Criptomoedas: regulação, sanções e ataques na semana
O mercado de criptomoedas teve uma semana marcada por avanços regulatórios, sanções financeiras e incidentes de segurança. Enquanto a Bolívia negociou regras para ativos virtuais com o FMI, autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido ampliaram a fiscalização. Ao mesmo tempo, a CoinEx anunciou o encerramento gradual de suas operações. Já o Metro de Medellín recuperou sua conta no X após um acesso não autorizado.
Nesse cenário, as medidas afetam empresas, operadores e usuários do mercado cripto. Além disso, os episódios expõem desafios relacionados à supervisão financeira e à proteção de perfis institucionais. Assim, regulação e segurança permaneceram entre os principais temas do setor durante a semana.
Pressão regulatória avança em diferentes mercados
Bolívia assume compromisso regulatório com o FMI
O governo boliviano formalizou um compromisso com o Fundo Monetário Internacional para desenvolver regras de supervisão das criptomoedas. A iniciativa busca reduzir riscos de saída indevida de capitais por mercados de ativos virtuais. Com isso, o país pretende reforçar a resiliência de seu sistema financeiro. O plano também prevê maior controle sobre os operadores do setor.
“Com o objetivo de mitigar riscos de saída indevida de capitais por meio dos mercados de criptoativos, será desenvolvido um marco regulatório e de supervisão de ativos virtuais robusto para impedir vazamentos e garantir a resiliência financeira.”
O Memorando de Políticas Econômicas e Financeiras ainda não cria uma lei ou um regulamento. No entanto, o documento estabelece um compromisso formal para o desenvolvimento de normas específicas. Essas regras deverão alcançar empresas e pessoas que operam com ativos virtuais na Bolívia.
Estados Unidos sancionam exchange iraniana BitBank
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra a BitBank, exchange iraniana controlada pelo financista Babak Zanjani. A acusação envolve pagamentos recebidos de navios em troca de garantias de passagem segura pelo Estreito de Ormuz. Segundo o Tesouro, a plataforma canalizou centenas de milhões de dólares em Bitcoin ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. A medida integra os esforços norte-americanos contra a evasão de sanções.
Entre junho e julho, a BitBank teria operado como mecanismo de cobrança da Autoridade de Serviços Marítimos Hormuz Safe. O Irã apresenta a entidade como um serviço de seguro para embarcações que atravessam o estreito. Entretanto, Washington descreve a operação como um esquema de extorsão disfarçado.
FCA mira operações entre pares em Londres
Por sua vez, a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, a FCA, realizou operações contra o comércio ilegal de criptomoedas entre pares em Londres. A ação contou com a participação da HM Revenue & Customs e do Serviço de Polícia Metropolitana. Durante a operação, as autoridades visitaram três estabelecimentos suspeitos de facilitar negociações irregulares. A fiscalização faz parte da repressão britânica a serviços não autorizados.
Os três locais receberam cartas que determinam a interrupção das atividades investigadas. Contudo, a medida não representa, isoladamente, uma condenação criminal. Ela formaliza a suspensão das operações durante as verificações e eventuais investigações.
CoinEx prepara fechamento e perfil institucional é invadido
CoinEx define prazo para retirada de recursos
A CoinEx confirmou o encerramento gradual de sua exchange após nove anos de atividade. A empresa interrompeu novos cadastros e estabeleceu 22 de dezembro de 2026 como prazo final para retiradas. Conforme o comunicado, as operações cessarão em 15 de setembro de 2026. A plataforma atribuiu a decisão à pressão regulatória e às condições do mercado.
Após o anúncio, a plataforma suspendeu imediatamente a abertura de novas contas. Em seguida, os contratos futuros entraram no modo de somente redução, que permite apenas o fechamento de posições existentes. A exchange também bloqueou novas adesões a serviços fiduciários, operações de margem, empréstimos e produtos de rendimento. Portanto, os clientes deverão organizar a retirada dos recursos dentro do cronograma divulgado.
Conta do Metro de Medellín divulga publicações indevidas
A conta oficial do Metro de Medellín no X sofreu um acesso temporário não autorizado. Durante o incidente, o perfil institucional publicou conteúdos relacionados a criptomoedas, tema alheio às comunicações habituais da empresa. Depois de recuperar o acesso, o Metro recomendou cautela aos usuários que abriram os links divulgados. A empresa também confirmou que as publicações ocorreram em massa.
Posteriormente, a empresa orientou o público a não fornecer informações pessoais ou financeiras por meio desses links. A recomendação busca reduzir os riscos para quem interagiu com as publicações durante a invasão. Ainda assim, o material não informa se algum usuário sofreu perdas financeiras. O caso reforça a importância de proteger contas institucionais usadas para comunicação com o público.