CryptoQuant: Bitcoin em exchanges cai ao nível de 2019

As reservas de Bitcoin em exchanges caíram para 2.666.753 BTC, o menor nível desde agosto de 2019. Ainda assim, o mercado de 2026 mostra uma estrutura diferente, com preço mais alto, demanda institucional e novos canais de exposição ao ativo.

Dados da CryptoQuant indicam que as reservas de Bitcoin mantidas em exchanges voltaram ao menor patamar em quase sete anos. O volume disponível nessas plataformas caiu para 2.666.753 BTC, faixa observada em agosto de 2019. No entanto, a semelhança termina no número de moedas sob custódia.

Naquele período, o Bitcoin era negociado perto de US$ 9.430. Agora, com o mesmo nível de reservas em exchanges, o ativo circula em torno de US$ 77.300. Assim, o mercado convive com uma oferta comparável à de 2019, mas com preço mais de oito vezes superior.

Esse contraste importa porque a redução de moedas nas exchanges costuma indicar menor pressão de venda imediata. Além disso, em ciclos anteriores, esse movimento frequentemente coincidiu com fases de retomada de alta. Contudo, os indicadores atuais sugerem que a escassez de oferta, sozinha, não explica o comportamento do mercado em 2026.

Oferta menor não repete o ciclo anterior

Em 31 de agosto de 2019, o indicador Bull-Bear Market Cycle da CryptoQuant marcava +0,83, dentro da zona de alta. Ao mesmo tempo, a média móvel de 30 dias permanecia acima de 1,0. Essa leitura apontava demanda suficiente para absorver a oferta disponível nas exchanges.

Além disso, a média móvel de 365 dias estava em -0,206. Embora o dado ainda fosse negativo, as métricas de curto prazo já mostravam melhora. Em outras palavras, a queda das reservas ocorria quando os sinais de demanda começavam a se fortalecer.

Gráfico da CryptoQuant sobre reserva de Bitcoin em exchanges

Fonte: CryptoQuant

Em maio de 2026, porém, o cenário mudou. O mesmo indicador está em -0,379, ainda na zona de baixa. Da mesma forma, a média móvel de 30 dias marca -0,375, enquanto a média de 365 dias aparece em -0,323. Portanto, nem o curto nem o longo prazo confirmaram uma virada clara de tendência.

Assim, a leitura atual mostra um mercado com oferta comprimida, mas sem a mesma resposta de demanda observada no ciclo anterior. Ainda que a saída de BTC das exchanges continue relevante, o ambiente técnico permanece mais fraco do que em 2019.

Indicadores técnicos expõem a diferença central

O ponto mais importante está na combinação entre escassez e apetite comprador. Em 2019, esses dois fatores caminharam na mesma direção. Agora, em contraste com aquele período, apenas a restrição de oferta aparece com nitidez. A demanda, por sua vez, ainda não replicou o padrão clássico de um ciclo de alta.

Indicador de ciclo de mercado do Bitcoin

Fonte: CryptoQuant

Por isso, a simples comparação entre as reservas de 2019 e 2026 pode levar a conclusões apressadas. Afinal, o número de moedas em exchanges representa apenas uma parte da equação. O comportamento do capital institucional, a forma de acesso ao ativo e o ritmo de absorção da oferta alteraram profundamente essa dinâmica.

ETFs spot mudaram a dinâmica do Bitcoin

Uma das principais diferenças em relação a 2019 é a presença dos ETFs spot de Bitcoin, aprovados em janeiro de 2024. Antes disso, investidores institucionais dependiam mais diretamente das exchanges para ganhar exposição ao ativo. Agora, entretanto, parte dessa demanda pode entrar no mercado por canais regulados, sem passar da mesma forma pelo livro de ordens das plataformas centralizadas.

Segundo a CryptoQuant, a reserva de Bitcoin em exchanges caiu de cerca de 3,25 milhões de BTC no início de 2024 para 2.666.753 BTC no nível atual. Como resultado, mais de 500 mil BTC deixaram as carteiras dessas plataformas desde o começo da era dos ETFs.

Gráfico sobre reservas de Bitcoin durante a era dos ETFs

Fonte: CryptoQuant

Ademais, os dados históricos citados pela plataforma mostram que as reservas continuaram caindo mesmo quando o Bitcoin corrigiu a partir da faixa de US$ 120.000. Esse comportamento chama atenção porque, em ciclos de baixa anteriores, a redução persistente do estoque nas exchanges não aparecia com a mesma clareza.

Mercado avalia a qualidade da demanda institucional

O debate central, portanto, gira em torno da qualidade da demanda. Os ETFs spot ampliaram o acesso institucional e remodelaram a estrutura do mercado. Ainda assim, permanece a dúvida sobre a capacidade desses fluxos de substituir a demanda típica de um ciclo tradicional de alta, como o observado em 2019.

Em suma, os dados mais recentes combinam reserva de 2.666.753 BTC em exchanges, preço ao redor de US$ 77.300, indicador de ciclo em -0,379 e médias de 30 e 365 dias em -0,375 e -0,323, respectivamente. Ao mesmo tempo, os ETFs spot aprovados em janeiro de 2024 seguem como a principal mudança estrutural deste ciclo.

Dessa forma, a queda das reservas continua relevante para o Bitcoin. No entanto, os indicadores pedem cautela. A oferta encolheu, mas a demanda ainda não confirmou a força vista no passado. O mercado de 2026, portanto, está mais institucionalizado, menos previsível e tecnicamente diferente daquele de agosto de 2019.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas