Core Scientific capta US$ 3,3 bi e reduz Bitcoin

A Core Scientific anunciou planos para captar US$ 3,3 bilhões por meio da emissão de notas garantidas seniores. A iniciativa reforça uma mudança estratégica relevante, reduzindo a dependência do Bitcoin e ampliando o foco em infraestrutura de inteligência artificial, especialmente em data centers de alta densidade.

Estratégia prioriza inteligência artificial

Conforme comunicado, a subsidiária financeira da empresa pretende realizar uma colocação privada voltada a investidores institucionais. O objetivo é financiar a expansão no segmento de colocation de alta densidade, voltado a aplicações avançadas de IA.

Além disso, a companhia já vinha sinalizando essa transição. Em março, vendeu cerca de US$ 175 milhões em Bitcoin e indicou a intenção de monetizar parte das reservas restantes. Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende firmar novos contratos de grande escala para aquisição de equipamentos de mineração.

Atualmente, a Core Scientific opera dez instalações nos Estados Unidos. Contudo, nem todas foram convertidas para o novo modelo baseado em inteligência artificial. Ainda assim, a empresa segue adaptando sua infraestrutura. Quando o processo for concluído, a expectativa é praticamente encerrar suas atividades na mineração de ativos digitais.

Capacidade de mineração ainda é relevante

Até o fim de 2025, a capacidade computacional da empresa na mineração de Bitcoin, medida em hashrate, alcançava 17,90 EH/s. Esse nível a colocava entre as maiores mineradoras públicas do setor, ocupando a nona posição.

Contudo, diante da velocidade da mudança estratégica, parte dessa capacidade pode já ter sido desativada ao longo de 2026. Como resultado, a empresa pode perder posições no ranking global, ainda que mantenha relevância no curto prazo.

Empresas de mineração de Bitcoin

As 10 maiores mineradoras de Bitcoin por hashrate | Fonte: BitcoinMiningStock

Essa mudança sugere uma reconfiguração estrutural de longo prazo, na qual a mineração deixa de ser o principal motor de receita.

Setor acompanha migração para IA

A Core Scientific não está isolada. Pelo contrário, diversas mineradoras vêm ampliando sua atuação em inteligência artificial e computação de alto desempenho. Esse movimento ocorre, sobretudo, pela busca por margens mais previsíveis e atrativas.

Estimativas de Charles Edwards, fundador da Capriole Investments, indicam que a participação da mineração de Bitcoin na receita das grandes empresas públicas pode cair de 90% para 30% nos próximos dois a três anos. Em contrapartida, serviços ligados à IA tendem a dominar o faturamento.

Executivos do setor reforçam essa tendência. O CEO da Bitfarms afirmou que a conversão de apenas uma unidade para GPU-as-a-Service pode superar toda a receita histórica obtida com mineração.

Mesmo representando menos de 1% do nosso portfólio total, acreditamos que a conversão de um único site para GPU-as-a-Service pode gerar mais receita do que toda a mineração de Bitcoin já trouxe.

Assim, o setor passa por uma transformação relevante. Embora a mineração continue ativa, as empresas buscam diversificação para garantir maior previsibilidade de receitas.

Hashrate global e preço do Bitcoin

Apesar dessa transição, a recente queda no hashrate global do Bitcoin parece mais associada à desvalorização do ativo. Desde outubro de 2025, a rede registrou uma redução de cerca de 11% na capacidade computacional.

Hashrate do Bitcoin

Média de 7 dias do hashrate do Bitcoin | Fonte: Blockchain.com

No momento da publicação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 78.100, acumulando alta superior a 5% nos últimos sete dias. Ainda assim, empresas como a Core Scientific aceleram a migração para inteligência artificial, reduzindo a exposição à mineração e reposicionando seus modelos de negócio.