Criptomoedas: casal é atacado em Alès, na França
Dois homens mascarados e armados invadiram a casa de um casal em Alès, no sul da França, devido à suposta posse de criptomoedas. Durante a madrugada, os criminosos exigiram que as vítimas transferissem ativos digitais. Em seguida, mantiveram o casal amarrado por mais de duas horas.
Durante a ação, os invasores ameaçaram as vítimas com uma arma de fogo e uma faca. Enquanto isso, o filho do casal permaneceu dentro da residência. As informações disponíveis não esclarecem se os criminosos conseguiram obter algum valor.
Polícia investiga invasão contra casal em Alès
Após ouvirem gritos vindos da casa, vizinhos acionaram rapidamente as autoridades. Em seguida, policiais da delegacia de Alès foram ao imóvel. Contudo, os suspeitos fugiram antes que os agentes conseguissem detê-los.
A Divisão Especializada e de Crime Organizado, conhecida pela sigla DCOS, de Nîmes, assumiu a investigação. Conforme as autoridades, as vítimas não possuem antecedentes criminais documentados. Também não há vínculos conhecidos do casal com redes organizadas de tráfico de drogas.
Os investigadores ainda não confirmaram se as vítimas realmente mantinham criptomoedas, nem qual seria o valor. Ainda assim, a polícia acredita que os invasores pretendiam explorar transações digitais. Por isso, as autoridades continuam procurando os dois criminosos.
Depois do ataque, as vítimas afirmaram que não manterão mais criptoativos. A decisão demonstra o medo provocado por episódios violentos contra detentores privados de ativos digitais. Ao mesmo tempo, o caso amplia o debate sobre proteção patrimonial e exposição de informações pessoais.
França registra aumento de crimes violentos
Relatos recentes apontam um crescimento dos ataques direcionados a detentores de criptomoedas na França. Em muitos casos, grupos criminosos usam informações pessoais roubadas ou vazadas para localizar possíveis vítimas. Assim, a exposição de endereços e dados financeiros aumenta os riscos de extorsão presencial.
Somente nos quatro primeiros meses de 2026, as autoridades registraram cerca de 47 casos de sequestro, cárcere privado ou tentativa de extorsão envolvendo criptomoedas. Até o fim de junho, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, contabilizou 77 episódios dessa natureza. Em comparação, um levantamento referente a todo o ano de 2025 apontou 45 ocorrências.
Já outro recorte indicou quase 80 agressões associadas a criptomoedas desde janeiro. Nesse período, as autoridades prenderam aproximadamente 200 pessoas após incidentes ou operações preventivas. A Promotoria Nacional de Combate ao Crime Organizado, conhecida como PNACO, citou 18 casos em 2024 e 67 em 2025.
Os levantamentos apresentam períodos e classificações diferentes. Por sua vez, a CertiK identificou 52 casos confirmados dos chamados ataques de chave inglesa no primeiro semestre de 2026. Desse total, 33 ocorreram na França, enquanto a Europa concentrou 39 episódios.
As invasões domiciliares também aumentaram de forma expressiva. Conforme a CertiK, os registros passaram de um caso no primeiro semestre de 2025 para 20 no mesmo período de 2026. Com isso, a França tornou-se o principal foco europeu desse tipo de violência.
Vazamentos de dados aumentam exposição das vítimas
No fim de agosto, criminosos mantiveram um homem em cativeiro durante duas horas em Jouy-en-Josas. Embora buscassem milhões, os invasores deixaram o local com 3 mil euros. O episódio reforçou os alertas sobre ataques baseados em informações financeiras.
Mais cedo naquele mês, uma invasão em Rion-des-Landes teria como objetivo acessar grandes quantidades de Bitcoin e outros ativos digitais. Na ocasião, o caso também levantou suspeitas sobre o uso de dados vazados. Paralelamente, incidentes de segurança digital ampliaram a preocupação das autoridades francesas.
Em agosto, surgiram relatos de que um hacker anunciou registros fiscais de mais de 678 mil pessoas e entidades. Os dados teriam saído dos sistemas da autoridade tributária francesa, a DGFiP. Entre as informações expostas estavam nomes, endereços e dados de renda.
A CertiK também citou o caso de um funcionário da DGFiP acusado de extrair perfis de detentores de criptomoedas de bancos de dados governamentais. Segundo a empresa, ele pretendia vender essas informações a grupos criminosos. Dessa maneira, registros oficiais poderiam facilitar a seleção e a localização de vítimas.
Em outra frente, Wall Street avança no desenvolvimento de soluções Web3, embora os mercados tradicionais ainda dependam de intermediários e corretoras. Nesse contexto, plataformas como a 1stepSwap oferecem ações de empresas dos Estados Unidos, ouro e prata por meio de carteiras digitais. Esses produtos usam ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs, além de mecanismos automatizados para formação de preços.
Diante do aumento dos casos, investigadores continuam rastreando redes criminosas que exploram ativos digitais e informações pessoais vazadas. Ao mesmo tempo, potenciais vítimas reavaliam suas estratégias de privacidade e segurança patrimonial. Assim, o cenário francês evidencia a ligação crescente entre vazamentos de dados, extorsão e violência presencial.