CryptoRank: DeFi perde 39% do TVL em 2026
O valor total bloqueado em DeFi, métrica conhecida como TVL, caiu mais de 39% em 2026 até 24 de junho. A retração acompanhou a correção do mercado de criptomoedas. Além disso, parte do capital migrou para ações ligadas à inteligência artificial.
A CryptoRank informou no X que o TVL do setor recuou cerca de US$ 45 bilhões no acumulado do ano. O montante saiu de aproximadamente US$ 115 bilhões no começo de janeiro para perto de US$ 70 bilhões em 24 de junho. Assim, a queda chegou a quase 39,1% no período.
Mesmo com o recuo amplo, o movimento não atingiu as principais redes de forma uniforme. Ainda assim, o enfraquecimento do setor mostra como o capital ficou mais seletivo em 2026, sobretudo diante da disputa com outros temas dominantes do mercado.

Fonte: CryptoRank, via X.
Mercado fraco e ações de IA pressionam liquidez
A queda do TVL ocorreu em um ambiente mais fraco para o mercado cripto. Esse movimento ganhou força com o boom da indústria de inteligência artificial. Além disso, a BlackRock, Inc. afirmou que o Bitcoin e outros ativos centrais fora da tese de IA perdem espaço para ações do setor desde o fim de 2025.
Em outras palavras, parte dos investidores reduziu exposição a protocolos descentralizados e buscou narrativas com maior apelo em renda variável. Como resultado, o capital saiu de aplicações de maior risco em criptomoedas e migrou para companhias associadas ao avanço da IA.
No entanto, duas redes entre as 10 maiores contrariaram essa tendência. Tron e Hyperliquid ampliaram o valor travado ao longo do ano, o que indica resiliência operacional mesmo em um cenário mais adverso.
Tron e Hyperliquid avançam na contramão
Na Tron, o TVL avançou quase US$ 220 milhões em 2026. Isso representa alta de cerca de 5%, já que o montante subiu de aproximadamente US$ 4,41 bilhões em 1º de janeiro para cerca de US$ 4,63 bilhões no momento da divulgação dos dados.
A Hyperliquid registrou crescimento de quase US$ 100 milhões no mesmo intervalo. O TVL da rede passou de US$ 1,42 bilhão em 1º de janeiro para US$ 1,52 bilhão, com valorização de 7% no ano.
Portanto, embora o setor como um todo tenha encolhido, essas duas blockchains mantiveram expansão. Esse contraste reforça que o investidor não abandonou DeFi por completo. Porém, ele passou a privilegiar ecossistemas com maior tração e uso mais consistente.
Hacks em DeFi ampliam pressão sobre investidores
Outro fator relevante para o desempenho fraco do setor foi o avanço dos ataques contra protocolos mal projetados. Os ataques contra protocolos DeFi chegaram a 121 em 2026, com perdas de cerca de US$ 942 milhões.
Além disso, o segundo trimestre concentrou o maior número de ataques do ano. Dessa forma, o aumento dos incidentes agravou a percepção de risco. Por consequência, esse cenário reforçou a migração de investidores para ações relacionadas à inteligência artificial.

Fonte: CryptoRank.
Com efeito, o impacto dos hacks vai além das perdas imediatas. Esses episódios reduzem a confiança, elevam o custo percebido de participação e dificultam a entrada de novos usuários. Ao mesmo tempo, pressionam protocolos menores, que já enfrentam um ambiente de liquidez mais escassa.
Tokenização de RWA pode guiar a próxima fase
A próxima etapa de DeFi pode depender da capacidade do setor de impulsionar a adoção mais ampla da tokenização de ativos do mundo real, conhecidos como RWA. A tokenização de ativos da TradFi, sigla para finanças tradicionais, ganhou força em 2026, apoiada por maior clareza regulatória nos Estados Unidos.
Nesse sentido, a integração entre finanças tradicionais e infraestrutura descentralizada pode abrir uma nova frente de demanda. Ainda que o TVL tenha caído com força, a tokenização surge como possível via para recuperar relevância e atrair capital mais estável.
No balanço do período, os dados mostram um setor pressionado por saídas de capital, concorrência de narrativas de mercado e avanço dos ataques cibernéticos. Ainda assim, Tron e Hyperliquid seguiram na contramão e ampliaram seus respectivos TVLs. Enquanto isso, o total bloqueado em DeFi recuou de cerca de US$ 115 bilhões para aproximadamente US$ 70 bilhões, com 121 hacks e perdas de US$ 942 milhões no ano.