Entenda como o último milhão de Bitcoins disponíveis impacta o preço da criptomoeda

Existem menos de 1 milhão de BTC disponíveis para mineração. Esse marco foi alcançado no início do mês de março e o preço do Bitcoin hoje já apresenta os impactos da proximidade do limite de 21 milhões de moedas. Isso porque o patamar de 20.000.000 da principal cripto minerada representa mais de 95% de toda a sua capacidade.

Em meio ao novo patamar alcançado pelo Bitcoin, analistas começam a projetar a reta final do próximo 1 milhão de BTC que ainda está para ser minerado. Desde aumento de preço até oscilações de valor no curto prazo são consideradas pelos especialistas de mercado. Por isso, vale a pena ter uma visão geral do que está por vir.

Lei da oferta e demanda ainda prevalece

Quem acompanha o preço do Bitcoin sabe que a cada quatro anos acontece o popularmente conhecido halving. Esse processo acaba criando escassez e, ao mesmo tempo, ajuda na valorização dessa criptomoeda. Porém, mudanças no cenário econômico impactaram os ciclos já esperados por quem tem ou pensa em adicionar BTC em sua carteira.

Mesmo com o cenário macroeconômico desafiador dos últimos tempos, o Bitcoin tenta se manter em um preço médio ainda considerado elevado em comparação com o seu histórico. Apesar de estar longe da máxima histórica de 126 mil dólares registrada em outubro de 2025, o fato de existir apenas 1 milhão de BTC para ser minerado impacta a oferta desse ativo.

A lei da oferta e da demanda acaba pressionando o Bitcoin por esse ativo ter um suprimento finito. Diferentemente de moedas como o dólar, euro e reais, onde os bancos centrais podem emitir novos papéis imprimindo o papel moeda ou adotando outras estratégias monetárias, o BTC depende da mineração para ser ofertado no mercado.

Como resta apenas 1 milhão dos 21 milhões de BTC para mineração, a tendência é de que a criptomoeda continue sendo altamente valorizada ao longo dos próximos anos, mesmo que a jornada até lá seja de alta volatilidade.

Mudança de foco dos mineradores

Um aspecto importante quanto ao preço do BTC relacionado a sua oferta no mercado é o fato dos mineradores precisarem reorganizar suas operações com base na situação atual do Bitcoin. Isso porque quem minera sustenta suas operações minerando o ativo, bem como confirmando transações para alimentar a rede blockchain.

Enquanto o Bitcoin supera 20 milhões e se aproxima do limite final, o custo para minerar uma moeda se tornou mais alto, já que existem menos BTCs disponíveis para serem minerados. Dessa maneira, a tendência é de que as grandes mineradoras foquem mais na confirmação de transações para sustentar suas operações no curto e médio prazo.

Isso faz com que o ciclo de mineração de BTC para chegar ao limite de 21 milhões demore mais e, consequentemente, reorganize a maneira pela qual o Bitcoin se comporta ao longo do tempo. Em outras palavras, ao invés dos ciclos tradicionais, a expectativa é de que o ativo passe por novos ciclos ainda não efetivamente testados até então.

Fundamentos continuam firmes

Apesar de toda a oscilação no preço do Bitcoin ao longo dos últimos anos, analistas acreditam que o ativo segue bem fundamentado com uma proposta que sustenta seu valor de mercado ao longo do tempo.

Na opinião de Renato Eid, head de Estratégias Indexadas e Integração ESG na Itaú Asset Management, o Bitcoin continua sendo um ativo distinto da renda fixa e ações tradicionais, tendo a sua própria dinâmica e focado em uma natureza descentralizada.

O fato do Bitcoin ser previsível e escasso são elementos intrínsecos desse criptoavito e totalmente contrários às políticas imprevisíveis de bancos centrais, assim como da tão temida inflação.

De maneira geral, o BTC continua sendo um ativo digital de alto valor. Mesmo em uma economia repleta de volatilidade, seus fundamentos continuam fortemente alinhados com a proposta desde que o primeiro Bitcoin foi negociado, o que reforça sua tese de ser uma alternativa descentralizada em um mercado que cresce mais a cada ano.

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