CoinShares: Bitcoin pode ter piso, mas alta é limitada
O Bitcoin pode ter formado um piso de preço, mas uma nova arrancada ainda não parece próxima. A gestora europeia CoinShares vê melhora no sentimento dos investidores. Entretanto, o ambiente macroeconômico ainda limita o potencial de valorização do mercado.
Em relatório divulgado na sexta-feira, James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares, apontou retomada nos aportes em produtos negociados em bolsa com exposição a ativos digitais. Ainda assim, a gestora avalia que o cenário segue frágil, sobretudo porque fatores macroeconômicos continuam pressionando ativos de risco.
Segundo a CoinShares, a leitura atual indica que o Bitcoin provavelmente já atingiu, ou está muito perto de atingir, seu fundo de mercado. No entanto, a mesma análise afirma que não há, neste momento, potencial relevante de alta a partir dos níveis atuais.
Suporte aparece, mas macro limita o Bitcoin
O principal fator de cautela vem do ambiente macroeconômico. A CoinShares citou eventos como o bombardeio dos Estados Unidos contra o Irã e a alta dos preços do petróleo. Caso esse movimento reacenda pressões inflacionárias, a expectativa por juros mais baixos nos Estados Unidos tende a perder força.
Como resultado, ativos de maior risco, incluindo o Bitcoin e o mercado de criptomoedas, podem continuar sob pressão. Historicamente, a maior criptomoeda reage melhor quando a inflação desacelera. Afinal, esse quadro reforça a percepção de que o Federal Reserve poderá cortar juros.
Ainda assim, Butterfill avalia que esse corte não parece provável no estágio atual. Portanto, a chance de uma recuperação mais consistente no curto prazo continua reduzida. No início desta semana, o Bitcoin marcou máxima de sete dias em US$ 65.501, impulsionado por dados de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado. Depois disso, devolveu os ganhos e passou a ser negociado recentemente a US$ 64.010.
Fluxos viram após saídas históricas
Os dados da CoinShares mostraram que investidores retiraram US$ 8 bilhões de fundos com exposição a criptomoedas. Segundo a gestora, essa foi a pior sequência já registrada para esse tipo de produto. Dessa forma, o movimento ajudou a pressionar o setor nos últimos meses.
Na semana passada, porém, o fluxo virou. A CoinShares registrou entrada de US$ 287 milhões em fundos de criptomoedas, indicando uma reversão pontual de tendência. Além disso, os números iniciais desta semana também sugerem a possibilidade de mais um período positivo para os aportes.
Esse comportamento ganhou relevância porque o Bitcoin mostrou força quando investidores dos Estados Unidos ampliaram posições por meio dos ETFs à vista aprovados em 2024. Assim, investidores antes limitados no acesso direto ao mercado passaram a ganhar exposição ao ativo com mais facilidade.
ETFs sustentam demanda, enquanto recorde ainda pesa
Esses produtos, operados por gestoras como BlackRock, Fidelity e Grayscale, permitem que investidores tradicionais e instituições de Wall Street obtenham exposição ao Bitcoin por meio de ações negociadas em bolsas de valores. Dessa maneira, eles acessam o ativo sem precisar comprar e custodiar a moeda diretamente.
Desde a máxima histórica de US$ 126.080 registrada em outubro, o mercado de criptomoedas passou por forte pressão vendedora. Isso ocorreu à medida que parte desses investidores realizou saques rápidos dos fundos. Ao mesmo tempo, o Bitcoin encontrou dificuldade para sustentar ganhos após a escalada das tensões no Oriente Médio, com ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Esse movimento também contribuiu para a disparada do petróleo.
Com isso, a maior criptomoeda do mercado acumula queda de quase 50% em relação ao recorde. Mesmo assim, a CoinShares entende que o quadro atual já desperta interesse de investidores em recompor posições. Contudo, o sentimento mais amplo continua predominantemente negativo.
“O quadro dominante é que a configuração atual está estimulando interesse em adicionar posições, mas a cautela prevalece enquanto o sentimento permanece amplamente negativo”, afirmou a CoinShares.
Estabilização depende de inflação, petróleo e juros
Na prática, o relatório sugere sinais iniciais de estabilização para o Bitcoin. A retomada de entradas em fundos e a percepção de que o fundo pode ter ficado para trás sustentam essa leitura. No entanto, inflação, petróleo em alta e baixa probabilidade de corte de juros nos Estados Unidos ainda limitam uma recuperação mais forte.
No balanço final, a CoinShares combina dois movimentos. De um lado, aparecem a entrada de US$ 287 milhões em fundos de criptomoedas, após saídas acumuladas de US$ 8 bilhões, e a avaliação de que o Bitcoin pode já ter encontrado seu piso. Por outro lado, persiste um cenário macroeconômico adverso, com o ativo ainda próximo de US$ 64 mil e quase 50% abaixo da máxima histórica de US$ 126.080.