Coreia do Sul propõe trava após erro com Bitcoin
Um erro operacional envolvendo Bitcoin reacendeu o debate regulatório na Coreia do Sul. Após o episódio, o Banco da Coreia (BOK) passou a defender mudanças nas regras das exchanges, com o objetivo de reforçar mecanismos de proteção e reduzir riscos no mercado de criptomoedas.
O incidente ocorreu na Bithumb, uma das maiores exchanges do país. Segundo a autoridade monetária, falhas nos controles internos permitiram a execução de uma operação incorreta, o que intensificou preocupações sobre a robustez do setor em comparação ao sistema financeiro tradicional.
Erro operacional expõe fragilidades em exchange
Falha humana gerou distorções no mercado interno
O episódio ocorreu em 6 de fevereiro, quando um funcionário da Bithumb processou de forma equivocada recompensas de um evento promocional. Em vez de utilizar o won sul-coreano, a operação foi registrada em Bitcoin, resultando na distribuição indevida de valores muito superiores ao planejado.
Embora relatos iniciais mencionem volumes expressivos, o próprio contexto indica que se tratou de um erro de unidade, e não da transferência literal de centenas de milhares de Bitcoins. Ainda assim, o impacto foi imediato dentro da plataforma.
Assim que usuários identificaram os créditos inesperados, parte deles vendeu rapidamente os ativos. Como resultado, o preço do Bitcoin na exchange sofreu forte distorção. Ao mesmo tempo, ordens automáticas e liquidações de empréstimos ampliaram a pressão vendedora.
Além disso, posições alavancadas foram encerradas automaticamente, já que a queda abrupta reduziu o valor das garantias. Esse efeito em cascata contribuiu para perdas relevantes entre usuários.
A Bithumb levou cerca de 20 minutos para identificar o problema e iniciou as correções pouco depois. No entanto, nesse intervalo, os efeitos já haviam se espalhado pelo sistema.
“A principal causa foi a ausência de sistemas de controle interno capazes de prevenir riscos operacionais desse tipo. Em comparação com instituições financeiras tradicionais, o setor de ativos digitais possui controles mais fracos e padrões regulatórios inferiores”, afirmou o Banco da Coreia.
Banco da Coreia sugere circuit breakers para criptomoedas
Medidas incluem pausas automáticas e monitoramento contínuo
Diante do episódio, o Banco da Coreia incluiu recomendações em seu Relatório de Pagamentos e Liquidações de 2025. Entre elas, destaca-se a adoção de circuit breakers em exchanges de criptomoedas.
Esse mecanismo, já utilizado no mercado acionário, interrompe negociações em momentos de volatilidade extrema. Conforme o modelo sugerido, inspirado na Korea Exchange, as operações seriam suspensas por 20 minutos caso o mercado registre queda superior a 8% e mantenha esse nível por ao menos um minuto.
Além disso, o banco central defende melhorias nos sistemas internos das plataformas. A proposta inclui monitoramento em tempo real, com verificação contínua entre registros internos e saldos na blockchain. Atualmente, muitas exchanges realizam essa checagem apenas uma vez ao dia, o que amplia riscos operacionais.
Paralelamente, a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul determinou novas exigências. As exchanges deverão implementar sistemas de correspondência de ativos até maio de 2026. Também será obrigatória a divulgação diária de saldos, com o objetivo de aumentar a transparência.
Em suma, o caso da Bithumb reforça preocupações estruturais no mercado de criptomoedas. Para o Banco da Coreia, medidas como pausas automáticas e controles mais rígidos podem reduzir falhas operacionais e mitigar impactos sistêmicos no futuro.