Criptoativos ligados a Trump sobem após ofensiva dos EUA
O mercado de criptomoedas iniciou o ano sob forte influência de fatores geopolíticos e políticos. Criptoativos associados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registraram valorização relevante após uma operação militar norte-americana na Venezuela. Ao mesmo tempo, o episódio reacendeu debates sobre os limites institucionais do poder presidencial, elevando a atenção do mercado para discussões envolvendo um possível processo de impeachment.
O primeiro fim de semana do ano novo foi marcado por acontecimentos de grande impacto internacional. Segundo informações divulgadas, os Estados Unidos realizaram uma operação militar rápida contra a Venezuela após acusarem autoridades do país de envolvimento com atividades relacionadas ao narcotráfico. A ação incluiu ataques direcionados à capital, Caracas, e resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa.
Diante desse cenário, os mercados globais reagiram de forma imediata. Investidores passaram a reavaliar riscos geopolíticos, enquanto ativos digitais sensíveis ao noticiário político ganharam destaque. No setor cripto, o movimento se refletiu tanto nos grandes ativos quanto em tokens diretamente associados à figura do presidente americano.
Trump anuncia controle da indústria petrolífera venezuelana
Em seu primeiro pronunciamento oficial após a operação, Trump afirmou que os Estados Unidos passariam a administrar a indústria petrolífera da Venezuela. Segundo declarações feitas à imprensa, o país sul-americano possuiria mais de 300 bilhões de barris de petróleo, volume que, a preços de mercado, seria avaliado em mais de US$ 17 trilhões.
A declaração ampliou as reações políticas e econômicas ao episódio. Analistas destacaram que a fala representou uma mudança significativa no discurso oficial, já que o governo americano vinha negando qualquer intenção de intervenção direta ou de mudança de regime na Venezuela. Ainda assim, o pronunciamento reforçou a percepção de uma postura mais agressiva na política externa dos Estados Unidos.
Além disso, Trump afirmou que não informou previamente o Congresso sobre a operação militar. Segundo ele, a decisão teria sido motivada pelo receio de vazamento de informações sensíveis. Essa declaração provocou críticas imediatas de lideranças do Partido Democrata, que passaram a questionar a legalidade e a transparência da ação.
O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, classificou os ataques como “irresponsáveis” e alertou que qualquer plano dos Estados Unidos para governar a Venezuela deveria “incutir medo nos corações de todos os americanos”. Para Schumer, o episódio contradiz declarações anteriores do governo, que descartavam uma escalada militar na região.
Probabilidades de impeachment recuam apesar do ruído político
Após os ataques, alguns relatórios iniciais indicaram que as probabilidades de impeachment de Trump teriam atingido novos recordes históricos em plataformas de previsão política, como a Kalshi. No entanto, uma análise mais detalhada dos dados mais recentes aponta para um cenário menos extremo do que o inicialmente sugerido.
As probabilidades de um processo de impeachment, tanto na Kalshi quanto na Polymarket, apresentaram leve recuo desde o início do ano. Essa redução foi observada em diferentes horizontes temporais, incluindo previsões até junho de 2026, janeiro de 2027 e janeiro de 2028.
No caso específico da Polymarket, as chances de um impeachment até 31 de dezembro de 2026 diminuíram cerca de 3% após os ataques. Esse movimento sugere que, apesar do aumento do ruído político e das críticas institucionais, o mercado de previsões passou a precificar uma menor probabilidade de desdobramentos imediatos nesse sentido.
Esse comportamento indica que investidores e participantes dessas plataformas continuam avaliando o episódio como um fator de pressão política, mas ainda insuficiente para alterar de forma estrutural o cenário institucional no curto prazo.
Mercado cripto reage e tokens ligados a Trump disparam
Enquanto o debate político avançava, o mercado de criptomoedas respondeu de forma significativa aos acontecimentos. O Bitcoin voltou a ganhar força e ultrapassou a marca de US$ 91.000, alcançando esse nível pela primeira vez desde meados de dezembro. O movimento reforçou a leitura de que o ativo segue sensível a eventos macroeconômicos e geopolíticos de grande escala.
Além do Bitcoin, criptoativos diretamente associados à imagem de Donald Trump registraram forte valorização. O token WLFI avançou mais de 16% em um único dia, aproximando-se da faixa de US$ 0,18. O desempenho chamou atenção por ocorrer em meio a um ambiente político conturbado, reforçando o caráter especulativo desses ativos.
Já o token TRUMP voltou a figurar entre as 100 maiores altcoins em valor de mercado. O ativo subiu cerca de 7,5%, sendo negociado próximo de US$ 5,40. O retorno ao top 100 reflete o aumento do interesse dos investidores, impulsionado tanto pelo noticiário político quanto pelo movimento mais amplo de recuperação do mercado cripto.
Apesar da alta, analistas destacam que esses ativos seguem altamente voláteis e dependentes do fluxo de notícias. Assim, o desempenho recente reforça a conexão crescente entre política, geopolítica e comportamento dos mercados digitais.