Criptomoedas rastreadas crescem 151,94% em um ano

O número de criptomoedas rastreadas globalmente avançou mais de 150% em cerca de um ano. O movimento ocorreu durante um período de maior volatilidade no mercado. Com isso, a quantidade de projetos acompanhados alcançou um patamar recorde.

Segundo os dados da CoinMarketCap, o total passou de 23,45 milhões para 59,08 milhões. As medições consideram o intervalo entre 4 de setembro de 2025 e 2 de setembro de 2026. No período, a plataforma registrou um crescimento de 151,94%.

Redes de baixo custo aceleram novos lançamentos

O crescimento ganhou força por volta de março de 2026. Nesse avanço, a contagem subiu de aproximadamente 39 milhões para mais de 46 milhões. Depois, o total alcançou 52,8 milhões em junho.

Por sua vez, a medição do início de setembro indicou um recorde superior a 59 milhões. Na prática, os números mostram a velocidade dos lançamentos, mas não medem a qualidade dos projetos. Tampouco indicam que todos os itens rastreados mantêm negociações regulares.

Entre os fatores desse movimento estão redes blockchain com taxas reduzidas e ferramentas automatizadas para criação de projetos. Launchpads sem código também diminuíram as barreiras técnicas para novos lançamentos. Desse modo, Solana, Base e BNB Chain se consolidaram como polos relevantes dessa atividade.

Ao mesmo tempo, a expansão das memecoins alimentou milhões de iniciativas especulativas. Esses projetos podem chegar ao mercado rapidamente e com poucos recursos técnicos. Além disso, plataformas especializadas permitem criar e disponibilizar novos itens em poucos minutos.

Maioria dos projetos perde atividade

Apesar do crescimento, a expansão não resultou em sucesso de longo prazo para a maioria dos projetos. Muitos deles enfrentam dificuldades para conquistar usuários, atrair liquidez ou sustentar operações. Ainda assim, cada lançamento pode integrar as estatísticas das plataformas de rastreamento.

Uma pesquisa da CoinGecko analisou quase 20,2 milhões de projetos lançados entre meados de 2021 e o fim de 2025. De acordo com o levantamento, 53,2% já não registravam negociações ativas. Portanto, mais da metade deixou de apresentar atividade no mercado.

Nesse recorte, cerca de 11,6 milhões de falhas ocorreram somente em 2025. Esse volume representou aproximadamente 86% de todas as interrupções registradas durante o período analisado. Somente esse resultado mostra a elevada rotatividade entre os projetos recém-lançados.

Os números do launchpad Pump.fun, baseado em Solana, apresentam um cenário ainda mais severo. Conforme os dados sobre a plataforma, entre 68% e 69% fazem sua última negociação no dia do lançamento. Em paralelo, aproximadamente 80% deixam de registrar negociações em até dois dias.

Apenas cerca de 4,55% permanecem ativos depois de 90 dias. Além disso, a curta duração indica que boa parte dos lançamentos não desenvolve um mercado sustentável. Embora a criação seja simples, a permanência depende de liquidez, demanda e atividade contínua.

Valor de mercado permanece concentrado

Enquanto a quantidade de projetos cresce, a capitalização do mercado permanece concentrada em poucos nomes estabelecidos. O Bitcoin manteve dominância próxima de 60% durante grande parte de 2026. Já o Ethereum respondeu por outra parcela relevante do valor total.

As principais stablecoins e algumas criptomoedas de grande capitalização também concentram uma fatia significativa do setor. Em conjunto, esses projetos representam a maior parte do valor disponível no mercado. Portanto, a multiplicação de lançamentos não alterou de forma proporcional a distribuição da capitalização.

Os dados revelam duas tendências simultâneas no mercado de criptomoedas. De um lado, ferramentas acessíveis aceleram a criação de novos projetos. De outro, a maioria não consegue manter negociações por períodos prolongados.