CryptoQuant: Bitcoin enfraquece ante alta das bolsas
Bitcoin perdeu força em maio de 2026, enquanto bolsas globais seguiram perto das máximas. Saídas dos ETFs à vista e queda nos endereços ativos reforçaram a perda de liquidez do mercado.
Em maio de 2026, os mercados acionários ganharam novo impulso. Enquanto o S&P 500 e as ações japonesas operam perto das máximas, o Bitcoin mostra dificuldade para sustentar o mesmo ritmo. Assim, a divergência entre ações e BTC ficou mais visível nas últimas semanas.
Embora investidores classifiquem ambos como ativos de risco, a diferença atual vai além da correlação tradicional. A CryptoQuant atribui esse descompasso às estruturas que atraem capital para cada mercado.
Liquidez do BTC perde força diante das ações
Em primeiro lugar, a alta recente das bolsas não ocorreu de forma ampla e uniforme. Grande parte do avanço dos índices ficou concentrada em empresas de mega capitalização ligadas à inteligência artificial, como a NVIDIA. Além disso, o movimento recebeu suporte de investimento corporativo, recompras de ações e entradas em ETFs de renda variável.
Nesse ambiente, o investidor encontra perspectivas mais concretas de crescimento de lucro. No caso do Bitcoin, contudo, a dinâmica segue outro caminho. O ativo não apresenta balanços, fluxo de caixa ou resultados trimestrais que funcionem como âncora para a tese de investimento.
Por isso, o preço do BTC depende em grande medida da entrada de nova liquidez e da chegada de novos participantes. Segundo a CryptoQuant, essas duas condições perderam força nas últimas semanas. Dessa forma, o Bitcoin não acompanhou o fôlego das bolsas, mesmo em um cenário de maior apetite por risco.
ETFs à vista e atividade on-chain indicam desaceleração
Os ETFs à vista de BTC registraram saídas expressivas na segunda metade de maio. Em outras palavras, parte do capital que entrou no mercado por veículos regulados voltou a sair pelo mesmo canal. Esse movimento enfraqueceu um dos principais vetores de demanda observados nos ciclos recentes.
Ao mesmo tempo, os dados on-chain mostraram um quadro ainda mais fraco. Em apenas duas semanas, os endereços ativos do Bitcoin caíram 39,80%, de 821 mil para 494 mil em 26 de maio. Como resultado, a atividade transacional desacelerou e a participação efetiva na rede perdeu intensidade.
A série histórica compartilhada pela CryptoQuant reforça essa leitura. Desde 2024, os endereços ativos seguem tendência de baixa, enquanto o S&P 500 continua renovando máximas. Ainda que o preço do Bitcoin permaneça em nível elevado, a atividade da rede não acompanhou o mesmo ritmo.

Fonte: CryptoQuant
Capital busca lucro mais previsível
Na avaliação da CryptoQuant, o capital está migrando para ativos com crescimento de lucro mais claro. As ações se encaixam nessa definição no momento. Já o Bitcoin, por enquanto, não oferece o mesmo tipo de sinal para o investidor tradicional.
Ademais, o enfraquecimento também apareceu no segmento de finanças descentralizadas. Em maio, os endereços ativos de WBTC atingiram a mínima de 2026. A média móvel de sete dias caiu para 2.134 em 21 de maio. Isso sugere que o canal que leva liquidez do Bitcoin para mercados de empréstimo e garantia no ecossistema Ethereum perdeu tração.
Em ciclos anteriores de alta, os preços subiam junto com a atividade dos usuários. Agora, entretanto, o quadro mudou. Os preços seguem relativamente elevados, mas a participação subjacente mostra sinais claros de desgaste. Esse descompasso aumenta a cautela entre analistas e investidores.
O que pode fazer o BTC reagir
A força do mercado acionário, isoladamente, não deve resolver a fraqueza do Bitcoin. Segundo a análise, uma recuperação mais consistente exigiria entradas mais robustas em ETFs, retomada da atividade on-chain, melhora no Coinbase Premium e um ambiente de dólar mais fraco.
No entanto, nenhum desses fatores aparece hoje de forma relevante. Portanto, a principal questão para as próximas semanas não envolve apenas a continuidade da alta das ações. O ponto central está em saber se a demanda específica por Bitcoin voltará a crescer.
Em resumo, os dados citados apontam um mercado com saídas dos ETFs à vista, queda de 39,80% nos endereços ativos do Bitcoin, recuo da participação on-chain desde 2024 e enfraquecimento adicional da liquidez em WBTC, cuja média móvel de sete dias caiu para 2.134 em 21 de maio.