CoinDCX critica regras do RBI para transferências na Índia
As propostas recentes do Reserve Bank of India (RBI) para reforçar a segurança em pagamentos digitais provocaram reação no setor de criptomoedas. Nesse sentido, o CEO da CoinDCX, Sumit Gupta, afirmou que, embora as medidas enfrentem riscos reais de fraude, elas podem dificultar transferências legítimas, especialmente aquelas ligadas a plataformas do mercado cripto.
A discussão ganhou força após a publicação do documento oficial do RBI em 9 de abril. Conforme a proposta, o banco central pretende implementar mudanças estruturais no processamento de transações digitais. Poucos dias depois, Gupta comentou, em uma publicação no X, os impactos potenciais, logo após a CoinDCX anunciar um investimento de ₹100 crore na Digital Suraksha Network, iniciativa privada voltada ao combate a fraudes cibernéticas.
Medidas do RBI levantam alertas no setor cripto
Entre as principais propostas está a criação de um atraso de uma hora para transferências digitais acima de ₹10.000. A princípio, a medida busca criar um intervalo de segurança para interromper transações suspeitas antes que os valores cheguem a golpistas. Ainda assim, Gupta avalia que o limite pode ser considerado baixo para a realidade indiana.
Segundo ele, ₹10.000 é um valor comum em pagamentos cotidianos, como aluguel e compras. Portanto, a regra tende a se tornar excessivamente restritiva. Além disso, atrasos generalizados podem prejudicar operações legítimas entre contas bancárias e exchanges registradas, incluindo movimentações com criptomoedas.
Propostas alternativas da CoinDCX
Como alternativa, Gupta sugeriu elevar o limite para ₹25.000. Ao mesmo tempo, propôs aplicar o atraso apenas em transferências realizadas pela primeira vez para novos destinatários. Dessa forma, após a aprovação de um beneficiário em lista segura, as transações poderiam ocorrer instantaneamente.
Segundo o executivo, esse modelo preserva a eficiência do sistema de pagamentos e, além disso, adiciona proteção nos pontos mais vulneráveis, sobretudo contra fraudes direcionadas a novos contatos. Em contrapartida, regras amplas tendem a gerar fricção desnecessária para usuários legítimos.
Outro ponto relevante envolve o risco de migração de usuários para plataformas internacionais. Nesse cenário, ambientes fora do alcance regulatório indiano podem se tornar mais atrativos. Assim, Gupta alerta que restrições excessivas podem enfraquecer o ecossistema local.
Limites, inclusão e tecnologia no centro do debate
Outra proposta do RBI prevê a exigência de aprovação por uma pessoa de confiança para transações acima de ₹50.000 realizadas por idosos e pessoas com deficiência. Embora Gupta reconheça a intenção positiva, ele ressalta que a eficácia dependerá da implementação prática.
Além disso, o banco central sugeriu limitar o total anual de créditos em contas individuais e de pequenas empresas a ₹25 lakh. Valores acima desse teto seriam classificados como “créditos sombra” até a conclusão de verificações adicionais. Contudo, Gupta avalia que limites amplos não resolvem o problema de forma eficiente.
Compartilhamento de dados como alternativa
Para o CEO da CoinDCX, soluções baseadas em tecnologia tendem a ser mais eficazes. Nesse sentido, ele defende sistemas inteligentes de detecção de fraudes aliados a processos robustos de verificação de usuários. Ademais, destacou a importância do compartilhamento de dados entre instituições financeiras.
Um dos pilares da Digital Suraksha Network envolve uma API aberta de inteligência contra fraudes. Com efeito, essa estrutura permite a troca de informações em tempo real entre bancos, fintechs e plataformas digitais. Segundo Gupta, essa abordagem coordenada identifica comportamentos suspeitos sem bloquear recursos legítimos.
Entre as propostas analisadas, a criação de um “kill switch” controlado pelo usuário recebeu maior apoio. Essa ferramenta permite desativar instantaneamente todos os canais de pagamento digital de uma conta e, posteriormente, reativá-los após nova verificação completa.
Gupta classificou a funcionalidade como simples e eficaz. Além disso, sugeriu que novas contas bancárias poderiam ter pagamentos digitais desativados por padrão. Nesse caso, a ativação ocorreria apenas mediante solicitação do cliente, o que aumentaria a segurança desde o início.
O executivo comparou o conceito ao sistema biométrico do aplicativo mAadhaar. Nesse modelo, a autenticação permanece desativada até liberação temporária pelo usuário. De maneira semelhante, aplicar esse mecanismo aos pagamentos digitais pode reforçar a proteção contra fraudes.
Em conclusão, Gupta reiterou que o combate a fraudes exige equilíbrio entre segurança e usabilidade. Medidas amplas, como atrasos generalizados e limites rígidos, podem impactar usuários legítimos. Por outro lado, soluções tecnológicas e cooperação institucional tendem a oferecer respostas mais precisas. As propostas seguem sob análise do Reserve Bank of India, enquanto o setor acompanha possíveis ajustes.