David Woo: bolha da IA pode estourar no 2º semestre de 2026
O economista e estrategista de investimentos David Woo afirmou que a bolha ligada à IA pode estourar no segundo semestre de 2026. Segundo ele, esse movimento teria impacto direto sobre os mercados financeiros, os rendimentos reais e o preço do ouro.
De acordo com Woo, o ciclo de investimentos em inteligência artificial virou uma das principais forças de sustentação do crescimento econômico. Além disso, os incentivos ao gasto corporativo ajudaram a manter a expansão da atividade, sobretudo nos Estados Unidos.
A avaliação saiu em uma entrevista concedida a David Lin e publicada em 4 de julho. Ainda assim, Woo alertou que o mesmo motor que impulsiona a economia hoje pode provocar uma correção importante adiante.
Investimentos em IA elevam os rendimentos reais
Atualmente, investidores direcionam capital para infraestrutura de inteligência artificial, data centers, empresas de semicondutores e tecnologias relacionadas. Como resultado, esse fluxo virou um dos principais motores de valorização do mercado de ações no último ano.
Segundo Woo, esse boom sustentou expectativas de continuidade da expansão econômica, mesmo após temores anteriores sobre desaceleração. Ao mesmo tempo, o estrategista observou que a economia dos Estados Unidos permaneceu mais resiliente do que muitos projetavam.
Ele atribuiu parte dessa força a dados econômicos acima do esperado e à continuidade dos investimentos empresariais. Além disso, incentivos tributários encorajaram gastos com pesquisa e desenvolvimento, despesas de capital e projetos industriais.
Nesse sentido, a IA passou a ocupar um papel central como vetor de crescimento da economia americana. Conforme Woo, a combinação entre entusiasmo com a tecnologia e redução das incertezas de política econômica ajudou a impulsionar contratações e novos investimentos.
Por outro lado, esse ambiente pressionou ativos que não geram rendimento. Portanto, o ouro perdeu parte de sua atratividade relativa, já que muitos investidores preferiram ativos ligados ao crescimento impulsionado pela IA.
“Eu me preocupo que os rendimentos reais continuem subindo até que a bolha da IA estoure, e é nesse momento que o ouro vai receber ajuda de verdade. Na minha visão, o maior problema do ouro é a IA. Até que a bolha da IA tenha estourado, acho que o ouro continuará enfrentando dificuldades. Mas minha visão é que há uma chance muito boa de a bolha da IA estourar no segundo semestre deste ano”, disse Woo.
Por que o ouro enfrenta pressão em 2026
De acordo com a tese de David Woo, a bolha das ações ligadas à IA ajudou a manter os rendimentos reais elevados ao longo de 2026. Dessa forma, o metal encontrou um obstáculo importante, mesmo em períodos de alta pontual.
O argumento central é simples. Quando os rendimentos reais sobem, ativos sem geração de renda tendem a perder apelo relativo. Assim, o ouro enfrenta dificuldade para atrair fluxo enquanto o mercado enxerga mais retorno em empresas expostas à inteligência artificial.
Além disso, Woo avalia que os rendimentos reais ainda podem subir mais caso o boom da IA continue forte. A menos que esse ciclo perca tração, o ouro deve seguir sob pressão em 2026, na visão do estrategista.
Estouro da bolha da IA pode mudar o mercado
Woo acredita que uma eventual reversão da euforia com inteligência artificial mudaria o equilíbrio entre ativos de crescimento e ativos defensivos. Em outras palavras, o estouro da bolha da IA poderia reduzir a pressão sobre o ouro e abrir espaço para um reposicionamento do mercado.
Segundo ele, o ponto central não está apenas na queda de ações associadas à IA. Com efeito, uma correção mais ampla poderia alterar expectativas de crescimento, reduzir o impulso dos investimentos corporativos e mexer com a percepção de risco nos mercados financeiros.
Esse cenário ganharia importância especialmente no segundo semestre de 2026. Caso a bolha perca força nesse período, como Woo projeta, o ouro poderia receber suporte adicional. Isso ocorreria porque os rendimentos reais deixariam de subir no mesmo ritmo.
Em resumo, a tese de David Woo conecta quatro elementos principais: avanço dos investimentos em IA, resiliência da economia dos Estados Unidos, incentivos ao gasto corporativo e manutenção de rendimentos reais elevados. Portanto, esse conjunto mantém o ouro sob pressão até que o ciclo de euforia com inteligência artificial perca impulso, na avaliação dele.
Por fim, a análise reforça um debate cada vez mais presente em 2026. Embora a IA siga no centro da expansão econômica e do mercado acionário, cresce a preocupação com os riscos de excesso de valuation e com os efeitos de uma eventual correção sobre ativos globais.