Coinbase encerra suporte ao USDC na Argentina

A Coinbase informou aos usuários argentinos que encerrará a negociação entre pesos argentinos e USDC em 31 de janeiro de 2026. A medida ocorre menos de um ano após a estreia oficial da plataforma no país e marca uma mudança relevante em seu posicionamento regional. No entanto, todas as operações exclusivamente entre criptoativos continuarão ativas.

A empresa comunicou que os clientes têm 30 dias para converter e sacar seus pesos antes da suspensão. Em nota enviada por e-mail, a exchange mencionou que revisa regularmente seu portfólio para aprimorar a experiência global de usuários. Após o prazo, não será possível comprar ou vender USDC com pesos argentinos, embora funções como envio, recebimento, compra e venda de outras criptos sigam disponíveis.

Coinbase anunciou que, a partir de janeiro de 2026, a plataforma deixará de oferecer a opção de conversão de ARS USDC para USDC na Argentina.

Imagem

Criptolawyer @criptolawyer no X

Contexto da retirada do suporte ao peso argentino

A operação argentina da Coinbase começou em janeiro de 2025 após autorização da Comissão Nacional de Valores. A empresa atuou como Provedora de Serviços de Ativos Virtuais e destacou a relevância da conformidade regulatória desde o início. O mercado local gerava expectativas, pois a adoção de cripto ganhava força em meio à inflação elevada e à constante desvalorização cambial.

Além disso, um estudo divulgado pela exchange indicava que 87% da população via as criptos como um caminho para maior independência financeira. Outros 79% afirmavam que aceitariam receber salários em ativos digitais, reforçando o ambiente favorável à expansão do setor no país.

No mesmo período, a Argentina ampliava seu arcabouço regulatório. O governo autorizou investimentos em ETFs de Bitcoin e Ethereum via programa CEDEAR, encerrando uma restrição que durava seis anos.

Cenário político turbulento e impacto no mercado

A decisão da Coinbase também veio após forte instabilidade política. Em fevereiro de 2025, o país enfrentou o escândalo da Libra, uma memecoin promovida publicamente pelo presidente Javier Milei. O token disparou e depois perdeu mais de 96% de valor, causando prejuízos estimados entre US$ 100 milhões e US$ 251 milhões.

A Justiça bloqueou mais de US$ 507 mil ligados ao caso enquanto as investigações avançavam. O episódio resultou em desgaste político, mesmo com o partido de Milei vencendo as eleições legislativas de meio de mandato.

Mudanças possíveis no ambiente regulatório

A suspensão do serviço envolvendo USDC surge enquanto o Banco Central avalia permitir que bancos tradicionais ofereçam negociação e custódia de criptoativos. Segundo exchanges locais, a decisão pode ser tomada em abril de 2026.

Além disso, a Coinbase tem fortalecido sua presença global. A empresa apresentou planos de desenvolver uma plataforma unificada para negociação global de cripto, ações, commodities e mercados de previsão, em parceria com a Kalshi. A iniciativa foi mencionada quando o CEO Brian Armstrong detalhou a estratégia em entrevista que integrou novas frentes de atuação.

No entanto, a suspensão gerou críticas da comunidade. Muitos usuários afirmam que o fim do suporte ao peso limita o acesso dos argentinos à economia digital. Ainda assim, a continuidade do trading entre criptos indica que a empresa vê potencial no mercado, mesmo com as mudanças na regulação.

No curto prazo, a medida obriga usuários locais a reorganizarem operações envolvendo USDC antes da data final. A Coinbase, por sua vez, mantém foco no desenvolvimento de serviços cripto enquanto acompanha as discussões que podem redesenhar o setor financeiro argentino.