CoreWeave avança com 133 MW de IA da Galaxy

As ações da CoreWeave avançaram depois que a Galaxy Digital colocou o campus Helios, no oeste do Texas, em operação comercial como polo de data center para inteligência artificial. O papel fechou o pregão a US$ 86,46, com alta de 5,77%. No pré-mercado, contudo, recuava para US$ 85,20, queda de 1,46%.

Assim, o mercado passou a precificar um marco relevante para a expansão de energia de longo prazo destinada a cargas de IA. Ao mesmo tempo, o movimento reforça a aproximação entre duas empresas que nasceram em segmentos ligados ao mercado cripto.

Cartão de ações da CoreWeave CRWV

Dados de mercado: CRWV

Helios inicia receita contratada para data centers de IA

A Galaxy concluiu a primeira etapa de entrega de energia em Helios. A empresa informou que cerca de 200 MW de energia bruta já atendem à CoreWeave. Esse volume sustenta 133 MW de carga crítica de TI dentro de um contrato de locação com prazo de 15 anos.

Com isso, o projeto saiu da fase de desenvolvimento e entrou na operação comercial. Além disso, a Galaxy passou a reconhecer a receita de aluguel da fase I no segundo trimestre de 2026. Em outras palavras, o campus começou a gerar receita contratada de data center.

A empresa afirmou que entregou a fase I dentro do cronograma e do orçamento previstos. Dessa forma, a Galaxy reforça sua capacidade de execução em infraestrutura de IA em escala hyperscale. Para a CoreWeave, por sua vez, a nova estrutura amplia a oferta de capacidade para atender à demanda por computação de alta densidade.

Esse avanço também destaca o peso estratégico da energia no setor. Afinal, a disponibilidade elétrica se tornou um dos principais ativos para operadores de data centers voltados à inteligência artificial e à computação de alto desempenho.

Conversão de mineração para IA e HPC ganha escala

O campus Helios surgiu como uma grande instalação de mineração de Bitcoin. Entretanto, a Galaxy adquiriu o ativo da Argo Blockchain em 2022 e decidiu convertê-lo para cargas de inteligência artificial e HPC, sigla para computação de alto desempenho.

Assim, Helios passou a cumprir uma função muito diferente da original. O movimento, aliás, reflete uma transformação mais ampla entre empresas ligadas à mineração, que passaram a redirecionar terrenos e capacidade energética para data centers de IA.

A própria CoreWeave tem trajetória semelhante. Anteriormente, a companhia atuou na mineração de Ethereum antes de expandir sua operação de nuvem com GPUs. Portanto, o contrato em Helios conecta duas empresas que reformularam seus modelos de negócio em resposta à nova demanda tecnológica e ao novo ciclo de infraestrutura.

Nesse contexto, o uso de antigos sites de mineração para IA ganhou apelo econômico. Isso ocorre porque esses locais já contam com acesso robusto à rede elétrica, além de espaço físico relevante e potencial de expansão.

Próximas fases elevam capacidade e receita projetada

A Galaxy já iniciou as obras greenfield da fase II em Helios. Essa etapa deve acrescentar 260 MW de carga crítica de TI. Segundo a companhia, a entrega das salas de dados deve começar no primeiro semestre de 2027.

Considerando as fases I, II e III, a CoreWeave já assumiu compromisso de 526 MW de carga crítica de TI. Esse total corresponde aos 800 MW de energia bruta atualmente aprovados e contratados no campus Helios. Além disso, os contratos de locação mantêm prazo de 15 anos e incluem duas opções de extensão de cinco anos cada.

A Galaxy projeta que a capacidade já contratada poderá gerar mais de US$ 1 bilhão em receita média anual. O campus ocupa mais de 2.200 acres no oeste do Texas, conta com 1,63 GW de capacidade energética aprovada e pode alcançar 3,6 GW em uma expansão futura.

Com efeito, Helios se consolida como um dos principais ativos de infraestrutura da Galaxy. Ao mesmo tempo, a operação fortalece a expansão da CoreWeave em capacidade dedicada a IA, tema que segue no centro do interesse do mercado em 2026.

Financiamento de US$ 1,4 bilhão sustenta expansão

Para viabilizar a expansão, a Galaxy garantiu US$ 1,4 bilhão em financiamento de projeto e também comprometeu US$ 350 milhões de capital próprio. Esses recursos financiaram a conversão da antiga estrutura de mineração de Bitcoin em uma plataforma voltada para IA e HPC.

Além disso, o contrato anterior com a CoreWeave já embutia expectativa relevante de receita. A Galaxy havia estimado que o primeiro acordo poderia gerar aproximadamente US$ 4,5 bilhões ao longo de sua vigência. Isso representa algo perto de US$ 300 milhões por ano apenas com a locação inicial.

Desse modo, Helios passa a representar uma linha de negócios mais ligada ao crescimento da inteligência artificial do que às oscilações do mercado de criptomoedas. Ainda assim, a origem do ativo ilustra como a infraestrutura energética criada para mineração pode ganhar nova utilidade em ciclos diferentes.

Enquanto a fase I já gera receita desde o segundo trimestre de 2026, a Galaxy mantém a meta de acelerar as fases seguintes. Paralelamente, a receita média anual projetada para a capacidade contratada já supera US$ 1 bilhão, o que amplia a relevância estratégica do projeto para as duas empresas.

Nesse cenário, ativos antes associados à mineração de Bitcoin ganham novo valor no mercado digital. A conversão de Helios reforça como energia, escala e execução passaram a definir os vencedores da corrida por infraestrutura de IA.