Criptomoedas dominam posts de influenciadores, depois das ações

As ações voltaram a ser o principal produto de investimento citado por influenciadores financeiros nas redes sociais no segundo semestre de 2025. A 10ª edição do estudo FInfluence, estudo da Anbima realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), mostra as menções ao ativo cresceram mais de 400% em relação ao semestre anterior, chegando a cerca de 130 mil registros.

Logo depois, vem as criptomoedas que consolidaram sua presença nas redes sociais como um dos principais temas do mercado financeiro. Dados preliminares indica que os ativos digitais foram o segundo produto financeiro mais mencionado por influenciadores no segundo semestre de 2025.

Volume não basta

As ações lideraram o ranking de menções, com 129,96 mil registros. Em seguida vieram criptomoedas, com 56,86 mil, câmbio, com 36,6 mil, fundos, com 20,94 mil, e ouro, com 16,86 mil. Apesar disso, o engajamento médio por publicação foi maior em produtos menos citados.

Ainda assim, o levantamento indica crescimento consistente do interesse por conteúdos de investimento, impulsionado sobretudo pelo desempenho mais positivo da bolsa brasileira e pelo aumento das discussões sobre oportunidades de valorização.

Além disso, outros produtos financeiros também apareceram nas publicações, como câmbio, fundos de investimento, ouro, commodities, renda fixa, fundos imobiliários, poupança e previdência privada. Contudo, todos esses temas tiveram volume de citações inferior quando comparados a ações e criptomoedas.

Alta visibilidade não se traduz em engajamento

Apesar da forte presença nas redes sociais, as criptomoedas não lideram em engajamento médio por publicação. Os conteúdos sobre ativos digitais registraram cerca de 2.730 interações por post, ficando atrás de diversas categorias menos mencionadas.

As ações, embora liderem em volume de citações, também apresentaram desempenho moderado em engajamento, com média de 3.017 interações por publicação. Dessa forma, os dados reforçam que visibilidade e interesse efetivo do público não caminham necessariamente juntos.

Popularidade não garante conexão com o público

Segundo a Anbima, há uma diferença clara entre quantidade de menções e nível de engajamento. Produtos como previdência privada, poupança e renda fixa tiveram menor presença nas postagens. Ainda assim, registraram os maiores níveis de interação, variando entre 6 mil e 7,6 mil por publicação.

Da mesma forma, fundos de investimento, ouro e fundos imobiliários também superaram criptomoedas e ações nesse critério, com média próxima de 5 mil interações por post. Portanto, o formato e a abordagem do conteúdo exercem papel decisivo no desempenho.

Forma de apresentação influencia o desempenho

Amanda Brum, CMO da Anbima, afirma que esse comportamento já apareceu em outras edições do levantamento. Para ela, o dado mostra que o público não reage apenas ao nome do produto, mas à forma como ele é inserido em uma discussão de carteira, proteção ou planejamento.

“Ao longo das edições do FInfluence, há um padrão consistente: o produto mais citado não é o que desperta mais interesse da audiência. Isso acontece porque a atenção não está no ativo isolado, mas na forma como ele é contextualizado. Isso gera uma conexão mais duradoura, independentemente do volume de menções”, afirma Amanda Brum, CMO da Anbima.

Além disso, o estudo aponta que as criptomoedas frequentemente aparecem associadas a outros ativos, como ações, câmbio e ouro, principalmente em conteúdos que abordam cenário econômico e estratégias de carteira. Assim, os influenciadores ampliam o contexto das análises e atraem diferentes perfis de investidores.

Desafio das criptomoedas no ambiente digital

No caso específico das criptomoedas, o levantamento reforça que o tema segue relevante no debate digital. No entanto, ainda enfrenta dificuldades para converter visibilidade em engajamento mais profundo. Mesmo na segunda posição em número de menções, os ativos digitais aparecem apenas na décima colocação quando o critério é interação média.

Por outro lado, produtos mais tradicionais tendem a gerar maior conexão com o público, em grande parte por serem apresentados de forma mais didática ou alinhada às necessidades dos investidores. Nesse sentido, o estudo sugere que a estratégia de comunicação pode ser tão relevante quanto o ativo abordado.

Em suma, os dados mostram que as criptomoedas permanecem entre os temas mais discutidos nas redes sociais. Ainda assim, a forma de apresentação segue como fator determinante para atrair atenção e gerar engajamento consistente.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas