CryptoQuant: mineradores pressionam Bitcoin
O Bitcoin enfrenta dificuldade para sustentar níveis acima de US$ 70.000, ao passo que tenta defender a região de US$ 65.000. Ainda que tenha apresentado leve recuperação recente, o mercado segue cauteloso. Conforme análise da CryptoQuant, a fraqueza atual não está ligada principalmente ao sentimento, aos fluxos de ETFs ou ao cenário macroeconômico, mas sim a um fator estrutural associado à mineração.
Dados recentes indicam uma mudança relevante na relação histórica entre preço e comportamento dos mineradores. Tradicionalmente, a alta do ativo reduzia a pressão de venda, já que a rentabilidade aumentava. Por outro lado, quedas de preço costumavam elevar as vendas. No entanto, essa correlação parece ter se enfraquecido a partir da segunda metade de 2025.
Atualmente, o movimento sugere uma inversão. Mesmo com preços mais baixos, o volume de vendas por mineradores permanece elevado. Em outras palavras, a liquidação tende a ocorrer por necessidade operacional, e não apenas por estratégia. Esse cenário reflete custos elevados e margens comprimidas.
Pressão estrutural limita reação do mercado
A análise aponta que os mineradores não estão expandindo operações. Pelo contrário, continuam vendendo Bitcoin para cobrir despesas como energia, manutenção e infraestrutura. Além disso, a estabilidade da taxa de hash indica ausência de crescimento relevante no setor, o que reforça a leitura de pressão estrutural.
Em contraste com ciclos anteriores, esse comportamento não caracteriza um evento isolado de capitulação. Em vez disso, indica uma pressão persistente. Isso ocorre porque há um descompasso contínuo entre custos operacionais e receitas. Portanto, enquanto essa diferença persistir, a tendência é de vendas recorrentes.
Como resultado, o mercado enfrenta um fluxo constante de oferta. Não se trata de uma venda pontual de grande escala, mas de um volume contínuo que precisa ser absorvido gradualmente. Dessa forma, tentativas de recuperação tendem a encontrar resistência.

Segundo o analista responsável pelo estudo, o potencial de alta tende a permanecer limitado enquanto esse fluxo não for absorvido. Nesse sentido, uma postura mais conservadora parece alinhada aos dados atuais. Assim, a dinâmica da mineração se consolida como fator central para o comportamento do mercado.
Desequilíbrio entre oferta e demanda persiste
Esse contexto evidencia um desequilíbrio estrutural. Enquanto a oferta cresce de forma contínua, a demanda não acompanha no mesmo ritmo. Consequentemente, o preço encontra dificuldades para avançar. Além disso, a menor convicção dos investidores reforça a lateralização.
Assim, o Bitcoin permanece sensível ao fluxo vendedor. Ainda que ocorram tentativas de recuperação, elas tendem a ser limitadas enquanto persistirem as pressões sobre os mineradores.
Bitcoin segue abaixo de resistências técnicas
Atualmente, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 66.800, consolidando após a forte queda registrada em fevereiro. Esse movimento interrompeu a estrutura anterior de alta. Desde então, o gráfico apresenta topos e fundos descendentes, indicando pressão vendedora.

Após um evento de capitulação com alto volume, o ativo passou a oscilar entre US$ 62.000 e US$ 72.000. No entanto, o preço vem se aproximando da parte inferior dessa faixa, o que pode indicar enfraquecimento da demanda no curto prazo.
As médias móveis de 50 e 100 dias seguem inclinadas para baixo e permanecem acima do preço atual, atuando como resistências dinâmicas. Já a média de 200 dias está mais distante, reforçando a transição para um cenário corretivo.
Indicadores técnicos reforçam cautela
Tentativas recentes de recuperação entre US$ 70.000 e US$ 72.000 falharam repetidamente. Como consequência, formaram-se topos descendentes. Além disso, o volume de negociação diminuiu durante a consolidação, sinalizando menor participação compradora.
Desse modo, o cenário atual combina fatores técnicos e estruturais negativos. Por um lado, a venda contínua dos mineradores mantém pressão sobre o preço. Por outro, os indicadores técnicos reforçam a fragilidade da tendência.
Em conclusão, enquanto o Bitcoin não recuperar níveis-chave e o mercado não absorver esse excesso de oferta, o ativo tende a permanecer pressionado. O equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como principal catalisador para movimentos mais consistentes.