Coinbase sobe 9% com tese de Everything Exchange

As ações da Coinbase Global, Inc. avançaram 9,12% na última semana, apesar da forte volatilidade do mercado. Na sexta-feira, os papéis COIN abriram a US$ 165,48. Ainda assim, o preço segue bem abaixo da máxima de 52 semanas, de US$ 444,64. Ao mesmo tempo, permanece acima da mínima recente de US$ 139,18. A companhia soma valor de mercado de US$ 43,60 bilhões e beta de 3,35, indicador que reforça a intensidade das oscilações do ativo.

O desempenho ocorreu em um momento delicado. Ao longo da semana, o Bitcoin caiu com força abaixo de US$ 60.000. Além disso, a rede Base, solução proprietária de segunda camada da Coinbase, sofreu uma interrupção temporária. Mesmo assim, o foco dos investidores migrou para os planos estratégicos da empresa, que busca ampliar sua presença em diferentes segmentos do mercado cripto e financeiro.

Estratégia mira negociação ampla de ativos

Em 1º de julho, a Coinbase divulgou sua atualização mensal de produtos e detalhou a visão chamada de “todo ativo, todo mercado, uma plataforma”. O plano inclui ações tokenizadas, contratos perpétuos pré-IPO, derivativos de ações, opções de criptomoedas por meio de parceria com a Deribit, ofertas de stablecoin, ferramentas de inteligência artificial e infraestrutura para pagamentos internacionais.

Entre os lançamentos, os contratos perpétuos pré-IPO ganharam destaque. Depois de iniciar a oferta com a SpaceX, a Coinbase ampliou a disponibilidade para incluir OpenAI e Anthropic. Dessa forma, a corretora passou a atuar na interseção entre o entusiasmo com inteligência artificial e a demanda por exposição regulada a ativos digitais.

Em publicação no X em 3 de julho, o CEO Brian Armstrong afirmou:

A Coinbase é uma das empresas mais habilitadas por inteligência artificial do mundo, com base em todo o feedback que ouço. Estamos na era do super construtor.

@brian_armstrong no X

Inteligência artificial amplia o ecossistema

A estratégia com inteligência artificial vai além dos contratos perpétuos. A plataforma Coinbase Advisor, registrada junto à U.S. Securities and Exchange Commission, passou a oferecer avaliação de portfólio e colheita automatizada de prejuízos fiscais. No entanto, o recurso segue disponível apenas para assinantes do Coinbase One.

Além disso, o ecossistema da empresa passou a suportar agentes autônomos capazes de executar transações, administrar carteiras e enviar pagamentos em USDC por meio do protocolo x402. Em conjunto com o Base MCP, framework padronizado de integração para aplicações em blockchain, a Coinbase tenta se posicionar não apenas como ambiente de negociação, mas também como infraestrutura para serviços financeiros movidos por inteligência artificial.

O mercado institucional acompanhou esse reposicionamento. A Cantor Fitzgerald manteve recomendação Overweight e destacou a tese da “Everything Exchange”. Do mesmo modo, o HSBC ampliou sua participação em mais de 10%, sinalizando apoio crescente de investidores institucionais à nova direção estratégica da companhia.

Resultados financeiros ainda limitam o potencial

Apesar do avanço estratégico, os números financeiros mais recentes continuam pressionando a avaliação da Coinbase. No último período reportado, a empresa registrou prejuízo de US$ 1,49 por ação. O resultado ficou US$ 1,55 abaixo da projeção consensual, que apontava lucro de US$ 0,06 por ação. Em outras palavras, a expansão da narrativa ainda não eliminou as preocupações com a execução operacional.

A receita somou US$ 1,41 bilhão, também abaixo da expectativa de US$ 1,49 bilhão. Na comparação anual, isso representou queda de 30,5%. Portanto, embora a nova estratégia tenha ajudado o papel no curto prazo, o desempenho operacional ainda enfrenta obstáculos relevantes.

Outro ponto monitorado envolve o movimento de insiders. Nos últimos 90 dias, executivos e membros ligados à companhia venderam 30.647 ações. As operações totalizaram US$ 5,74 milhões. Por outro lado, não houve compras internas no mesmo período. Em 1º de junho, o diretor Frederick Wilson reduziu sua participação em 25%.

Entre investidores institucionais, também houve reposicionamentos importantes. A Y Intercept Hong Kong ampliou sua posição em COIN em 36,7% no primeiro trimestre. Enquanto isso, outras instituições abriram participações no quarto trimestre. Atualmente, fundos e investidores institucionais detêm 68,84% das ações em circulação. Como resultado, essa concentração pode acelerar os movimentos de preço, tanto na alta quanto na queda.

Wall Street mantém cautela com COIN

O consenso de Wall Street para as ações da Coinbase permanece em Hold, com preço-alvo médio de US$ 250,65. Entre as casas de análise, a Sanford C. Bernstein mantém classificação Outperform, com projeção de US$ 330. Já a Compass Point segue com recomendação Sell, enquanto a BTIG adota classificação Buy, com alvo de US$ 280.

No total, dezoito analistas recomendam compra dos papéis. Para o ano fiscal completo, a expectativa do mercado aponta lucro por ação de US$ 1,74. Ainda assim, a ação continua sensível ao comportamento do Bitcoin, à estabilidade da Base e à capacidade da empresa de transformar sua estratégia de “todo ativo, todo mercado, uma plataforma” em crescimento financeiro consistente.

Desse modo, a alta semanal de 9,12% ocorreu em meio à queda do Bitcoin, à interrupção temporária da Base e a um cenário de receitas em retração. Ainda assim, o movimento ganhou força com a expansão dos contratos perpétuos pré-IPO para OpenAI e Anthropic, a tese de plataforma total e a mensagem de Brian Armstrong sobre o uso intensivo de inteligência artificial dentro da Coinbase.