Como a nova trégua entre EUA e China afeta o valor do Bitcoin

Como o Bitcoin pode reagir às novas conversas entre China e Estados Unidos

Analisando a crescente valorização do Bitcoin nos últimos meses, o diretor do setor de ativos digitais da Susquehanna, Bar Smith, apontou que um dos fatores por trás do aumento é a guerra comercial entre China e Estados Unidos, que motivou a busca de capital no exterior como um modo de escapar do controle de fundos imposto na China.

Sustentando uma situação complexa desde março do ano passado, recentemente o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping anunciaram uma nova trégua, buscando retomar “de onde pararam” as conversas sobre a comercialização.

Como a disputa aparentemente motivou o crescimento do ativo nos últimos meses, muitos esperam que agora a resposta seja contrária, e que o Bitcoin perca um pouco da força de valorização.

De acordo com Thomas Lee, no entanto, a curto prazo a notícia não surtiu efeitos negativos na moeda, que segundo ele, aparentemente está “ok” com o novo desenvolvimento.

A diminuição nas tensões entre EUA e China e até mesmo a surpreendente amenização de restrições na Huawei não parecem estar prejudicando o bitcoin

Depois do recuo de $14k para $10k (…), o Bitcoin parece estar bem com os desenvolvimentos.

Como citado por Lee, a notícia da diminuição de restrições da Huawei é algo impactante, visto que a empresa (principal fornecedora de infraestrutura da tecnologia 5G e segunda maior fabricante de smartphones do mundo) foi acusada pelo governo americano de atuar como espiã chinesa. Para possibilitar tal iniciativa, aparentemente a China concordou em comprar grandes quantias de produtos agrícolas norte-americanos.

A suposta imunidade do Bitcoin

Apesar de não abordar o assunto, Anthony Pompliano recentemente destacou as características que podem fazer com que o valor do Bitcoin atue em paralelo ao novo desenvolvimento.

O Bitcoin é imune à pressão social, política ou econômica.

Isso o torna incrivelmente anti-frágil.

Apesar de formar um belo conceito, a ideia apontada por ele, no entanto, não é totalmente verdade.

Situações nas quais a pressão governamental causa modificações no valor da moeda são comuns, mas ao contrário de desvalorizar o ativo, na maioria dos casos noticiados o tiro sai pela culatra.

Na China, por exemplo, após a proibição da moeda em 2017, o Bitcoin foi impulsionado para a alta histórica. O caso está se repetindo com a Índia, que sob o risco da criminalização do setor, está vendo o ativo ser negociado US$500 mais caro do que em qualquer outro país do mundo.

Como apontado pelo CEO da Binance, Changpeng Zhao, quanto mais os governos proíbem, mais a população quer.

Seguindo esse pensamento e levando em consideração que muitos países e bancos estão tentando barrar o mercado de criptomoedas para não perder o domínio do sistema tradicional, pode ser que em breve o setor atinja adoção em massa.

Foto de Beatriz Orlandeli
Foto de Beatriz Orlandeli O autor:

Simpatizante das criptomoedas, após cursar Arquitetura e Urbanismo, reavivou um antigo gosto pela escrita e atualmente trabalha como redatora do WeBitcoin.

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