Coreia do Sul pede 20 anos a CEO da Delio

A Coreia do Sul intensifica a fiscalização sobre empresas de criptomoedas e busca uma pena severa contra o CEO da Delio em um caso que envolve milhões em ativos de clientes.

A pressão regulatória sobre o mercado de criptomoedas na Coreia do Sul aumenta de forma consistente, sobretudo após episódios de grande impacto financeiro. Nesse sentido, as autoridades avançam contra a plataforma Delio, cujo colapso levantou suspeitas relevantes sobre a gestão de fundos de investidores. Assim, promotores passaram a defender uma das punições mais duras já vistas no setor.

Promotores pedem pena máxima contra CEO

Promotores sul-coreanos solicitaram uma pena de 20 anos de prisão para o CEO da Delio, identificado como Jeong. Ele responde por acusações de fraude em larga escala e desvio de recursos. O pedido foi apresentado nas alegações finais no Tribunal Distrital do Sul de Seul, onde a acusação detalhou a estrutura do suposto esquema e sua dimensão financeira.

Segundo as investigações, cerca de 250 bilhões de won, equivalentes a aproximadamente US$ 168 milhões, teriam sido utilizados de forma indevida. Além disso, o caso teria afetado cerca de 2.800 investidores ao longo de dois anos. Os promotores afirmam que campanhas promocionais enganosas e promessas de retornos elevados atraíram volumes significativos de depósitos.

Durante as audiências, vítimas demonstraram forte indignação e cobraram punições rigorosas. Ainda assim, o executivo segue negando responsabilidade total, o que, na avaliação da acusação, agrava a gravidade do caso. Por outro lado, a defesa reconhece as perdas, mas não admite culpa integral.

Os advogados também indicaram disposição para compensar os investidores, desde que o executivo seja absolvido. No entanto, a proposta gerou críticas entre os afetados, que exigem responsabilização direta. Em paralelo, casos semelhantes no mercado de criptomoedas reforçam a necessidade de maior transparência.

Investidores perderam acesso aos fundos

Relatos apresentados no tribunal indicam que muitos usuários perderam acesso total aos seus ativos. Como resultado, a pressão por justiça se intensificou, especialmente entre aqueles que utilizavam a plataforma em busca de renda passiva. Assim, o caso passou a simbolizar riscos associados a modelos pouco transparentes.

Suspensão de saques desencadeou crise

Os problemas da Delio começaram em junho de 2023, quando a plataforma suspendeu abruptamente os saques. A decisão provocou pânico imediato entre os usuários. Desde então, a confiança no serviço caiu rapidamente, à medida que o acesso aos fundos permaneceu bloqueado.

Segundo as autoridades, o modelo de negócios dependia fortemente da entrada contínua de novos depósitos. Ao mesmo tempo, a empresa não mantinha liquidez suficiente para honrar retiradas. Além disso, há indícios de que recursos dos clientes foram direcionados para finalidades diferentes das divulgadas.

Esse cenário ocorre enquanto reguladores sul-coreanos ampliam a supervisão do setor. Com efeito, medidas recentes indicam uma postura mais rígida em relação à conformidade e à proteção de investidores. A condenação de outro executivo por manipulação de preços de tokens reforça essa tendência.

Regulação avança e pode criar precedente

Nesse contexto, novas iniciativas regulatórias avançam no país. Autoridades discutem a criação de estruturas legais para ativos digitais e stablecoins, conforme diretrizes recentes. Além disso, movimentos globais de conformidade influenciam decisões locais, como evidenciado em ações envolvendo stablecoins e bloqueios de ativos descritos em medidas recentes.

Em conclusão, o desfecho do caso Delio pode estabelecer um precedente relevante. Caso a pena seja confirmada, a responsabilização de executivos no setor tende a se tornar mais rigorosa. Enquanto isso, investidores seguem pressionando por respostas concretas desde a suspensão dos saques em 2023.