Como a decisão de congelar os preços na Argentina pode afetar a adoção das criptomoedas

Decisão do presidente argentino pode promover a adoção do setor

Na última quarta-feira (17) foi anunciado que o presidente argentino Mauricio Macri decidiu congelar os preços de uma série de itens como uma tentativa de combater a inflação e a pobreza, que recentemente atingiu o índice de 32%.

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Aparentemente as tarifas de gás, transporte e eletricidade não terão aumento até o final do ano; as contas de celulares e linhas pré-pagas serão congeladas até o dia 15 de setembro, e cerca de 60 itens de cesta básica permanecerão com o mesmo valor por um período de seis meses.

Abordando o tópico em seu perfil no Instagram, o analista-chefe da XDEX Fernando Ulrich disse que Macri vai “quebrar o termômetro para conter a febre”, afirmando que o que está sendo feito é a “cura” de um sintoma, e não da doença, que no caso é a expansão monetária (impressão desenfreada do papel-moeda).

Ulrich utiliza como exemplo a mesma decisão tomada por Sarney na década de 80, dizendo que não deu certo no Brasil, e certamente não dará certo na Argentina.

O analista afirma que a iniciativa irá resultar em escassez generalizada, visto que os produtores terão que arcar com um valor máximo de venda (restringindo a margem de lucro), o que acabará por desencorajar a produção, e por outro lado os consumidores se sentirão compelidos a comprar, atraídos pelo valor tabelado, resultando em um cenário de pouca oferta e muita demanda.

Concluindo seu pensamento, Ulrich afirma que a decisão é uma “tragédia anunciada para a Argentina”.

Argentinos poderão recorrer às criptomoedas

Se para o papel-moeda o cenário é um tanto caótico, para os criptoativos, a situação pode ser favorável.

Tendo em vista o congelamento, os cidadãos argentinos poderão optar por investir em ativos de renda variável para se beneficiar dos lucros em casos de valorização, fugindo da ideia de uma moeda centralizada e de uma economia hiperinflada para poder obter poder de compra.

O caso da Venezuela é um exemplo.

Anteriormente o WeBitcoin noticiou que o economista Aaron Olmos declarou que as criptomoedas possuem o potencial de impulsionar a reconstrução da economia venezuelana, que sofre com a hiperinflação e a “dolarização”. Os ativos, principalmente Bitcoin e Dash, são muito populares no país.

No caso da Argentina, muito dinheiro foi investido para que o setor atinja adoção em massa, e de acordo com Efrain Pineda, COO da EOS Venezuela, comerciantes e varejistas estão conseguindo “respirar ar fresco” por meio do Bitcoin e demais criptomoedas.

Pineda vive na Argentina há algum tempo, graças a difícil situação de sua terra natal (Venezuela).

Durante uma conversa com o WeBitcoin no início do mês, o COO afirmou que o país estava em um momento propício para a adoção do setor, graças à procura de grandes empresas como a Binance.

“Creio que a Argentina está em um excelente momento para adotar as criptomoedas, por se encontrar em uma crise monetária que não é tão avassaladora quanto a da Venezuela. Desta forma, as pessoas podem usar criptomoedas de forma mais simples.”

Com o congelamento de preços, é provável que os comerciantes e varejistas recorram ainda mais aos criptoativos em uma tentativa de continuar no mercado.

Foto de Beatriz Orlandeli
Foto de Beatriz Orlandeli O autor:

Simpatizante das criptomoedas, após cursar Arquitetura e Urbanismo, reavivou um antigo gosto pela escrita e atualmente trabalha como redatora do WeBitcoin.

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