CZ defende tokenização de ações e stablecoins estatais
Changpeng Zhao, fundador da Binance, apresentou o que considera a próxima etapa da adoção nacional de criptomoedas. Após reuniões com reguladores e líderes de vários países da Ásia, CZ defendeu que governos emitam suas próprias stablecoins soberanas e tokenizem mercados locais de ações. Segundo ele, essa combinação ampliaria o alcance internacional dos sistemas financeiros nacionais.
Para CZ, a proposta aproxima finanças tradicionais e infraestrutura blockchain. Além disso, o modelo poderia ampliar liquidez, reduzir barreiras para investidores estrangeiros e fortalecer o uso global de moedas nacionais em redes públicas. Nesse sentido, a tese combina digitalização de ativos, circulação monetária e acesso transfronteiriço.
Ações on-chain podem ampliar bolsas locais
Ao comentar as conversas com autoridades asiáticas, sem revelar quais países participaram, CZ afirmou que a recomendação central é levar ações de empresas domésticas para o ambiente on-chain. Em outras palavras, os países precisariam tokenizar seus papéis locais para permitir compras por investidores de qualquer parte do mundo.
Os países precisam tokenizar suas ações, permitindo compradores do mundo todo.
Os países precisam emitir sua própria stablecoin, ou suas próprias stablecoins, para expandir o uso de sua moeda na blockchain. https://t.co/054AbZj21b
Fonte: Changpeng Zhao no X
Na prática, a proposta abriria espaço para que investidores estrangeiros comprem participações em companhias relevantes de mercados domésticos menores de forma mais direta. Dessa forma, o investimento transfronteiriço teria menos fricção. Para CZ, esse formato pode elevar de maneira significativa a liquidez de bolsas locais que hoje têm alcance limitado fora de suas fronteiras.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura Web3 opera de forma contínua. Diferentemente das bolsas convencionais, que funcionam em horários restritos, sistemas baseados em blockchain poderiam viabilizar negociação 24 horas por dia, sete dias por semana. Além disso, a tokenização pode facilitar a propriedade fracionada. Assim, investidores de varejo em diferentes países ganhariam acesso a ações locais com menos barreiras operacionais.
Liquidez global e acesso fracionado entram na tese
Segundo a leitura de CZ, mercados menores poderiam captar interesse internacional sem depender apenas de listagens externas ou de estruturas convencionais mais lentas. Por conseguinte, a tokenização de ações locais funcionaria como uma ponte entre a poupança global e empresas domésticas com visibilidade restrita.
Essa estrutura também aproxima o capital tradicional do mercado cripto. Afinal, ela transforma ativos do mundo real em instrumentos negociáveis em redes públicas, com liquidação potencialmente mais rápida e maior interoperabilidade. Além disso, o argumento acompanha uma tendência já observada no setor de ativos reais tokenizados, que busca reduzir custos de distribuição e ampliar eficiência operacional.
Stablecoins soberanas formam a segunda frente
Além da tokenização de ações, CZ sugeriu que governos emitam stablecoins próprias em blockchains públicas e sem permissão. A ideia envolve ativos digitais lastreados pelo Estado, emitidos diretamente on-chain, com o objetivo de ampliar o uso de moedas fiduciárias nacionais no ambiente digital global.
Na avaliação do fundador da Binance, redes públicas oferecem transparência e alcance internacional para esse tipo de instrumento. Com stablecoins locais, cidadãos e empresas poderiam usar a moeda oficial do país em aplicações descentralizadas, sem depender de bancos intermediários em cada operação. Ademais, o modelo poderia apoiar pagamentos, liquidação e automação financeira.
Esse arranjo, segundo CZ, também pode aumentar a relevância global de moedas fiduciárias menores, que normalmente têm circulação internacional restrita. Ao entrarem em blockchains públicas, essas moedas passariam a participar de uma economia digital programável. Desse modo, poderiam ganhar liquidação mais rápida e acesso mais amplo.
Uso estatal on-chain pode modernizar operações
CZ ainda apontou que esses ativos podem servir de base para funções econômicas automatizadas. Entre os exemplos citados estão pagamentos corporativos de folha salarial, sistemas públicos de distribuição e arrecadação de tributos por contratos inteligentes. Nesse cenário, o dinheiro estatal passaria a ocupar papel central na atual fase de inovação do mercado de criptomoedas.
De acordo com a visão apresentada por CZ, stablecoins soberanas não substituem necessariamente a política monetária tradicional. Pelo contrário, elas podem funcionar como uma extensão digital da moeda local em infraestrutura aberta. Assim sendo, governos manteriam a soberania econômica nacional enquanto exploram novas formas de circulação e programação do dinheiro.
Inclusão financeira e remessas completam o plano
O terceiro eixo da visão apresentada por CZ é a ampliação da inclusão financeira. Segundo ele, milhões de pessoas sem acesso ao sistema bancário tradicional poderiam utilizar serviços essenciais apenas com um smartphone. Dessa maneira, a infraestrutura blockchain poderia reduzir barreiras históricas de entrada.
Outro benefício citado envolve remessas internacionais. O uso de redes públicas poderia reduzir de forma expressiva os custos de envio de dinheiro entre países. Esse ponto é especialmente relevante para trabalhadores que sustentam familiares no exterior. Enquanto transferências tradicionais costumam cobrar tarifas elevadas e exigir mais tempo de processamento, pagamentos liquidados em blockchain tenderiam a ocorrer em segundos e a custos menores.
Portanto, a proposta apresentada por CZ combina três frentes conectadas: tokenização de ações locais, emissão de stablecoins soberanas e uso da infraestrutura blockchain para ampliar acesso financeiro. Segundo ele, essa estratégia permite modernizar instrumentos fiscais e monetários sem abrir mão da soberania econômica nacional.
Ao resumir sua tese em 17 de junho de 2026, CZ vinculou ações tokenizadas para compradores globais e stablecoins próprias à adoção institucional da blockchain. A mensagem veio após reuniões com reguladores e líderes asiáticos sobre o uso da tecnologia em escala nacional.