Debate nos EUA reacende disputa sobre regras do Bitcoin

O Bitcoin voltou ao centro das discussões políticas nos Estados Unidos após declarações firmes do secretário do Tesouro, Scott Bessent. Durante uma audiência no Comitê Bancário do Senado, ele afirmou que empresas contrárias à definição de regras claras deveriam considerar mudar suas operações para El Salvador, o que acirrou o debate regulatório.

Bessent criticou um grupo do setor, chamando-o de niilista por preferir a ausência de supervisão. A audiência tratou do Digital Asset Market Clarity Act, proposta que busca definir como ativos digitais se enquadram nas normas bancárias e de valores mobiliários.

Tensão regulatória e impactos no setor cripto

O embate ficou evidente quando parlamentares expressaram preocupações sobre stablecoins e possíveis efeitos no sistema bancário. Representantes da indústria afirmaram que regras rígidas poderiam limitar a inovação. Além disso, divergências internas entre empresas intensificaram o clima político.

Bessent sugeriu que companhias em busca de supervisão mais flexível podem operar em outras jurisdições e citou El Salvador como exemplo. No entanto, destacou que o país passou por ajustes legais após adotar o Bitcoin como moeda corrente.

Pressões políticas e disputas internas

A audiência evidenciou a divisão entre grupos que defendem reconhecimento regulatório completo e aqueles que pedem exceções. Além disso, mudanças recentes no posicionamento de grandes plataformas deram a impressão de que o avanço do projeto de lei pode enfrentar atrasos.

Gráfico BTCUSD
BTCUSD sendo negociado a US$65.930. Fonte: TradingView

El Salvador e o equilíbrio regulatório

Embora seja citado como destino de empresas que desejam operar com menos barreiras, El Salvador não oferece um ambiente totalmente livre de regras. O país alterou recentemente seu marco legal para tornar opcional o uso do Bitcoin, uma medida alinhada a um acordo com o FMI. Contudo, o governo segue acumulando reservas e realizando compras pontuais.

Essas mudanças mostram que o país busca equilibrar sua imagem pró-cripto com compromissos institucionais. Assim, difere da visão norte-americana que frequentemente o retrata como um território sem regulamentação.

Consequências para o mercado e para as empresas

A fala de Bessent influenciou debates sobre o futuro dos ativos digitais nos EUA. Investidores tendem a reagir a posicionamentos governamentais, já que clareza regulatória costuma trazer maior estabilidade. No entanto, conflitos entre reguladores e o setor podem elevar a volatilidade.

Além disso, bancos e empresas cripto dependem de um ambiente estável para lançar novos produtos e expandir serviços. Portanto, as discussões no Senado devem continuar influenciando decisões estratégicas no curto prazo. A disputa entre supervisão rígida e modelos mais flexíveis seguirá moldando o posicionamento das companhias enquanto aguardam definições concretas.