Coreia do Norte: FBI alerta sobre roubo de criptomoedas

Uma ameaça que se infiltra por dentro.

O FBI, em conjunto com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e parceiros internacionais de uma dúzia de países, publicou nesta sexta-feira um alerta conjunto sobre trabalhadores de tecnologia da Coreia do Norte. Segundo o aviso, essa rede de profissionais de TI usa identidades falsas para se infiltrar em empresas de todo o mundo e financiar os programas de armas do regime.

De acordo com o alerta, o esquema combina sofisticação e alta rentabilidade. Esses operadores se passam por cidadãos de outros países, conseguem contratos remotos em empresas legítimas e enviam seus salários para Pyongyang. Além disso, o prejuízo vai além da remuneração: uma vez dentro das companhias, eles roubam código-fonte, dados de clientes, credenciais e criptomoedas.

FBI, no X

Alerta eleva pressão sobre empresas do setor

Para o ecossistema de ativos digitais, o alerta atinge um ponto sensível. O roubo de criptomoedas é um dos pilares do financiamento ilícito da Coreia do Norte. E esses trabalhadores de TI representam uma de suas principais rotas. Ao conseguir emprego em empresas cripto, startups de blockchain e plataformas Web3, eles passam a ter acesso privilegiado a carteiras, contratos inteligentes e sistemas internos que depois exploram.

O documento também detalha sinais de alerta que deveriam chamar a atenção de qualquer empresa que contrata talentos remotos. Um dos indícios mais relevantes aparece na forma de pagamento. Muitos candidatos recusam depósito direto e exigem receber por serviços de transferência, diretamente em criptomoedas. Ou pedem que o salário seja enviado para a conta de um terceiro, que então remete os recursos ao exterior após reter uma comissão.

Outros sinais incluem contas que parecem ser operadas por várias pessoas, já que as equipes norte-coreanas se revezam conforme o horário do dia. Também entram nessa lista a recusa em ligar a câmera em chamadas de vídeo e inconsistências entre o documento de identificação e a pessoa apresentada.

Uso de IA amplia a sofisticação da operação

O elemento mais novo e preocupante, segundo o texto oficial, é o uso de inteligência artificial. De acordo com o documento, os operadores da Coreia do Norte incorporam cada vez mais a IA para refinar perfis falsos, gerar comunicações convincentes e esconder sua identidade real. Dessa forma, a mesma tecnologia que impulsiona a inovação também se transforma em ferramenta de falsificação em escala.

Eles atuam a partir da Coreia do Norte, da China, da Rússia, do Sudeste Asiático ou da África, mascarando sua localização com VPNs, softwares de desktop remoto e as chamadas fazendas de laptops. Nesses casos, equipamentos posicionados no país-alvo são operados remotamente para simular presença local.

Enquanto isso, a resposta oficial não se resume a um aviso. Somente em 2026, oito pessoas já haviam sido condenadas à prisão por participação nesses esquemas. Muitas delas, segundo o texto, eram facilitadoras dentro dos Estados Unidos que emprestavam suas identidades ou contas bancárias.

Por fim, o Grupo de Ação Financeira Internacional mantém a Coreia do Norte em sua lista negra por financiamento da proliferação. E cita explicitamente essa fonte de receita como uma via de evasão de sanções.

A mensagem central para a indústria cripto é direta: em alguns casos, a maior ameaça não vem de um ataque externo, mas passa a trabalhar dentro da própria equipe. Em um setor construído sobre trabalho remoto e operações sem fronteiras. Verificar quem está do outro lado da tela deixou de ser um procedimento burocrático e passou a ser uma linha de defesa de primeira ordem.