Contratos perpétuos: Kalshi e Polymarket ampliam disputa
Duas das principais plataformas de mercados de previsões dos Estados Unidos avançam para o segmento de derivativos no mercado de criptomoedas. Kalshi e Polymarket anunciaram, com poucas horas de diferença, o lançamento de contratos perpétuos, intensificando a concorrência por traders e ampliando o escopo de atuação.
Esse movimento marca uma mudança estratégica relevante. Afinal, ambas buscam capturar participação em um mercado que cresce rapidamente. Assim, a iniciativa reforça a convergência entre mercados de previsões e derivativos cripto.
Kalshi aposta em expansão com derivativos
A Kalshi, plataforma regulamentada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e avaliada em US$ 11 bilhões, informou que iniciará a negociação de contratos perpétuos de criptomoedas em 27 de abril, em Nova York. O produto surgiu inicialmente sob o codinome “Timeless”, destacando sua principal característica: não possui data de expiração.
O CEO Tarek Mansour apresentou a novidade em vídeo publicado no LinkedIn. Além disso, a empresa confirmou que ativos como Bitcoin e outras criptomoedas estarão disponíveis na estreia. O colateral inicial será em dólares americanos, com planos de expansão.
Estratégia e posicionamento regulatório
Antes de tudo, essa é a primeira incursão da Kalshi fora dos contratos binários baseados em eventos. Ou seja, a empresa amplia de forma significativa seu modelo de negócios. Além disso, a supervisão da CFTC pode representar uma vantagem estrutural no longo prazo.
Por outro lado, concorrentes offshore operam com menos restrições. Ainda assim, a Kalshi pode se beneficiar caso futuros enquadramentos regulatórios incluam contratos perpétuos sob supervisão formal. Nesse sentido, a empresa antecipa um possível novo padrão regulatório.
Ademais, há planos para incluir stablecoins como colateral ainda no segundo trimestre, ampliando o acesso e atraindo novos perfis de investidores.
Polymarket antecipa lançamento
Enquanto isso, a Polymarket se antecipou e lançou sua própria oferta de contratos perpétuos. Avaliada em US$ 9 bilhões, a plataforma anunciou na rede X que usuários já podem operar posições compradas e vendidas de forma contínua, sem depender do vencimento de eventos.
Assim, a empresa passa a oferecer negociações ininterruptas, 24 horas por dia. Como resultado, amplia a dinâmica tradicional dos mercados de previsões. Além disso, a decisão sinaliza uma estratégia clara para ganhar vantagem competitiva antes da entrada da Kalshi.
Como funcionam os contratos perpétuos
Os contratos perpétuos se diferenciam por não possuírem prazo de vencimento. Dessa forma, traders podem manter posições por tempo indeterminado, sem necessidade de rolagem. Além disso, não é preciso deter o ativo subjacente, já que a negociação acompanha o preço.
Para manter alinhamento com o mercado à vista, utiliza-se a taxa de financiamento. Esse mecanismo ajusta periodicamente os custos entre compradores e vendedores. Como resultado, o preço dos contratos tende a permanecer próximo ao valor real dos ativos.
No caso da Polymarket, essa inovação adiciona uma camada contínua a uma plataforma antes focada em eventos. Já para a Kalshi, representa uma expansão estruturada para o mercado de derivativos.
Crescimento e pressão regulatória
O avanço ocorre em meio a forte crescimento. Dados indicam que os mercados de previsões atingiram 192 milhões de transações em março de 2026. Além disso, a Kalshi ultrapassou US$ 1 bilhão em volume mensal ligado a negociações envolvendo criptoativos.
Ao mesmo tempo, a Polymarket superou US$ 1 bilhão em volume nocional semanal no primeiro trimestre. Em termos de escala, a Kalshi já processa mais de US$ 100 bilhões em volume anualizado. Portanto, ambas entram nesse novo segmento com tração relevante.
Ambiente legal mais rigoroso
Entretanto, o movimento ocorre sob crescente escrutínio regulatório nos Estados Unidos. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, já moveu ações contra empresas do setor cripto, incluindo Coinbase e Gemini, em casos relacionados à oferta de produtos financeiros e conformidade regulatória.
Embora os casos não tratem diretamente de mercados de previsões, eles reforçam a pressão sobre plataformas que operam produtos financeiros inovadores. Nesse sentido, o avanço dos contratos perpétuos tende a atrair ainda mais atenção das autoridades.
Mesmo diante desse cenário, Kalshi e Polymarket seguem expandindo suas operações. Em outras palavras, ambas apostam que a convergência entre derivativos e mercados de previsões deve redefinir parte da dinâmica do mercado de criptomoedas.