Copper perde CEO durante busca por venda de US$ 500 mi
A Copper, empresa de custódia e infraestrutura de criptomoedas e ativos digitais sediada em Londres, ficou sem um CEO anunciado. Enquanto busca um comprador para seu negócio de custódia de criptomoedas. Amar Kuchinad deixou o cargo no quarto mês do processo de venda. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, a companhia pretende alcançar uma avaliação de US$ 500 milhões, embora possíveis ofertas estejam próximas de US$ 200 milhões.
A empresa não informou quem assumirá o comando de forma temporária ou permanente. Também não revelou o motivo da saída de Kuchinad nem a data de seu último dia. Por isso, não há confirmação de que a mudança esteja ligada à venda, à avaliação, às operações ou a questões regulatórias.
Ofertas ficam abaixo da avaliação buscada pela Copper
A Copper contratou a Cantor Fitzgerald para procurar interessados e conduzir a comercialização da empresa. O processo começou, no mínimo, em maio, quando surgiram informações sobre a participação da instituição financeira. Antes disso, a companhia já havia recebido manifestações de interesse, mas não identificou os interessados nem confirmou propostas formais.
Em agosto, potenciais compradores teriam indicado valores próximos de US$ 200 milhões. Esse montante ficaria US$ 300 milhões abaixo do preço pretendido pela Copper. Assim, as ofertas representariam uma queda de cerca de 90% perante a avaliação alcançada no ciclo anterior do mercado de criptomoedas.
Até o momento, nenhum comprador foi identificado publicamente, e a Copper não anunciou um acordo. Os relatos também não informam quantos participantes apresentaram propostas ou quais condições acompanharam os lances. Do mesmo modo, não está claro se a Cantor Fitzgerald alterou o preço pedido durante as negociações.
Os proprietários da empresa não divulgaram dados financeiros que sustentem a avaliação de US$ 500 milhões. Ainda assim, os valores citados fazem parte de uma negociação em andamento, não de uma transação concluída. A companhia tampouco definiu um prazo público para propostas finais, diligência ou desistência da venda.
Avaliação recua em relação ao pico de 2021
Durante as conversas de captação em 2021, a Copper pretendia levantar até US$ 500 milhões. Na época, a empresa buscava uma avaliação de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Já no auge daquele ciclo, seu valor superou US$ 2 bilhões.
Nesse caso, o preço atual pretendido equivale a menos de um quarto do patamar anterior. Propostas próximas de US$ 200 milhões ampliariam ainda mais essa diferença. Porém, nem a Copper nem a Cantor Fitzgerald confirmaram publicamente os valores divulgados.
Fundada em 2018, a empresa oferece custódia, gestão de garantias e liquidação para clientes institucionais que negociam ativos digitais. Sua rede ClearLoop permite liquidar operações com exchanges participantes sem transferir previamente os recursos para essas plataformas. Com isso, os clientes mantêm os valores sob custódia durante as negociações.
Coinbase, Bitfinex e Kraken estão entre as companhias listadas como clientes da ClearLoop. Ao reduzir depósitos diretos em plataformas de negociação, o sistema procura limitar a exposição das instituições ao risco de contraparte. Esse risco surge quando os clientes enviam recursos a uma exchange para executar operações.
Concorrência cresce na custódia institucional
A custódia institucional permanece disputada por empresas especializadas e instituições financeiras tradicionais. Coinbase Custody, BitGo e Fireblocks atendem o mercado de ativos digitais. Enquanto isso, BNY Mellon, State Street e Standard Chartered desenvolveram ou adquiriram infraestrutura para tokenização e custódia institucional.
Em maio, o Standard Chartered concordou em adquirir as operações de custódia de criptomoedas da Zodia Custody, empresa que ajudou a criar. Nesse movimento, um banco tradicional incorporou uma companhia especializada às suas atividades existentes. Consequentemente, a presença crescente dos bancos amplia o interesse comercial e a concorrência no segmento.
A rede de clientes e o modelo de liquidação fora das exchanges podem influenciar a avaliação de potenciais compradores da Copper. Por outro lado, os relatos não explicam quais características despertaram interesse ou por que os lances ficaram abaixo da meta. Por ora, a empresa também não detalhou quem lidera as negociações ao lado da Cantor Fitzgerald.
Mudanças na liderança acompanham negociação
Kuchinad assumiu o comando em outubro de 2024, após a saída do fundador e então CEO Dmitry Tokarev. Antes de ingressar na empresa, ele trabalhou no Goldman Sachs e atuou como conselheiro da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC. Naquele momento, sua experiência regulatória ganhou relevância diante da maior atenção às regras de custódia institucional.
Paralelamente, a Copper nomeou Elin Cherry como diretora de compliance e Sean Bowen como diretor de operações. A empresa publicou os anúncios em seu LinkedIn. Agora, Cherry lidera a área de compliance, enquanto Bowen assume as operações durante o processo de venda.
A Copper não informou se algum dos dois executivos receberá atribuições adicionais após a saída de Kuchinad. Até agora, a companhia também não anunciou a nomeação de um diretor-executivo interino. Dessa forma, a negociação conduzida pela Cantor Fitzgerald permanece aberta sem a divulgação de um substituto para o CEO.
Regulação amplia disputa por serviços de custódia
Nos Estados Unidos, empresas sob supervisão federal ampliam sua presença na custódia de ativos digitais. Desde dezembro de 2025, o Escritório do Controlador da Moeda concedeu aprovações condicionais para bancos fiduciários nacionais a Circle, Ripple, Paxos, BitGo e Fidelity Digital Assets. Segundo o controlador Jonathan Gould, a atividade da agência relacionada a aprovações de ativos digitais cresceu oito vezes sob a atual administração.
O modelo previsto pela Lei GENIUS também abrange custódia, reservas, resgates, controles de risco e fiscalização de emissores de stablecoins de pagamento. Fora dos Estados Unidos, a BitGo Korea obteve em agosto o registro de provedora de serviços de ativos virtuais na Coreia do Sul. A autorização permite que a empresa desenvolva serviços institucionais de custódia e transferência.
O Hana Financial Group detém 25% da BitGo Korea, enquanto a SK Telecom possui 10%. Na ocasião, a BitGo não divulgou data de lançamento, recursos atendidos, tarifas de custódia ou clientes. Nesse ambiente competitivo, a Copper ainda não anunciou comprador, aceitação de oferta ou revisão de sua avaliação.