Crise da BitRiver expõe risco de falência na Rússia
A BitRiver, maior empresa de mineração de Bitcoin da Rússia, enfrenta uma grave crise financeira após o tribunal regional de Sverdlovsk iniciar supervisão sobre sua controladora. A ação ocorreu depois de uma cobrança de US$ 9,2 milhões feita pela subsidiária En+ Infrastructure of Siberia.
A decisão marcou uma mudança brusca para a companhia, que havia registrado mais de US$ 129 milhões em receita no ano anterior. Além disso, operava 533 MW em 15 data centers equipados com mais de 175 mil máquinas.
O processo surgiu devido a um contrato entre a Fox Group, controladora da mineradora, e a Infrastructure of Siberia. A Fox afirma ter pago mais de 700 milhões de rublos como adiantamento por equipamentos que não foram entregues. Assim, a empresa encerrou o acordo e exigiu o reembolso com multas por atraso.
Decisões anteriores do Tribunal de Arbitragem da Região de Irkutsk determinaram devolução integral do valor. No entanto, o CEO da mineradora, Igor Runets, contesta essa tese e declara que a entrega ocorreu. Ele afirma ainda que a Fox Group recorre da decisão e que parte das perdas provocadas por paralisações em dezembro pode ser recuperada por ações contra a En+.
Apesar das alegações, investigações sobre a controladora apontam ausência de ativos suficientes para cumprir exigências judiciais, o que motivou o pedido de falência. Além disso, contas bancárias das empresas envolvidas foram congeladas, criando um cenário de risco elevado.
Proibições regionais ampliam o impacto sobre a mineradora
A crise se intensifica devido a restrições regionais impostas ao setor. Data centers localizados na região de Irkutsk foram paralisados após a aprovação de uma proibição à mineração no sul do território. Além disso, um centro de 100 MW em Buriátia nunca entrou em operação, enquanto um bloqueio total ao setor começa a valer no local em 2026.

Fonte: Tadviser
Outro revés surgiu em 2025, quando autoridades fecharam um site de 40 MW em Inguchétia que seguia ativo mesmo após proibição. Além disso, disputas sobre contas de energia atrasadas pressionam ainda mais as operações.
Desde agosto de 2025, a elétrica do grupo Faraday perdeu o direito de atuar no mercado atacadista. Paralelamente, tribunais analisam cobranças superiores a 773 milhões de rublos em multas relacionadas a atrasos em pagamentos.
Detenção do CEO agrava clima de instabilidade
A situação ficou ainda mais complexa após a detenção do fundador e CEO, Igor Runets, acusado de evasão fiscal. Ele enfrenta três acusações relacionadas à suposta ocultação de ativos para evitar tributos, permanecendo em prisão domiciliar enquanto sua defesa prepara recurso.
A mineradora também sofre efeitos de sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos desde 2022, que limitaram seu acesso a parceiros do Ocidente. Em 2023, o grupo japonês SBI encerrou sua relação comercial ao retirar investimentos da Rússia.
No entanto, a demanda por infraestrutura de mineração segue alta no país. O consumo de energia de mineradoras e data centers conectados à rede cresceu 33% em 2025, alcançando 4 GW segundo o Operador do Sistema. Projeções indicam expansão anual superior a 14% no mercado de data centers até 2031.
No curto prazo, o caso evidencia como disputas judiciais, dificuldades com fornecedores de energia e restrições regionais podem comprometer o setor como um todo. Além disso, o congelamento de contas e as acusações contra Runets ampliam a incerteza e elevam o risco de falência.