perder, perderá depois de enfrentá-lo abertamente.

Desse modo, o debate sobre stablecoins, exigências regulatórias e o papel da Coinbase em Washington tende a seguir no centro da agenda. As críticas de Dimon ao Clarity Act, às brechas regulatórias apontadas por ele e à atuação de Brian Armstrong ampliaram a pressão sobre um tema que já divide bancos, reguladores e empresas do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos.