CoinShares: Bitcoin dificilmente rompe US$ 80 mil

O Bitcoin operava em recuperação e subia 1,56% nas últimas 24 horas, a US$ 63.921,09 no recorte analisado. Ainda assim, um relatório recente da CoinShares indicou que a macroeconomia impulsionou esse movimento, e não fatores internos do mercado de criptomoedas.

O sentimento mudou, e a macroeconomia é a razão para isso.

No primeiro semestre de 2026, preocupações com inflação, juros elevados, tensões geopolíticas e desaceleração do crescimento econômico afetaram o apetite por risco. Nesse ambiente, investidores retiraram cerca de US$ 8 bilhões de produtos de investimento em criptomoedas ao longo de oito semanas.

Além disso, a CoinShares classificou esse período como o maior e mais longo ciclo de saídas já registrado.

Macroeconomia sustenta a reação do Bitcoin

Esse quadro, porém, começou a mudar. A CoinShares afirmou que a tendência de entradas voltou a ganhar força, enquanto o mercado caminhava para registrar duas semanas consecutivas de influxos.

Assim, a virada de sentimento não partiu de métricas específicas do Bitcoin. O principal gatilho veio de dados de inflação dos Estados Unidos abaixo do esperado.

Na prática, a leitura mais fraca da inflação elevou a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma política monetária menos restritiva. Em 14 de julho, o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA, o CPI, marcou variação de -0,4%, abaixo da expectativa de -0,2%.

Como resultado, o dado ajudou a desencadear uma alta moderada do Bitcoin. Também levou cerca de US$ 250 milhões a produtos ligados ao ativo.

Em seguida, a leitura ganhou força com o Índice de Preços ao Produtor dos EUA, o PPI. O indicador recuou inesperadamente -0,3%, enquanto a projeção apontava estabilidade em 0,0%.

Dessa forma, os mercados passaram a considerar menos altas de juros ou até cortes. Afinal, a pressão sobre o Federal Reserve para manter taxas elevadas diminuiu diante de uma inflação mais fraca.

Ao mesmo tempo, esse aumento da disposição ao risco levou centenas de milhões de dólares para produtos de investimento em Bitcoin.

Entradas em ETFs de Bitcoin
Fonte: SoSo Value

Fluxo volta, mas cenário segue sensível aos juros

Apesar da melhora recente, a CoinShares afirmou que o Bitcoin provavelmente já encontrou um fundo de curto prazo. No entanto, a gestora avalia que uma corrida de alta mais robusta dificilmente ocorrerá sem uma mudança relevante na postura do Federal Reserve.

Uma economia ligeiramente mais fraca pode dar novo impulso ao Bitcoin à medida que vemos uma reprecificação das expectativas para os juros.

Por outro lado, a gestora não projetou uma valorização sustentada sem um gatilho monetário mais claro. A expectativa central aponta para um mercado lateralizado até surgirem sinais mais fortes de afrouxamento monetário.

Nesse cenário, a faixa de referência citada no relatório vai de US$ 60.000 a US$ 120.000. Ainda assim, a CoinShares destacou que o nível de US$ 80.000 deve continuar difícil de superar sem mudança nas expectativas sobre juros.

Esperamos um mercado lateralizado, com um rompimento acima de US$ 80.000 sendo improvável na ausência de uma mudança relevante nas expectativas de política monetária.

O que dificulta um rompimento acima de US$ 80 mil

Além da dependência da política monetária, o sentimento dos investidores continua cauteloso. Nesse sentido, o interesse crescente em ações ligadas a blockchain reforça a ideia de que parte do mercado ainda busca exposição ao setor de forma menos direta do que pela compra de Bitcoin.

Esse comportamento defensivo também apareceu no Índice de Medo e Ganância, que estava na zona de medo extremo. Assim, mesmo com a recuperação recente, o mercado cripto ainda não demonstrava convicção suficiente para sustentar uma alta mais agressiva.

Índice de Medo e Ganância em 25 pontos
Fonte: Alternative

CoinShares vê fundo no curto prazo, mas sem gatilho de alta

Em suma, a CoinShares atribui a melhora recente do Bitcoin ao alívio da inflação nos Estados Unidos e à revisão das apostas sobre juros. O relatório também sustenta que o ativo pode já ter formado um fundo no curto prazo.

Contudo, um rompimento acima de US$ 80 mil segue improvável sem uma mudança mais clara na política monetária dos Estados Unidos. Enquanto o Federal Reserve não sinalizar afrouxamento mais evidente, o Bitcoin tende a seguir lateralizado, mesmo com novas entradas em produtos de investimento.