Coreia do Sul denuncia rug pull da CATFI na Solana

Promotores da Coreia do Sul ofereceram denúncia contra cinco pessoas em um caso descrito como o primeiro processo criminal do país por rug pull em exchange descentralizada (DEX). Além disso, a ação inaugura o uso de acusações de negociação fraudulenta com base na Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais. O caso cria um precedente relevante para investigações sobre manipulação de mercado em DEXs ligadas à Solana e a outras blockchains.

A imprensa local relatou que, em 27 de maio, a Unidade Conjunta de Investigação de Crimes com Ativos Virtuais do Escritório de Promotoria do Distrito Sul de Seul informou a denúncia de dois suspeitos presos por manipulação de mercado. Um terceiro recebeu denúncia sem prisão. Ademais, outros dois foram acusados separadamente por obstrução da Justiça, pois teriam ajudado o líder do esquema a evitar a captura.

Gráfico diário de preço da SOL em 27 de maio de 2026

Preço da SOL em movimento lateral no gráfico diário. Fonte: TradingView.

Promotores miram CATFI e contas coordenadas

A operação girava em torno da CATFI, uma memecoin baseada na Solana lançada na pump.fun, plataforma de emissão de tokens usada no ecossistema. Segundo a promotoria, o grupo investiu alguns milhões de won sul-coreanos para criar o token e listá-lo em uma exchange descentralizada.

O líder do esquema, identificado apenas pelo sobrenome Park, atuava nas redes sociais sob o nome de influenciador EtherFather. Conforme os promotores, ele se apresentava como um terceiro independente, sem interesse financeiro no projeto. Ao mesmo tempo, recomendava ativamente a compra de CATFI para seus seguidores.

Além disso, o grupo controlava as contas oficiais do projeto nas redes sociais, inflava artificialmente o número de seguidores e publicava anúncios promocionais falsos. Dessa forma, os envolvidos buscavam estimular investidores de varejo e sustentar uma aparência de legitimidade para o ativo.

A acusação também aponta que os suspeitos distribuíram a oferta do token por várias carteiras, a fim de esconder o controle real sobre os ativos. Ademais, realizaram negociações circulares, prática usada para criar aparência de atividade orgânica de mercado. Como resultado, mascararam o fato de que os emissores controlavam a liquidez do token.

Depois da entrada dos investidores de varejo, o grupo teria executado o rug pull, abandonado o projeto e embolsado cerca de 400 milhões de won em ganhos ilícitos. Em contrapartida, o desembolso inicial teria ficado em aproximadamente 10 milhões de won.

Alta de 1.001 vezes atraiu milhares de investidores

Segundo os dados da promotoria, o preço da CATFI disparou 1.001 vezes nas 26 horas seguintes ao lançamento. Assim, o movimento atraiu aproximadamente 6.000 investidores. Desse total, 256 tiveram perdas financeiras confirmadas, que somadas chegaram a cerca de 900 milhões de won, o equivalente a aproximadamente US$ 650 mil pelas taxas de câmbio citadas.

Os números mostram a velocidade do esquema. Em pouco mais de um dia, a valorização extrema do token serviu como chamariz para milhares de participantes. Enquanto isso, segundo a acusação, o grupo mantinha o controle da liquidez e da distribuição por meio de várias carteiras. Na prática, a alta abrupta criou um ambiente favorável para compradores que acreditavam estar diante de uma valorização orgânica.

Caso amplia alcance da lei de ativos virtuais

Dois fatores tornam o processo especialmente relevante. Em primeiro lugar, esta é a primeira ação baseada na Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais com acusações de negociação fraudulenta. De acordo com os promotores, o enquadramento se apoia nas proibições ao uso de meios, planos ou esquemas fraudulentos e a declarações falsas sobre assuntos materiais em transações com ativos digitais.

Em segundo lugar, o caso amplia o alcance regulatório da lei. O precedente anterior sob a mesma legislação envolvia acusações de manipulação de mercado ligadas a atividade em exchange centralizada. Agora, contudo, a estrutura legal chegou pela primeira vez a transações em exchange descentralizada.

Na prática, a ação sinaliza que os órgãos de persecução da Coreia do Sul tentam combinar capacidade técnica e base jurídica para perseguir fraudes com criptomoedas além do perímetro das plataformas centralizadas. Nesse sentido, o foco simultâneo em atividade de DEX, promoção por influenciador e ocultação coordenada por carteiras aponta para uma abordagem mais ampla sobre supostos esquemas de manipulação em redes como a Solana.

Autoridades reforçam foco em manipulação de mercado

De acordo com a cronologia apresentada pela promotoria, o grupo teria criado a CATFI, promovido o ativo com declarações enganosas, fabricado sinais de demanda e desmontado o projeto após a entrada dos investidores. Portanto, as autoridades atribuem aos envolvidos cerca de 400 milhões de won em ganhos ilícitos, depois de um custo inicial de aproximadamente 10 milhões de won.

Além disso, a investigação identificou 256 investidores com perdas confirmadas que somaram cerca de 900 milhões de won. Ainda assim, o alcance do caso tende a ir além dos números. A denúncia indica que a Coreia do Sul pretende enquadrar com mais rigor fraudes em ambientes descentralizados, especialmente quando houver promoção enganosa, manipulação de liquidez e uso coordenado de carteiras para ocultar controle de mercado.