CoinGecko: Bitcoin cai 14,2% e cripto perde US$ 305 bi

O mercado de criptomoedas encolheu 12,6% no segundo trimestre de 2026 e perdeu US$ 304,8 bilhões em valor, em um período de pressão sobre Bitcoin, Ethereum e outros segmentos do setor, segundo a CoinGecko.

O levantamento da CoinGecko apontou queda de 12,6% na capitalização total do setor entre abril e junho. Assim, o mercado perdeu US$ 304,8 bilhões e encerrou o período em US$ 2,1 trilhões, o menor nível desde setembro de 2024.

Além disso, esse patamar deixou o mercado de criptomoedas cerca de 52% abaixo do pico registrado em outubro de 2025. Segundo a CoinGecko, junho concentrou a fase mais intensa da correção. O período combinou uma postura mais rígida do Federal Reserve, mudanças nas tensões entre Estados Unidos e Irã e uma venda simbólica de Bitcoin pela Strategy.

Bitcoin e Ethereum lideram perdas no trimestre

O trimestre começou com relativa estabilidade em abril. No entanto, o sentimento dos investidores piorou nas semanas seguintes. Como resultado, os dois maiores ativos do setor fecharam o período no vermelho.

O Bitcoin caiu 14,2% no trimestre, enquanto o Ethereum recuou 25,4%. Além disso, as duas principais criptomoedas ficaram abaixo das ações dos Estados Unidos, que recuperaram parte das perdas no mesmo intervalo.

Segundo a CoinGecko, esse movimento reforça um descolamento entre ativos digitais e mercados tradicionais de risco. Ao mesmo tempo, o volume médio diário negociado também perdeu força. A média caiu para US$ 93,1 bilhões, uma retração de 20,9% ante o trimestre anterior.

Stablecoins recuam com retirada de recursos

As stablecoins acompanharam a correção mais ampla pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2023. Dessa forma, a capitalização total do segmento caiu 1,6%, para US$ 305,1 bilhões.

A maior perda ficou com a USDC, da Circle, que encolheu US$ 3,7 bilhões e terminou o trimestre em US$ 73,5 bilhões. Já a USDT, da Tether, permaneceu praticamente estável, em torno de US$ 184,4 bilhões. Assim, sua participação de mercado subiu para 60%.

Além disso, outros ativos do segmento também recuaram. A USDS, da Sky, caiu 16,4%, enquanto a USDe, da Ethena, perdeu 24,4%. Segundo o relatório, os rendimentos dessas stablecoins ficaram abaixo da taxa livre de risco. Por isso, participantes retiraram recursos de staking.

Fonte: CoinGecko no X.

Mercados de previsões avançam apesar da fraqueza

Nem todos os segmentos da indústria recuaram no segundo trimestre. Pelo contrário, os mercados de previsões registraram forte expansão. O volume nocional subiu 48,7% na comparação trimestral, para US$ 113,8 bilhões.

Além disso, junho respondeu sozinho por US$ 52,8 bilhões, um novo recorde histórico. Segundo a CoinGecko, o avanço refletiu um calendário esportivo intenso, com a final da Champions League, a Stanley Cup, as Finais da NBA, a Copa do Mundo FIFA e Wimbledon.

Nesse cenário, a Kalshi ampliou sua fatia de mercado de 42,4% para 58,9%. Em contrapartida, a participação da Polymarket caiu de 35,8% para 30,2%. Ademais, a Rothera, joint venture entre Robinhood e Susquehanna, foi lançada em maio e alcançou a quarta posição em apenas um mês. Em junho, a plataforma movimentou US$ 2,1 bilhões em volume nocional.

Colecionáveis tokenizados e HYPE ganham espaço

Os colecionáveis tokenizados também cresceram no trimestre. A Collector Crypt ultrapassou a Courtyard e assumiu a liderança da categoria. Seu volume mensal disparou 317% entre janeiro e junho de 2026, chegando a US$ 406 milhões e a uma participação de 62,8% nesse nicho.

Enquanto isso, as exchanges centralizadas sentiram com mais intensidade a fraqueza do mercado à vista. O volume spot somado das 10 maiores plataformas caiu 27,9% no trimestre, para US$ 1,95 trilhão. Maio marcou uma nova mínima mensal, com US$ 619 bilhões, antes de uma recuperação moderada para US$ 695 bilhões em junho.

A Binance manteve a liderança, com 38,7% de participação. A Bybit ficou na segunda colocação, com 10,0%, e superou a MEXC. Já a MEXC viu seu volume cair para menos da metade e saiu da segunda para a sétima posição no ranking.

Futuros caem menos e Hyperliquid leva HYPE ao top 10

No mercado de contratos futuros perpétuos, a queda foi mais contida do que no spot. O volume das 10 principais plataformas recuou 10,0%, para US$ 12,7 trilhões, ante US$ 14,1 trilhões no primeiro trimestre. Ainda assim, segundo a CoinGecko, o volume mensal permaneceu acima de US$ 4 trilhões durante todo o período.

Mesmo em meio à fraqueza generalizada, o token HYPE, da Hyperliquid, entrou no grupo dos 10 maiores ativos por valor de mercado. O movimento ocorreu em meio ao lançamento de novos ETFs, ao crescimento da atividade em mercados de previsões e a uma parceria com a Coinbase.

Em suma, os dados do segundo trimestre mostram um mercado cripto em retração. O setor encerrou junho com capitalização total de US$ 2,1 trilhões, queda trimestral de 12,6%, recuo de 14,2% para o Bitcoin, baixa de 25,4% para o Ethereum e perda de ritmo tanto no mercado spot quanto no segmento de stablecoins.