Coinbase registra prejuízo de US$ 394 mi e ação cai 5%
As ações da Coinbase recuaram cerca de 5% no after hours desta quinta-feira, após a divulgação de resultados abaixo das expectativas para o primeiro trimestre de 2026. O desempenho refletiu, sobretudo, a desaceleração nas negociações no mercado de criptomoedas, que atravessa um período de menor atividade e volatilidade reduzida.
A empresa registrou receita total de US$ 1,4 bilhão no trimestre, sendo US$ 756 milhões provenientes de taxas de transações. Ainda assim, reportou prejuízo líquido de US$ 394 milhões, revertendo o lucro de US$ 65,6 milhões no mesmo período de 2025. Analistas projetavam cerca de US$ 1,49 bilhão em receita, o que ampliou a frustração do mercado.
Na comparação anual, a receita caiu de US$ 2,03 bilhões para US$ 1,4 bilhão. Esse movimento evidencia a forte correlação entre o desempenho da Coinbase e a atividade do setor, sensível às condições macroeconômicas e ao apetite por risco.
Queda no volume pressiona receitas
Segundo a companhia, tanto o volume total quanto o volume à vista recuaram mais de 20% na comparação trimestral. A menor volatilidade reduziu o interesse por operações de curto prazo, especialmente em ativos de menor capitalização.
Como resultado, a receita com transações caiu 23% frente ao trimestre anterior. Ainda assim, a Coinbase afirmou que seu desempenho superou, em termos relativos, a retração observada no mercado, preservando participação mesmo em um ambiente adverso.
Esse cenário reforça a dependência estrutural da empresa em relação ao volume de negociações. Por outro lado, a companhia segue avançando na diversificação de receitas, com foco em fontes mais previsíveis.
Serviços e stablecoins ganham espaço
A receita com assinaturas e serviços atingiu US$ 584 milhões, equivalente a 44% da receita total. Com isso, o segmento passa a ter peso crescente no modelo de negócios.
Entre os destaques, as stablecoins geraram US$ 305 milhões. O resultado foi impulsionado pela expansão da USDC e pelo volume médio recorde de US$ 19 bilhões mantidos em produtos da plataforma.
Assim, a Coinbase avança na estratégia de reduzir a dependência do trading, ao passo que amplia receitas recorrentes, aumentando a resiliência em ciclos de baixa volatilidade.
Derivativos e novos mercados aceleram
Além disso, novas linhas de negócio apresentaram crescimento relevante. A receita anualizada de derivativos para o varejo superou US$ 200 milhões. Já os mercados de previsões ultrapassaram US$ 100 milhões anualizados em março, após apenas dois meses completos de operação.
Esses dados indicam expansão além das atividades tradicionais de compra e venda de criptomoedas. Com efeito, a empresa busca capturar oportunidades em diferentes segmentos do ecossistema financeiro digital.
Mesmo com prejuízo líquido, a Coinbase registrou EBITDA ajustado de US$ 303 milhões, marcando o 13º trimestre consecutivo de resultado positivo nesse indicador. A empresa encerrou o período com US$ 10,2 bilhões em caixa e equivalentes, além de US$ 12 bilhões em recursos disponíveis, incluindo US$ 1,8 bilhão em criptomoedas e investimentos negociáveis.
Perspectivas para o segundo trimestre
Para o segundo trimestre de 2026, a Coinbase acumulava aproximadamente US$ 215 milhões em receita de transações até 5 de maio. A projeção para assinaturas e serviços varia entre US$ 565 milhões e US$ 645 milhões.
Por outro lado, a empresa prevê uma despesa única de reestruturação entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões. O custo está ligado a iniciativas de eficiência operacional, incluindo a adoção de soluções baseadas em inteligência artificial.
O relatório financeiro também destaca que o cenário atual reflete menor atividade no mercado. Ainda assim, a companhia mantém crescimento em áreas estratégicas, como stablecoins, derivativos e mercados de previsões.
Em conclusão, a Coinbase enfrenta pressão no curto prazo devido à queda nos volumes de negociação. No entanto, a diversificação de receitas e a sólida posição de caixa indicam uma tentativa clara de sustentar crescimento em diferentes ciclos de mercado.