Collector Crypt acelera na Solana; Pump.fun desacelera

O Collector Crypt ganhou força na Solana no segundo trimestre de 2026, enquanto a Pump.fun perdeu ritmo em receita e ganhos, segundo dados da DefiLlama. Ainda assim, a Pump.fun segue entre os aplicativos de consumo mais lucrativos da rede. Desde o lançamento, sua receita acumulada já supera US$ 1 bilhão.

A Pump.fun gerou US$ 108,3 milhões em receita bruta no primeiro trimestre e US$ 69,2 milhões no segundo trimestre até agora. Assim, o ritmo caiu 36,1% em relação ao trimestre anterior. Ao considerar o conjunto Pump, que inclui PumpSwap e Terminal, a receita bruta de protocolo soma US$ 179,3 milhões no segundo trimestre, ante US$ 287,1 milhões no primeiro trimestre. Além disso, os ganhos recuaram de US$ 120,9 milhões para US$ 79,1 milhões.

Mesmo com a desaceleração, a escala da Pump.fun segue relevante no mercado cripto. A receita acumulada do protocolo já supera US$ 1 bilhão, enquanto o conjunto Pump ampliado já gerou US$ 1,18 bilhão. Ao mesmo tempo, o mecanismo de curva de bonding da plataforma continua processando centenas de milhões de dólares em volume mensal em DEX.

Collector cresce com modelo de cartas tokenizadas

Em contrapartida, o avanço do Collector Crypt ampliou a discussão sobre quais modelos de monetização conseguem ganhar tração na Solana. O protocolo foca em cartões colecionáveis físicos tokenizados. Na prática, os usuários compram pacotes digitais aleatórios vinculados a cartas reais e certificadas, negociam versões tokenizadas on-chain, revendem os ativos na plataforma ou resgatam a carta física.

A DefiLlama aponta que o protocolo vende cartas Pokémon como ativos do mundo real (RWA) na Solana. Além disso, o Collector captura receita com a venda de pacotes no modelo gacha, taxas de marketplace e royalties, já descontadas as recompras desses pacotes. O protocolo também abriu mais de 215 mil pacotes tokenizados de TCG em apenas uma semana e ultrapassou US$ 50 milhões em receita acumulada. Mais de 30% dos usuários resgataram cartas físicas, segundo dados publicados pelo projeto no X.

Na DefiLlama, o Collector Crypt aparece com US$ 12,3 milhões em receita no primeiro trimestre e US$ 25,8 milhões no segundo trimestre até agora. Dessa forma, a aceleração chegou a 108,8%.

Receita recente mostra maior concentração de atividade

Nos últimos sete dias, a receita do Collector Crypt chegou a US$ 5,1 milhões. Isso equivale a cerca de 38% do total de quase US$ 13,5 milhões acumulado em 30 dias. Por outro lado, na Pump.fun, a relação entre receita de 7 dias e 30 dias está em 22,8%, o que indica uma concentração recente menor.

Outro ponto relevante envolve o volume em DEX. Nos últimos 30 dias, o Collector Crypt concentrou 88,3% de seu volume acumulado aproximado de US$ 123,5 milhões. Já na Pump.fun, esse indicador está em 1,4%. Portanto, o Collector mostra uma atividade mensurável mais recente e intensificada, em vez de distribuída por anos de emissões acumuladas.

Receita de apps na Solana: Pump.fun vs Collector Crypt
Gráfico de barras agrupadas mostra queda de receita no segundo trimestre para a Pump.fun e para o conjunto Pump, enquanto a receita bruta do Collector Crypt subiu 108,8% no período.

Fonte: DefiLlama.

Em 2026, a receita do Collector Crypt soma US$ 38,1 milhões. Esse valor equivale a cerca de 21,5% da receita de US$ 177,5 milhões da Pump.fun no ano e a 8,2% dos US$ 466,5 milhões do conjunto Pump ampliado. Dessa maneira, os dados sugerem que o protocolo vive sua fase mais forte justamente quando a principal referência de consumo da rede perde velocidade.

Token CARDS acompanha a expansão operacional

O token CARDS, associado ao Collector Crypt, avançou em linha com essa expansão operacional. Dados da CoinGecko apontam o ativo em torno de US$ 0,259, com alta de 47% em sete dias. O volume de negociação ficou perto de US$ 10,4 milhões em 24 horas, com valor de mercado de aproximadamente US$ 66,83 milhões e máxima histórica de US$ 0,38.

Ainda assim, o movimento de preço não deve ser confundido com captura direta de receita. A DefiLlama informa atualmente receita zero para detentores do token. Além disso, observa que esse rastreamento segue desativado até a confirmação oficial da carteira central de recompra do protocolo.

O contexto setorial também ajuda a explicar a demanda. Segundo dados citados pela Messari em publicação no X, as sete maiores plataformas de cartões tokenizados geraram US$ 230 milhões em vendas gacha em maio de 2026. O volume cresceu sete vezes na comparação anual, e a Solana respondeu por 64% desse total.

Próximos dados podem definir a força do ciclo

Esse avanço indica que a economia de aplicativos de consumo da Solana monetiza com mais força um novo tipo de comportamento do usuário. Enquanto a Pump.fun depende de um ciclo especulativo de emissão de tokens, o Collector Crypt se apoia na abertura de pacotes aleatórios, na negociação secundária on-chain e no resgate de itens físicos. Em ambos os casos, há geração de taxas, volume e atividade em tokens. Contudo, as motivações dos usuários são diferentes.

Se o Collector Crypt mantiver o ritmo atual de receita, o protocolo tende a se consolidar de forma mais duradoura entre os principais geradores de receita da Solana. Nesse cenário, o CARDS pode seguir como um indicador líquido dessa atenção. Por outro lado, uma perda de fôlego na demanda por pacotes gacha, queda no volume do CARDS ou maior escrutínio regulatório sobre mecânicas de pacotes aleatórios pode transformar a concentração recente de atividade em fator de risco.

Em suma, os dados do segundo trimestre mostram duas trajetórias simultâneas. A Pump.fun continua muito maior em escala histórica e receita acumulada. Já o Collector Crypt surge com forte aceleração recente, apoiado em pacotes tokenizados, mercado secundário on-chain e resgate de itens físicos. Até aqui, os números apontam US$ 25,8 milhões em receita do Collector Crypt no segundo trimestre, contra US$ 69,2 milhões da Pump.fun no mesmo recorte. Além disso, o Collector registrou uma semana de US$ 5,1 milhões e mais de 215 mil pacotes abertos em sete dias.