Deep Fission busca IPO de US$ 156 mi na Nasdaq

A Deep Fission, startup nuclear sediada em Berkeley, protocolou um pedido S-1 com o objetivo de realizar um IPO na Nasdaq e captar até US$ 156 milhões. A empresa pretende vender 6 milhões de ações, com preço estimado entre US$ 24 e US$ 26. Com isso, a avaliação de mercado pode atingir cerca de US$ 1,66 bilhão.

O movimento chama atenção porque ocorre menos de um ano após a companhia acessar o mercado público por meio de uma fusão com uma SPAC. Na ocasião, levantou cerca de US$ 30 milhões a US$ 3 por ação. Agora, busca investidores dispostos a pagar aproximadamente oito vezes mais por participação.

Esse reposicionamento acontece em meio ao aumento da demanda por soluções energéticas robustas, especialmente para infraestrutura tecnológica. Nesse sentido, empresas que atuam na interseção entre energia e tecnologia ganham relevância crescente.

Listagem na Nasdaq amplia acesso a capital

Saída do OTCQB mira investidores institucionais

A Deep Fission concluiu uma fusão reversa com a Surfside Acquisition Inc. em setembro de 2025. Como resultado, passou a ser negociada no mercado OTCQB, conhecido pela menor liquidez e baixa participação institucional. No entanto, em 20 de maio de 2026, a empresa protocolou um novo pedido sob o ticker FISN.

Com efeito, a migração para a Nasdaq representa uma mudança estratégica relevante. Muitos investidores institucionais evitam ativos listados no OTCQB, o que limita o acesso a capital. Portanto, ao buscar uma listagem em uma bolsa mais consolidada, a empresa tenta ampliar sua base de investidores.

Além disso, a Deep Fission realizou uma rodada de financiamento de US$ 80 milhões em fevereiro de 2026. Esse aporte pode ter sustentado a nova faixa de avaliação pretendida.

Ao mesmo tempo, a empresa tende a ganhar maior visibilidade. Dados da própria Nasdaq indicam que companhias listadas na bolsa atraem mais cobertura de analistas e liquidez.

Tecnologia aposta em reatores subterrâneos

Modelo busca eficiência e maior segurança

O principal produto da Deep Fission é o Gravity Nuclear Reactor. Trata-se de um reator modular compacto projetado para operar a cerca de 1,6 km de profundidade em perfurações verticais. Dessa forma, a empresa utiliza a própria rocha como barreira natural de contenção.

Esse modelo reduz a necessidade de grandes estruturas na superfície. Além disso, pode oferecer maior proteção contra vazamentos de radiação. Em outras palavras, a proposta combina segurança com eficiência operacional.

A tecnologia se conecta diretamente à crescente demanda energética de data centers de inteligência artificial, que exigem fornecimento contínuo e estável. Assim, soluções como a da Deep Fission podem ganhar espaço rapidamente.

Ao mesmo tempo, o setor enfrenta pressão por inovação. Nesse contexto, alternativas como a energia nuclear avançada ganham relevância estratégica.

A empresa foi fundada em 2023 pelo físico Richard A. Muller e sua filha, Elizabeth Liz Muller. Ambos também cofundaram a Deep Isolation e a Berkeley Earth, acumulando experiência em projetos ligados a clima e tecnologia nuclear.

Além disso, a startup conta com apoio da 8VC, liderada por Joe Lonsdale, cofundador da Palantir. Esse respaldo reforça sua conexão com iniciativas de alta complexidade tecnológica.

Valorização acelerada levanta questionamentos

Salto de preço exige maior transparência

Apesar do potencial tecnológico, a valorização acelerada levanta dúvidas. O salto de US$ 3 para até US$ 26 por ação em menos de um ano exige justificativas consistentes.

Investidores tendem a buscar evidências concretas, como avanço tecnológico, contratos firmados ou projeções claras de receita. No entanto, nem todas essas informações foram detalhadas publicamente até o momento.

A rodada de US$ 80 milhões realizada em fevereiro sugere aceitação de uma avaliação mais elevada. Ainda assim, os termos completos desse financiamento não foram divulgados, o que mantém parte das informações em aberto.

Outro ponto relevante envolve a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), que pode solicitar ajustes ou esclarecimentos no registro S-1. Em alguns casos, isso pode atrasar o processo de IPO.

Além disso, será decisivo observar a demanda institucional. Embora a Nasdaq aumente a visibilidade, ela não garante interesse suficiente para sustentar a avaliação proposta.

Em suma, a Deep Fission tenta se posicionar em um setor estratégico que combina energia e inteligência artificial. Ainda assim, o histórico recente de captação e a rápida valorização colocam a empresa sob forte escrutínio, tornando a confiança dos investidores um fator determinante para o sucesso da oferta.