Coingecko: menos de 10% dos tokens resistem 1 ano

Ser listado em uma grande exchange de criptomoedas sempre foi visto como um marco relevante. No entanto, dados da Coingecko indicam um cenário mais desafiador para tokens recém-lançados. Apenas cerca de 32% desses ativos registram valorização logo após a estreia.

Em outras palavras, a maioria não entrega ganhos imediatos. Ainda que a listagem aumente a visibilidade, isso não garante valorização consistente nem sustentabilidade ao longo do tempo.

Desempenho inicial varia entre exchanges

Entre as principais plataformas, a sul-coreana Upbit se destaca no curto prazo. Aproximadamente 67% dos tokens listados permanecem em alta após 30 dias. Ainda assim, a exchange costuma listar menos ativos que concorrentes globais.

Por outro lado, Binance e OKX apresentam desempenho intermediário. Cerca de metade dos tokens nessas plataformas registra valorização no mesmo período. No entanto, esse resultado tende a perder força rapidamente.

Conforme o levantamento, entre 30 e 60 dias após a listagem, apenas 25% dos ativos seguem lucrativos. Assim, o enfraquecimento ocorre em um intervalo curto, o que eleva o risco mesmo para investidores de curto prazo.

Desempenho de tokens após listagem

Fonte: Coingecko

Queda se intensifica ao longo do tempo

Com o passar dos meses, o cenário se deteriora. Ao final de um ano, menos de 10% dos tokens permanecem acima do preço de listagem, segundo o estudo. Dessa forma, a maioria acumula perdas relevantes.

Mesmo a Upbit, que lidera no início, segue a mesma tendência ao longo do tempo. Os dados indicam que, após cerca de 300 dias, praticamente todos os tokens listados entram em território negativo, reforçando a dificuldade de sustentação.

Esse padrão, aliás, se repete em diferentes exchanges analisadas. Assim, a valorização de longo prazo aparece como exceção no mercado de novos ativos digitais.

Recuperações pontuais não mudam tendência

Apesar do cenário predominantemente negativo, alguns casos isolados mostram recuperação. Na Coinbase, por exemplo, certos tokens apresentam leve avanço após meses de queda, geralmente por volta do sexto mês.

Analistas descrevem esse movimento como um “segundo fôlego”. Ainda assim, trata-se de exceção. A maioria dos ativos não consegue recuperar valor de forma consistente.

Mercado cresce mesmo com baixa performance

Curiosamente, o desempenho fraco dos tokens não impede a expansão do mercado. O valor total de ativos nas principais exchanges saltou de US$ 152 bilhões em 2024 para US$ 225 bilhões em 2026, indicando crescimento próximo de 70%.

Além disso, a Binance lidera essa evolução e ampliou significativamente suas reservas no período. Ao mesmo tempo, a Coinbase se destaca por deter mais de 800 mil BTC, mantendo uma das maiores reservas de Bitcoin entre exchanges centralizadas.

No entanto, mudanças estruturais também aparecem. A Coinbase registrou saídas relevantes de Bitcoin e Ethereum, enquanto exchanges como Bitget e MEXC aumentaram suas reservas.

Perfil dos traders influencia dinâmica

Outro fator relevante envolve o comportamento dos usuários. Exchanges reguladas, como Coinbase e Binance, apresentam menor volume de negociação em relação às reservas. Isso ocorre porque investidores institucionais utilizam essas plataformas principalmente para custódia.

Em contrapartida, plataformas como MEXC, HTX e KuCoin registram maior atividade. Nessas exchanges, a velocidade de circulação dos ativos varia entre 1,44 e 2,04, o que indica volumes negociados superiores às reservas disponíveis.

Baixa sobrevivência reforça cautela

Em suma, os dados apontam um mercado em expansão, mas com desafios claros. A maioria dos tokens não sustenta valorização após a listagem. Como resultado, apenas uma parcela reduzida permanece acima do preço inicial após um ano.

Assim, o histórico recente sugere cautela. Embora o setor continue atraindo capital, a consistência de longo prazo entre novos tokens segue limitada.